Os planos de expansão da Amaro, que une roupas a dados

Varejista que une lojas físicas às compras digitais utilizou informações já coletadas para decidir em quais estados brasileiros inaugurar próximas unidades

A Amaro, criada há sete anos como um comércio eletrônico de roupas e acessórios, investe na criação de lojas em ruas e shopping centers desde 2015. Unir o melhor do físico e do digital continua nos planos da startup: para 2019 e 2020, a Amaro começará a explorar regiões além do Sudeste e do Paraná, geograficamente próximo.

O negócio tem 15 guide shops, ou centros de compras guiadas, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Nas próximas semanas, a Amaro ocupará mais o Sul do país com uma unidade em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Em 2020, irá na direção oposta e abrirá uma unidade em Brasília.

A união do físico com o online

As lojas físicas representam um quarto das vendas totais da Amaro e representam uma estratégia mais sólida diante de um comércio eletrônico brasileiro que já vale mais de 50 bilhões de reais e cresce, mas ainda representa menos de 5% das vendas no país. Nos Estados Unidos, há o dobro da porcentagem.

As guide shops servem como um ponto de atração para compradoras de primeira viagem e experimentação de acessórios, calçados, lingerie, roupas, roupas de praia e roupas esportivas. As clientes realizam a compra não por meio de caixas comuns, mas por computadores instalados nas lojas físicas. 

O processo garante que a Amaro tenha os dados em mãos e já acostuma as consumidoras ao processo de compra online. Nas aquisições seguintes, elas costumam recorrer à loja virtual da Amaro. Em uma loja física comum, a fabricante recuperar as informações que clientes deram aos vendedores é um caminho tortuoso.

Loja da Amaro, na cidade de São Paulo Loja da Amaro, na cidade de São Paulo

Loja da Amaro, na cidade de São Paulo (Amaro/Divulgação)

O físico alimenta o online, mas o online também alimento o físico. Os estados que mais compram no e-commerce da Amaro em ordem decrescente são São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Brasília e Porto Alegre. Isso motivou a expansão de guide shops para as últimas duas regiões.

Um tablet instalado no tapume onde será a loja de Porto Alegre pede para as consumidoras responderem quais peças gostariam de ver na loja. A partir desse questionário, a Amaro lançará uma coleção “feita especialmente para o gosto das clientes de Porto Alegre” (mas que estará no e-commerce para todo o país).

Empresas em diversos pontos de venda — uma loja física, um site ou um aplicativo para celular — são conhecidas como multicanais. A Amaro está um passo além: todas essas frentes compartilham e fazem uso dos dados de consumidores coletados. Empresas do tipo são conhecidas como omnichannel. Exemplos são a gigante do comércio eletrônico Amazon, com suas lojas físicas futuristas Amazon Go, e a varejista física e online de maquiagens Sephora, com 2.300 unidades em 33 países.

“Da porta para fora, é uma empresa de moda. Da porta para dentro, é uma empresa de tecnologia”, afirmou um porta-voz em visita de EXAME à sede da varejista de moda, na cidade de São Paulo. O negócio tem mais de 400 funcionários.

Sede da Amaro, na cidade de São Paulo Sede da Amaro, na cidade de São Paulo

Sede da Amaro, na cidade de São Paulo (Amaro/Divulgação)

A Amaro usa as informações coletas em suas redes sociais e nas transações digitais em todos os seus processos. Os históricos são usados para fazer uma análise preditiva de quais peças farão ou não mais sucesso e quantas unidades produzir para evitar acúmulos de estoque. Segundo estimativas da própria Amaro, enquanto marcas tradicionais trabalham em coleções elaboradas de nove a 16 meses antes do lançamento para terem tempo de garimpar ideias e elaborar modelos, a Amaro usa o fluxo constante de informações para lançar itens a todo momento. Na startup, o tempo estimado é de 8 a 12 semanas. O processo envolve o desenho das peças; modelagem e boa parte da produção; logística; engenharia de dados; e marketing.

Além da fabricação, a informação das consumidoras também é fundamental na hora de customizar a comunicação das redes sociais. O trabalho comum das marcas de moda é estudar as tendências internacionais, seja por passarelas da Fashion Week ou por influenciadoras de maior sucesso. A Amaro, porém, adiciona características regionais e do próprio usuário para montar posts personalizados em redes como o Instagram. Vale desde o frio que a cidade de São Paulo enfrenta neste final de semana até as melhores peças para quem tem o signo de Virgem.

A Amaro ainda não divulga quanto essa estratégia lhe rendeu em faturamento. Ainda assim, a expansão de lojas mostra que sua aposta em dispersar canais para conquistar clientes e dados continuará em voga.