Os segredos das startups brasileiras que competem com gigantes

Documentário disponível online traz depoimentos e conselhos dos brasileiros que estão conseguindo vencer no mundo das startups; veja:

São Paulo – O mundo das startups pode ser sedutor, mas não se engane: não é nada fácil vencer num ambiente com tantas variáveis e poucas receitas.

Não são poucos os lugares que incentivam o empreendedor a iniciar o seu negócio através de mensagens motivacionais do tipo “Vai lá, você consegue!”. Mas onde encontrar orientações práticas de como agir em situações que invariavelmente vão aparecer para esse empreendedor?

Foi pensando em reunir esses valiosos conselhos que Iglá Generoso, da Academia PME, resolveu produzir o documentário “Competindo no planeta das startups bilionárias”.

Em pouco mais de uma hora, o filme traz relatos de 28 empreendedores brasileiros de sucesso sobre temas cruciais para a sobrevivência de qualquer empresa. Para montar o documentário, Generoso entrevistou mais de 150 pessoas em lugares como Vale do Silício, Boston e Nova York, nos Estados Unidos, além de São Paulo e Belo Horizonte aqui no Brasil.

Todas as empresas que aparecem no vídeo são startups brasileiras que oferecem soluções ligadas à tecnologia e têm inspiração num modelo difundido nos grandes centros de inovação e negócios do mundo. “Busquei trazer conceitos que são muito falados em lugares como as universidades Stanford, Harvard e o MIT, mas que pouca gente tem acesso aqui no Brasil”, afirma Generoso.

Dentre os temas abordados no documentário estão desde a motivação para iniciar um negócio até estratégias de vendas, passando por relacionamento com sócios, busca por investimento e recrutamento de funcionários. Veja as principais lições do filme:

Para Generoso, a principal lição do filme é que esses empreendedores de sucesso buscam sempre a orientação de quem já chegou mais longe.  “Eles buscam conversar com empreendedores que estão acima para avançar mais rápido. Isso mostra que o network é essencial para progredir, seja em conhecimento seja em investimento”, afirma.

Esse contato com empresários mais experientes não é restrito à área de atuação da startup, como mostra Gustavo Caetano, fundador da Sambatech, em seu depoimento no filme.

“O que eu tento fazer sempre é buscar coisas que não têm diretamente a ver com o meu negócio, busco referências diferentes. Então eu tenho conversado com empreendedores como Jorge Paulo Lemann, Edson Bueno, que fundou a Amil, Caito, da Chillibeans, Paula, da Microsoft, vários empreendedores e executivos de grandes empresas. E vou perguntando ‘qual a dificuldade do seu negócio?’, ‘o que você faria se estivesse no meu lugar?’”

Outra lição valiosa, na opinião de Generoso, está relacionada à busca por investimento. “A forma de pensar desses caras é diferente da maioria, que primeiro pensa em ir atrás de dinheiro para depois começar o negócio. Eles pensam o contrário: Como eu faço um modelo de negócio que agregue valor, para ter um dinheiro mínimo e então começar arrancar a ideia?”.

Ainda dentro desse assunto, há relatos de negócios que começaram suas operações de outra forma: usando investimentos a fundo perdido, disponíveis em programas do governo ou entidades de classe. “Ás vezes o empreendedor nem sabe que essa possibilidade existe, então quis traz alguns exemplos”, afirma o diretor.

Já quando o assunto é o contato direto com investidores, o filme traz relatos detalhados, como o de Daniel Almeida, fundador do StayFilm, que conta como fez para conseguir investimento de 3 milhões de reais para iniciar o negócio.

“A gente precisava de certa verba pra desenvolver o StayFilm. Foi aí que a gente pensou em fazer um evento pra apresentar o projeto e ver se as pessoas iam gostar ou não. Fizemos uma apresentação, respondemos dúvidas até que um cara disse: gostei do negócio, quero investir.”

Outro ponto abordado no filme e que gera muitas dúvidas nos empreendedores é o relacionamento entre os sócios.

“Uma coisa que é muito importante e que o brasileiro não faz é remediar problema. E no mundo das startups isso significa pensar num acordo de cotistas bem feito , num contrato social bem feito. Porque grande parte das startups que falham, falham por problemas entre sócios. Quando está todo mundo zerado, sem grana no bolso, na paixão, todos conseguem de alguma maneira crescer e se desenvolver. Agora, quando chega lá na frente e tem dinheiro para ser distribuído e decisões mais sensíveis que envolvem dinheiro, aí que começa a ter o problema entre sócios, sejam amigos, sejam parentes seja o que for e aí precisa ter uma acordo muito sólido entre as pessoas para que a empresa tenha uma vida longa”, afirma Lucas Judice, fundador da MidStage, em seu depoimento no filme.

Essas e outras dicas você pode ver no documentário, que está disponível gratuitamente no site da Academia PME, uma plataforma online de formação para empreendedores.