Negócio te ajuda a pagar até 30% menos em remédios e cosméticos

Os empreendedores Ângelo Alves e Cezar Machado criaram um comparador online de drogarias – e já faturam mais de R$ 2 milhões com a ideia.

São Paulo – A crise econômica costuma afetar o orçamento pessoal como um todo. Porém, há áreas que pesam mais do que outras: são os gastos inelásticos, como é o caso dos que envolvem a saúde, por exemplo.

Deixar de comprar um medicamento não costuma ser uma opção.Por isso, é preciso pesquisar seu preço em diferentes locais para sair com a melhor oferta. Um remédio comum, como o paracetamol, pode ter uma diferença de custo de até 3.868% em uma cidade como Curitiba, no Paraná.

Os sócios Ângelo Alves e Cezar Machado analisaram quão difícil é essa tarefa de comparação e decidiram criar uma plataforma que mostra os valores de mais de 250 mil produtos em 40 redes de drogarias.

A ideia de negócio, chamado Cliquefarma, parece ter dado certo: nos últimos doze meses, o negócio faturou R$ 2,4 milhões de reais. E, para o próximo ano, os empreendedores preveem um número maior.

Primeiros passos e parcerias

A ideia para o empreendimento veio quando Alves queria comprar um remédio para pressão alta – e acabou vendo grandes variações no preço do medicamente. “Saí procurando em diversas drogarias e fiquei pensando em como faltava um local para pesquisar preços de forma mais ágil”, conta o empreendedor.

Alves e Machado eram sócios em uma empresa de software e decidiram criar um site que agrupasse os preços de vários remédios e que permitisse consultas com apenas um clique. “Pegamos uma necessidade que tínhamos como consumidores e juntamos com nossa experiência na parte de desenvolvimento”, resume Machado.

O Cliquefarma foi inaugurado em 2010 – e os empreendedores encontraram dificuldades na hora de convencer as drogarias a participarem da plataforma. “Houve muita resistência. Naquele ano, havia muitas farmácias que nem queriam saber de comércio eletrônico”, explica Machado.

A solução encontrada pelos sócios foi mostrar o tráfego que o Cliquefarma poderia gerar às redes de drogarias – o que poderia resultar em mais vendas. “Acabamos criando a necessidade nelas, mostrando como poderíamos gerar visitas adicionais aos negócios.”

Hoje, há mais de 40 redes dentro do Cliquefarma. Segundo Alves, a perspectiva de maior competição não afastou as farmácias. “Elas não perdem em todos os produtos. Há linhas com preços maiores e menores, de acordo com as negociações que as drogarias fazem e com o estoque que possuem”, afirma o empreendedor. “Além disso, a decisão de compra do usuário nem sempre é apenas pelo preço: pode ser também por localização e por meios de pagamento disponíveis, por exemplo.”

Cezar Machado e Ângelo Alves, do Cliquefarma Cezar Machado e Ângelo Alves, do Cliquefarma: eles começaram o negócio a partir de uma experiência pessoal

Cezar Machado e Ângelo Alves, do Cliquefarma: eles começaram o negócio a partir de uma experiência pessoal (Cliquefarma/Divulgação)

Como funciona?

O Cliquefarma pode ser acessado tanto de um desktop quanto do celular, por meio de um site responsivo.

Ao todo, o Cliquefarma possui mais de 250 mil produtos. É possível encontrar itens com variação de preço de até 623% – o mesmo medicamento pode custar entre 2,70 reais e 16,84 reais.

Vale lembrar que esses valores sempre se atualizam: a média de variação costuma ficar em torno de 30%. Ainda segundo o sócio, há muitos usuários que compram remédios de outros estados – o custo, mesmo com frete e dias de espera, acaba valendo mais a pena do que o de uma drogaria local.

A monetização do negócio se faz por meio de um sistema de “custo por clique”: quando o usuário é redirecionado do Cliquefarma para o site de uma das drogarias participantes, a farmácia paga uma taxa pelo clique. O valor mínimo que deve ser pago ao Cliquefarma é de 30 centavos, variando de acordo com o produto ofertado.

“A gente não faz a venda diretamente pela plataforma, porque por regulamentação apenas uma drogaria pode fazê-lo. Nós só mostramos o melhor preço e o redirecionamos para a farmácia correspondente. Enquanto o consumidor economiza, o negócio ganha mais um canal de venda”, explica Alves.

A maioria dos consumidores são mulheres de classe B e C, o que pode ser explicado pelo fato de que as drogarias oferecem não apenas medicamentos, mas também produtos de higiene, dermocosméticos e maquiagem. O produto mais procurado em outubro, por exemplo, foi o creme para gestantes Bepantol Mamy.

“Medicamentos continuam sendo o mais procurado, mas em termos de ticket médio os cosméticos são mais importantes”, ressalta Alves. O valor médio de compra no Cliquefarma é de 88 reais.

Planos

A ideia do Cliquefarma vai muito de acordo com os tempos de crise econômica, que pedem maior contenção de gastos. Mesmo com uma perspectiva de melhora nos indicadores econômicos, a meta do site é faturar nos próximos doze meses 38% a mais do que nos últimos doze meses – de outubro de 2015 a outubro de 2016, a plataforma teve um faturamento de 2,4 milhões de reais.

No curto prazo, o negócio está se preparando para uma Black Friday de farmácias. “Esse evento serve não apenas para eletrodomésticos ou eletroeletrônicos, mas para todo o comércio eletrônico. Tivemos um aumento de 100% nas vendas dos nossos parceiros na Black Friday do ano passado. Para este ano, esperamos isso ou mais”, diz Alves.

O site também está desenvolvendo novas ferramentas: por exemplo, o usuário poderá comparar não só um produto, mas uma lista com vários medicamentos; poderá também salvar listas para compra futura; e poderá receber alertas do preço de um determinado medicamento. “Começaremos a trabalhar muito melhor nossa base, oferecendo serviços para facilitar a vida do usuário”, resume Machado.

Além disso, o Cliquefarma pretende lançar um aplicativo no segundo semestre de 2017, para reproduzir a experiência do site de uma forma mais acessível.

Por fim, o empreendimento quer elaborar uma espécie de “clube de descontos”. Os usuários poderão se cadastrar no site e colocar seus interesses em termos de produtos. Ao mesmo tempo, o Cliquefarma se aproximará das redes, mostrará os dados de demanda e irá negociar um desconto do produto.

“Recebemos três milhões de visualizações de página por mês. Com toda essa base, conseguimos trabalhar muito com os produtos que os usuários mais têm buscado. Podemos nos aproximar das drogarias, mostrar esses dados e fazer com que elas comprem uma maior quantidade desses produtos, oferecendo consequentemente um preço menor”, explica Alves.

“Para o usuário, há um serviço gratuito de informação sobre as melhores ofertas das farmácias. Ao mesmo em que ele irá economizar, a rede irá ganhar por conta do volume de vendas”, completa Machado.

Os empreendedores enxergam muito potencial para o negócio, independentemente das flutuações econômicas: para eles, a empresa só tem a ganhar com o envelhecimento de uma população acostumada com a internet. “No futuro, os jovens de hoje é que comprarão mais medicamentos, e eles estarão mais acostumados com compras em e-commerce. Vemos um potencial de crescimento muito grande com o envelhecimento dessa população mais familiarizada com a internet”, conclui Alves.