Há momento em que devemos comemorar. Mas cuidado com prêmios

Quem persegue prêmios nem sempre valoriza os reconhecimentos que não são anunciados para o mundo, mas entendidos nas entrelinhas

São Paulo – Recentemente recebi um reconhecimento sensacional no mundo do empreendedorismo — o Women’s Initiative Awards, um prêmio da Cartier, a empresa de luxo, ao qual concorrem mulheres empreendedoras de todo o mundo. O projeto que ganhou foi a escola FazINOVA, cuja missão é ajudar as pessoas a descobrir suas habilidades e valores e, a partir disso, conseguir realizar seus sonhos profissionais e existenciais.

A FazINOVA é a materialização de pelo menos dez anos de luta por meus ideais — uma luta que não é só minha. Eu não estaria aqui, escrevendo sobre esse assunto nesta coluna, se não fosse o trabalho e a dedicação de mais 14 pessoas que formam minha equipe. O prêmio é para elas também. Ou, se quiserem, o prêmio é para elas e para mim também.

O dia em que levamos o Women’s Initiative Awards foi inusitado. Recebemos mais três reconhecimentos bem explícitos: primeiro, batemos o recorde de financiamento coletivo no Brasil, com quase 900 000 reais arrecadados para um projeto que pretende desmistificar como se realizam sonhos.

Segundo, a FazINOVA foi escolhida por jornalistas da revista americana Time como uma empresa com potencial para mudar o mundo. Terceiro, por causa dos bons resultados, o braço social da escola recebeu um convite para fazer parte de uma reportagem importante.

Tudo isso é muito legal, mas acho que é preciso ter cuidado com essas manifestações de reconhecimento. Muitos empreendedores, ao vencer algum tipo de competição — concurso de planos de negócios, certificados de bom ambiente de trabalho, fazer parte de listas de inovação —, relaxam, como quem alcança o destino depois da viagem.

Quando chegar a vez de vocês de comemorar, não deixem que isso aconteça. Um prêmio é um sinal de que alguma coisa certa foi feita, mas não que tudo o que foi feito está certo. Há muito trabalho pela frente — agora, com mais responsabilidade ainda. Não é o fim da viagem, é só uma conexão no aeroporto.

O que me deixa feliz mesmo são os prêmios diários. Naquele mesmo dia, soube que um de nossos funcionários, que trabalhava remotamente, sairia da sua cidade para morar em São Paulo, onde fica a FazINOVA. Ele poderia ficar lá, fazendo tudo de casa, mas desejava estar perto de nós, todos os dias.

Foi uma felicidade indescritível saber que ele estava reestruturando sua vida por causa da escola. É o reconhecimento de que um sonho meu virou uma missão que engajou mais pessoas — e que elas estão se unindo para que as coisas aconteçam.

Quem persegue prêmios nem sempre valoriza os reconhecimentos que não são anunciados para o mundo, mas entendidos nas entrelinhas, captados por um olhar, comprovados nas atitudes.

Para mim, esse é o prêmio que mais importa: saber que minha equipe acredita nos projetos da empresa e se dedica de verdade pela sua razão de existir. Sem isso, não há estátua, diploma na parede ou medalha que tenha valor para mim.

Bel responde

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Como demonstrar a meus clientes que planejar é necessário?
José Roberto, da Consultee — São Paulo, SP

Planejar ganhou má reputação porque muitos acham isso chato e pouco produtivo num mundo que muda tão depressa. Quem não planeja nada perde a chance de refletir e enxergar antecipadamente problemas que podem ocorrer num projeto. Mas quem tenta planejar tudo pode travar — em negócios há tantas coisas que dependem de outras que é impossível saber de antemão dos detalhes, no papel.

Planejar ajuda a enxergar melhor o projeto, mas não se pode deixar que os planos travem sua execução. Daí ser importante achar um meio-termo ao fazer um planejamento com foco na estratégia para ser possível pensar holisticamente, identificar oportunidades e prever possíveis ameaças.

A melhor maneira de provar ao cliente a importância do planejamento estratégico é convidá-lo para uma conversa franca. Explique situações em que o planejamento foi fundamental para outros clientes na hora de tomar a melhor decisão. Mostre relatórios de avaliação de resultados desses casos, e explique os prós e os contras que pesaram.

Isso deve ajudá-lo a fazer o cliente entender por que você insiste tanto em fazer um planejamento e em que exatamente esse exercício será útil. Cabe a você, portanto, planejar uma estratégia para provar a seus clientes a importância de planejar sem exageros.

Dá para usar só o lado bom da ansiedade?
Ricardo Corrêa, da Siteina — São Paulo, SP

Ter momentos de forte ansiedade é comum quando se está construindo uma empresa. Uma hora é por causa de um projeto importante, outra hora é porque não está 100% claro que caminho seguir. É difícil encontrar quem não precise enfrentá-la. A notícia boa é que a ansiedade ajuda a executar uma tarefa rapidamente.

O que não pode acontecer é deixar a ansiedade prevalecer — nós é que temos de dominá-la. Costumo ficar meio ansiosa quando não tenho clareza de tudo que preciso fazer nos próximos dias e depois percebo que esqueci totalmente alguma coisa.

Para evitar ficar nervosa com isso, faço listas detalhadas do que entregar a cada dia. Assim, sinto-me no controle e me organizo para fazer tudo. Esse é o meu jeito, mas há quem se sinta pior ao ver o tamanho da lista. Por isso, cada um deve descobrir o que funciona. É um exercício de autoconhecimento.

O que fazer para motivar as pessoas?
Rodrigo Chiavenato, do Mundo Cheff — São Paulo, SP

Motivar é uma arte. Nós, empreendedores, precisamos entender que cada pessoa é única e reage de um jeito diferente numa mesma situação. Para isso, precisamos conhecer bem quem trabalha na empresa. Alguns são movidos a novidades. Outros são mais metódicos. E há os que simplesmente querem estar num ambiente agradável.

No meu caso, nada me motiva mais do que ver meus funcionários crescendo e surpreendendo nos resultados. Você deve ter em mente que as prioridades da vida vão mudando. Um funcionário que acabou de ter o primeiro filho pode ser altamente motivado ao ganhar flexibilidade no horário e trabalhar de casa.

Mas isso pode motivar zero um outro, jovem e solteiro, que está vivendo aquela ambição sadia de querer ganhar bônus se alcançar certas metas. Como conhecer pessoalmente cada um fica mais difícil conforme a empresa cresce, esse é um princípio que deve ser passado para todo mundo que gerencia uma equipe em sua empresa.