O fator crucial que pode te fazer um empreendedor de sucesso

É a capacidade de execução que faz a diferença entre o sonhador e o empreendedor

A diferença crucial entre o empreendedor de sucesso e o que fracassa
Respondido por Juliano Seabra, especialista em empreendedorismo

Empreendedorismo no Brasil virou sinônimo de Sonho Grande desde que o legado empresarial de Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcel Telles foi registrado pela jornalista Cristiane Correa em seu best seller. Mais do que isso, “sonhar grande” virou um mantra: ou você sonha grande, ou está fadado ao fracasso.

Um olhar mais atento para o que acontece na prática nos mostra que, infelizmente, essa não é a realidade do empreendedorismo brasileiro. De acordo com a pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), apenas 10% dos empreendedores brasileiros preveem criar pelo menos cinco empregos em um período de cinco anos.

Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos este número é três vezes maior, no México é o dobro (22%) e na Espanha mergulhada na crise este número é 50% maior.

Sabemos que menos de 1% das empresas brasileiras cresce acima de 20% ao ano por três anos seguidos – são 35.000 negócios em um universo de quase 5 milhões. Estes heróis são responsáveis pela criação de mais de 3 milhões de novos empregos em 3 anos – 60% de tudo o que é criado no país.

Mas se “sonhar grande” está tão em voga no Brasil, porque nossos empreendedores não entregam esse crescimento?

Certa vez ouvi de Jorge Paulo Lemann que as necessidades que envolvem o universo de empreender vão bem além do sonhar. No fundo, o sonho grande mantem o empreendedor e o seu time remando com um objetivo de longo prazo, mas serão os planos e a execução de curto prazo que garantirão que o sonho um dia será atingido.

É a capacidade de execução que faz a diferença entre o sonhador e o empreendedor. Beto Sicupira, no prefácio do livro “Vai que dá”, recém lançado pela Endeavor, resume o espírito da coisa ao sugerir que o empreendedor deve fazer um mapa do caminho e dividi-lo em pedaços – o sonho grande, que energiza, e o business plan de três anos, que é a rota e o orçamento, que ajuda a priorizar o dia de amanhã.

Em contraposição ao sonho grande, ele recomenda que se preserve o espírito de empresa pequena, cuidando dos detalhes do negócio e fazendo as pequenas coisas bem feitas.

Por isso, empreendedores, continuem sonhando grande, sem esperar um milagre – o resultado é construído degrau a degrau e a trajetória do empreendedor se parece mais com uma trilha cheia de percalços do que com um trilho de trem. No fim do dia, sonhar grande sem executar com excelência não vai levar você a lugar nenhum.

Juliano Seabra é diretor geral da Endeavor Brasil.