O bar Underdog foi criticado nas redes – mas não soube lidar

O bar foi criticado por uma piada com crianças, e respondeu subindo o tom. Será que isso é bom para os negócios?

São Paulo – O bar e lanchonete Underdog, em Pinheiros, se viu em meio a uma polêmica essa semana, após ter recebido uma crítica nas redes sociais. O motivo da celeuma foi um post feito pelo estabelecimento em março, em que aparecia uma placa com a frase “Aqui seu cão é bem-vindo!!! Mas crianças favor amarrá-las ao poste”.

A mensagem foi resgatada essa semana por Debora Oliveira, que não gostou do tratamento dispensado às crianças e criticou o estabelecimento pelo Facebook, num post que até agora já teve 236 compartilhamentos.

A resposta do Underdog veio como provocação. “Ativistas, feministas, machistas, mãesistas […] preguem menos e façam mais amor em casa, que pelo visto está escasso”, escreveu o estabelecimento no Instagram, alimentando ainda mais a polêmica.

Ao blog Mães de Peito, os donos do local disseram que recebem crianças diariamente, “mas são crianças de pais inteligentes, que sabem entender que foi uma piada de humor negro”. E completaram: “Quem não entendeu, não nos interessa”.

Mas será que é assim mesmo? EXAME.com conversou com a especialista em marketing digital Mônica Lobenschuss  para entender o que essa atitude gera para o negócio e o que outros empreendedores podem aprender com o caso.

Na avaliação da especialista, a postura do Underdog é equivocada. “Qualquer negócio que achar que vive só com os clientes que tem hoje está fadado ao fracasso, porque isso não existe. É um comportamento totalmente inadequado dizer ‘não quero você como meu cliente’”, afirma a especialista.

Ela explica que os cenários podem mudar, os clientes atuais podem ser atraídos por um concorrente, por exemplo, o que fará com que o negócio precise, sim, daqueles clientes de que desdenhou no passado.

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Crítica como aliada

Para Lobenschuss, o empreendedor deveria ver a pessoa que criticou a empresa como uma aliada. “Talvez eles já tivessem perdido clientes por conta daquela placa, mas nem ficaram sabendo. Então a pessoa que criticou na verdade está ajudando o estabelecimento. Uma abordagem interessante seria agradecer  e convidar a cliente para dar sugestões de como tornar o ambiente convidativo para famílias com crianças”, sugere.

A especialista chama a atenção ainda para a importância que as empresas dão aos posts feitos nas redes sociais. “Tudo o que você coloca na rede é como se tivesse escrito sobre pedra. Por mais que você apague, pode ter certeza que alguém já deu um print e registrou aquilo. Por isso tem que ter muito cuidado com tudo o que posta.”

Uma dica é focar as postagens do negócio em assuntos que interessem ao seu público. “Se você tem uma lanchonete, a rede social é um espaço para falar sobre gastronomia, bem-estar, e não para fazer piada sobre crianças”, afirma.

Tem solução?

E no caso em que a postagem infeliz já foi feita, é possível reverter um quadro negativo para a marca? A especialista garante que sim. “O indicado seria a marca dizer que era uma brincadeira, pedir desculpas, assumir o erro e buscar ações que mostrem um posicionamento positivo. Poderia fechar a lanchonete num domingo só para famílias com crianças, por exemplo”.

A forma como o empreendedimento respondeu às críticas, portanto, não é nem um pouco positiva, avalia a especialista. “Eles disseram que era uma brincadeira, mas depois fizeram essa postagem provocando. Isso dá a impressão de que na verdade concordam sim com aquele posicionamento inicial. Com isso, correm o risco de perder clientes, sim”.

EXAME.com não conseguiu contato com o Underdog até a publicação desta reportagem. Assim que houver um posicionamento da empresa, este texto será atualizado.

Veja abaixo o post com as críticas ao estabelecimento.

Comentários

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  1. Rabinson Grings

    Eu não tenho filhos e nem pretendo ter, mas possuo um Akita (cachorrinho). Se eu residisse perto desse bar, com certeza, eu seria cliente.