O que é melhor: empreender aos 25 anos ou esperar até os 50?

Mark Zuckerberg tinha apenas 19 anos quando lançou a primeira versão do Facebook, já Charles Fint estava com 61 anos quando iniciou a IBM. O que é melhor?

As principais diferenças em empreender aos 25 e aos 50 anos
Escrito por Cynthia Serva, especialista em empreendedorismo

Será mesmo que existe uma idade certa ou ideal para empreender?

Se por um lado os mais jovens estão entre os que mais querem abrir o próprio negócio, são os mais experientes que seguem firmes no mercado, de acordo com pesquisa realizada pelo GEM, Global Entrepreneurship Monitor (GEM).

Segundo dados que o estudo aponta, no Brasil, a faixa etária mais ativa em empreendedorismo é a de 45 a 54 anos, totalizando 24,3%. Já em relação a idade média daqueles que decidem abrir um negócio, os números são bem diferentes, uma vez que a faixa etária fica em torno de 25 a 34 anos (21,9%), seguida de perto por empreendedores de 35 a 44 anos (19,9%) e pelos de 18 a 24 anos (16,2%).

Será então que a idade é um dos elementos essenciais para o sucesso ao se empreender? Vejamos.

Mark Zuckerberg tinha apenas 19 anos quando lançou a primeira versão do Facebook e aos 23 já era um bilionário, tamanho o sucesso de seu empreendimento. Quando começou a construir a Microsoft, Bill Gates tinha 20 anos e aos 32 também já era dono de uma das maiores fortunas dos EUA. E claro, ainda tem Larry Page e Sergey Brin que tinham 25 anos quando lançaram um site de buscas, o Google, e o resto da história todos conhecem.

Por outro lado, Charles Fint quando iniciou a IBM estava com 61 anos de idade e foi somente aos 51 anos que Gordon Bowker fundou a Starbucks.

A verdade é que não existe uma idade mais ou menos adequada para empreender, existem apenas momentos diferentes, o que deve prevalecer em ambos os casos é a capacidade para identificar uma oportunidade de negócio e implementá-la! E isso fica mais claro quando analisamos os prós e contras para empreender nas respectivas faixas etárias.

É claro que quando se é jovem o custo de oportunidade é bem menor, uma vez que ainda não existem tantas responsabilidades e compromissos como família e carreira. Isso significa que sua capacidade de correr riscos é bem acima da média daqueles que já tem “algo a perder”, e não estou me referindo apenas a recursos financeiros.

Quando somos jovens a tendência é que tenhamos mais apetite ao risco. Por outro lado ainda não temos experiência e conhecimento acumulados como teremos após um determinado momento de nossas vidas e que será tão importante ao iniciarmos um negócio.

Entretanto, muitos que tinham o firme desejo de empreender e não o fizeram quando jovens sinalizam que não se sentiam preparados o suficiente ou não acreditavam totalmente em suas respectivas ideias de negócio. E decidiram esperar: esperar o melhor momento, esperar ter o que acreditavam ser o suficiente em recursos financeiros, etc. E na maioria das vezes ficaram apenas esperando.

Se por um lado a tolerância ao risco nos ajuda a dar o primeiro passo, é a experiência e o conhecimento que nos ajudam a seguir adiante. E para isso, independente da idade que se tenha ao começar, você pode buscar complementariedade nos sócios ou parceiros para aquilo que te falte em relação ao conhecimento, competências ou comportamentos necessários para o sucesso do seu empreendimento.

O mais importante é ter de fato identificado uma oportunidade de negócio, validá-la o quanto antes junto a seu público consumidor e se cercar de pessoas que possam contribuir com o seu projeto o mais rápido possível, antes que alguém o faça e você fique apenas esperando o melhor momento. 

Cynthia Serva é coordenadora e professora do Centro de Empreendedorismo do Insper.