Neon anuncia parceria com Banco Votorantim

O negócio correu atrás de um novo banco parceiro após ter a liquidação extrajudicial do Banco Neon decretada

São Paulo – A Neon Pagamentos seguiu à risca o mandamento fundamental das startups: errar rápido, e consertar mais rápido ainda. O negócio correu atrás de um novo banco parceiro após ter a liquidação extrajudicial do Banco Neon decretada. O escolhido foi o Banco Votorantim.

Com o anúncio de “parceria estratégica”, o banco assume os serviços de custódia e movimentação das contas de pagamento oferecidas pela Neon Pagamentos. Os dois afirmam trabalhar para o restabelecimento integral das atividades “o mais rápido possível”. A startup afirmou a EXAME que as contas devem voltar a operar ainda nesta semana.

Até o momento, o dinheiro dos usuários do Neon só pode ser retirado por meio de saques em agências físicas e operações com cartões de débito. A Neon Pagamentos terá de se virar para operacionalizar a transferência do total de valores contidos nas contas digitais em 7 a 10 dias, de acordo com determinações do Banco Central.

Pedro Conrade, CEO da startup, afirma em comunicado que o Banco Votorantim é “uma instituição sólida, ágil e em plena transformação digital”. O Votorantim se considera o sexto maior banco privado brasileiro em ativos, tendo como acionistas o Banco do Brasil e o Grupo Votorantim.

Histórico

Do dia para a noite, a situação do Neon virou de cabeça para baixo. Uma de suas empresas, a fintech Neon Pagamentos S.A., anunciou um dos maiores aportes série A já recebidos na história das fintechs, de 72 milhões de reais. Enquanto isso, a empresa Banco Neon S.A. teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central na manhã de sexta-feira passada (4).

De acordo com comunicado da autarquia financeira, publicado no antigo site do banco, a liquidação foi decretada “considerando as graves violações às normas legais e regulamentares que disciplinam a atividade da instituição financeira, bem como o comprometimento da situação econômico-financeira”.

A assessoria do Banco Central detalhou a EXAME que alguns dos problemas enxergados no Banco Neon foram um “patrimônio líquido negativo” e “a deficiência de controle e monitoramento para prevenir a lavagem de dinheiro”.

A assessoria do Neon ressaltou que a instituição é feita de duas empresas com operações separadas desde sua fundação, em 2016: a Neon Pagamentos, responsável pelos serviços de contas digitais e cartões pré-pagos, e o Banco Neon, responsável por serviços de crédito e anteriormente chamado de Banco Pottencial.

O Neon possui 600 mil usuários com suas contas de pagamentos e uma equipe de 190 funcionários.