Os pagamentos instantâneos vêm aí — e esta startup busca surfar a onda

A Swipe, que vende carteiras digitais, espera disseminar as transferências imediatas para além de suas carteiras e das fintechs

Depois de as startups de serviços financeiros criarem competição no mercado de concessão de crédito, o Banco Central busca que fintechs sacudam outra área: a de pagamentos instantâneos. As transferências mais ágeis e menos custosas poderão se tornar uma realidade disseminada no ano que vem — e já existem startups se preparando.

Uma delas é a Swipe. Criada há dois anos para levar a tecnologia blockchain ao setor de meio de pagamentos, a startup transformou seu modelo de negócios após passagens tanto pelo Banco Central quanto por acelerações. A startup, que agora atua com carteiras digitais, está preparando sua tecnologia para um mundo no qual pagamentos instantâneos sejam a norma.

A união de finanças e tecnologia

A Swipe foi criada em outubro de 2017 pelo desenvolvedor e designer Eduardo Nuzzi, o economista Marcelo Martins e o cientista da computação Vitor Almeida. Os empreendedores acumularam experiências em startups ou empresas do setor financeiro. “Eu e o Marcelo trabalhávamos em uma subadquirente. Queríamos unir o setor de pagamentos com atualizações tecnológicas, como o blockchain”, afirma Almeida. Hoje, só Almeida e Nuzzi continuam no negócio.

A tecnologia permite o registro distribuído e compartilhado de informações, como uma maneira mais segura de validar cada transação. A Swipe começou, então, como uma infraestrutura de blockchain para redes internacionais de pagamento e suas transferências. As transações demoram dois segundos para serem realizadas. O negócio passou por uma aceleração de empreendimentos com tecnologias emergentes na Liga Ventures para melhorar o produto.

A proposta atraiu até mesmo o Banco Central. No final do ano passado, os empreendedores participaram do Laboratório de Inovações Financeiras da autarquia. O Banco Central buscava projetos que validassem a discussão sobre pagamentos instantâneos e a tecnologia da Swipe cumpria os requisitos colocados pela instituição. Algumas exigências são um provedor de serviços de pagamento, uma infraestrutura de liquidação junto ao Banco Central e uma plataforma de intermediação desses sistemas, conhecida como switch

Em março deste ano, a Swipe apresentou um modelo de carteira digital com pagamentos instantâneos. Havia uma oportunidade de negócios e a startup decidiu apostar no futuro promovido pelo Banco Central.

A onda do pagamento instantâneo

Os pagamentos instantâneos ainda não se refletiram em negócios para a Swipe, porém. As transferências imediatas só estarão disponíveis no final de 2020, após aberturas progressivas do BC. A última etapa será permitir a TED por pagamento instantâneo. “Já temos a tecnologia pronta, mas estamos acompanhando a evolução e esperando a virada de chave no Brasil”, diz Almeida.

Buscando uma forma de sustentar sua operação até lá, a Swipe pivotou durante uma aceleração sem troca de participação (equity-free) do Programa de Inovação da Visa. “Passamos por uma revisão completa do modelo de negócio por metodologias como scrum [planejamento e gestão ágil]. Entendemos que apenas fornecer uma infraestrutura de blockchain não era suficiente e complementamos o produto”, diz Almeida.

A gigante de pagamentos trabalha com inovação aberta, desenvolvendo soluções financeiras ou que auxiliam esse setor com outras empresas, desde 2016. “Já enxergávamos potencial em trabalhar com fintechs e o melhor formato para atrair as startups foi com um programa de aceleração para negócios em estágio de crescimento. Conseguimos ajudá-las com nossas conexões com instituições financeiras e nossa experiência com mentorias de executivos”, afirma Érico Fileno, diretor de inovação da Visa. Quase 60 startups passaram pela iniciativa.

O resultado da aceleração foi transformar a Swipe em uma plataforma que comercializa carteiras digitais a instituições que querem colocar sua própria marca na carteira. O Programa de Inovação da Visa incluiu duas semanas de imersão no Vale do Silício, na qual os empreendedores estudaram mais tanto sobre blockchain quanto carteiras digitais.

Nas carteiras da Swipe, é possível fazer transferências e usar serviços como pagar contas e fazer recargas de aplicativos de carona, celular e vale-transporte. As empresas contratantes oferecem novidades aos clientes e usam os dados anonimizados para estratégias de criação de produtos e de marketing. Exemplos são as fintechs PitayaBank e StarPay, mas a Swipe está negociando com instituições financeiras maiores e espera atender também varejistas buscando oferecer soluções financeiras a seus clientes.

Os pagamentos instantâneos funcionam apenas dentro das próprias carteiras da Swipe por enquanto. Até o final de 2020, a startup espera que todas as transações sejam imediatas. O negócio também prepara sua primeira rodada de captação para o ano que vem. “Queremos deixar a plataforma mais robusta, atender as empresas de forma eficiente e replicar para mais usuários em 2020”, afirma Almeida.