Os melhores lugares para abrir uma startup — com uma promessa brasileira

Estudo elencou os 30 melhores ecossistemas para negócios inovadores, junto de algumas regiões que podem entrar para essa lista nos próximos anos

Por mais que conhecimento e perseverança dos empreendedores tenham um grande papel no sucesso de uma startup, a importância do que está ao seu redor é maior do que esses donos de empresas escaláveis e inovadoras imaginam.

Mais de 70% dos fatores de sucesso de um unicórnio, ou startup avaliada em um bilhão de dólares, dependem do ambiente de negócios, ou “ecossistema empreendedor”. A estatística é do Global Startup Ecosystem Report 2019. O estudo foi feito pela Startup Genome, empresa de pesquisa que usa dados de mais de um milhão de companhias por 150 cidades.

A economia global das startups continua a crescer, com 46 ecossistemas criando cada um mais de quatro bilhões de dólares entre 2016 e 2018. No ano passado, fundos de capital de risco investiram 220 bilhões de dólares em negócios inovadores. O estudo espera que cerca de 100 cidades ultrapassem a barreira dos quatro bilhões de dólares de valor gerado nos próximos dez anos.

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Sem surpresas, a região do Vale do Silício (Estados Unidos) continua sendo o melhor ecossistema do mundo para abrir uma startup. De acordo com a pesquisa, porém, não haverá um “próximo Vale do Silício” no futuro.

No lugar, existirão cerca de 30 ecossistemas bem distribuídos pelo mundo, especializados por região (como o Sudeste Asiático) ou por segmento (como San Diego, nos Estados Unidos, em ciências da vida). Nenhum será tão grande quanto o Vale do Silício, porque essa não é uma condição para seu sucesso.

Veja, abaixo, os 30 melhores lugares do mundo para abrir uma startup:

Região Posição Mudança de posição
Vale do Silício 1 0
Nova York 2 0
Londres 3-4 (empatada) 0
Beijing 3-4 (empatada) Subiu 1
Boston 5 0
Tel Aviv 6-7 (empatada) 0
Los Angeles 6-7 (empatada) Subiu 3
Shanghai 8 0
Paris 9 Subiu 2
Berlim 10 Caiu 3
Estocolmo 11 Subiu 3
Seattle 12 Caiu 2
Toronto-Waterloo 13 Subiu 3
Singapura 14 Caiu 2
Amsterdam-StartupDelta (Holanda) 15 Subiu 4
Austin 16 Caiu 3
Chicago 17 Subiu 1
Bangalore 18 Subiu 2
Washington 19 Nova no ranking
San Diego 20 Nova no ranking
Denver-Boulder 21 Nova no ranking
Lausanne-Berna-Genebra (Suíça) 22 Nova no ranking
Sidney 23 Caiu 6
Vancouver 24 Caiu 9
Hong Kong 25 Nova no ranking
Atlanta 26-30 (empatada) Nova no ranking
Barcelona 26-30 (empatada) Nova no ranking
Dublin 26-30 (empatada) Nova no ranking
Miami 26-30 (empatada) Nova no ranking
Munich 26-30 (empatada) Nova no ranking

São Paulo, um ecossistema promissor

Além da lista dos 30 melhores ecossistemas, o Global Startup Ecosystem Report 2019 também elencou algumas promessas que podem entrar para o ranking oficial nos próximos anos. Entre elas, está a cidade de São Paulo, uma “líder regional da América Latina.”

Região (em ordem alfabética) País e continente de origem
Helsinki Finlândia (Europa)
Hangzhou China (Ásia-Pacífico)
Jakarta Indonésia (Ásia-Pacífico)
Lagos Nigéria (África)
Melbourne Austrália (Ásia-Pacífico)
Montreal Canadá (América do Norte)
Moscou Rússia (Europa)
Mumbai Índia (Ásia-Pacífico)
São Paulo Brasil (América)
Seoul Coreia do Sul (Ásia-Pacífico)
Shenzhen China (Ásia-Pacífico)
Tóquio Japão (Ásia-Pacífico)

São Paulo está entre os 10 melhores ecossistemas de startups no quesito de “talentos acessíveis”, com universidades de qualidade nas áreas de ciência e tecnologia. A Universidade de São Paulo (USP) foi considerada a melhor universidade da América do Sul no World University Rankings 2019. Segundo a pesquisa, o salário de um engenheiro de software está em 25,9 mil dólares anuais, contra uma média global de 58,3 mil dólares.

A cidade também possui isenções em impostos sobre renda, importação, exportação e produtos manufaturados. Em segmentos, São Paulo se destaca com startups nas áreas financeira e de ciências da vida.

A cidade sedia um terço dos bancos do Brasil e é responsável por um terço das transações de crédito. Lá também se encontra a BM&FBovespa, uma das cinco maiores bolsas de valores do mundo. As fintechs brasileiras devem gerar uma receita de 24 bilhões de dólares nos próximos dez anos. Alguns exemplos destacados pela pesquisa são os unicórnios Nubank e Stone Pagamentos.

Ao mesmo tempo, o Brasil é o maior mercado de cuidados com saúde da América Latina e o sétimo do mundo, com mais de 42 bilhões de dólares gastos anualmente na esfera privada. São Paulo sedia eventos como a feira Hospitalar, que reúne 85 mil profissionais de mais de 50 países, e startups como a provedora de prescrições eletrônicas Memed.