Marca leva tucupi e jambú da Amazônia a mercados e restaurantes como DOM

Um dos produtos mais conhecidos é o molho de tucupi extraído da raiz da mandioca brava e visto como o “shoyu do século 21”

Alter do Chão (PA) De um restaurante em Belém do Pará, que já serviu o Papa João Paulo II, o Imperador Akihito, do Japão e diversas personalidades brasileiras, saem produtos nativos da Amazônia para serem vendidos em centenas de pontos de venda em todo o Brasil.

O restaurante Lá em Casa existe há 47 anos e é gerenciado pela terceira geração da família, sempre com foco em pratos paraenses, como iscas de piparucu, tacacá, caranguejo refogado e vatapá paraense. É um dos restaurantes mais conhecidos de comida brasileira e amazônica no Brasil. 

A partir dos últimos cinco anos, esses sabores podem ser encontrados fora de Belém, em 250 pontos de venda e 21 estados. Enquanto a chef Daniela Martins comanda a operação do restaurante, sua irmã Joanna Martins criou uma nova divisão, a Manioca, que fabrica 21 itens diferentes, entre geleias, temperos e matinais, ao lado do sócio Paulo Reis.

Um dos produtos mais conhecidos é o molho de tucupi preto extraído da raiz da mandioca brava. Com sua cor preta e sabor marcante, Joanna vê o ingrediente como o “shoyu do século 21”. Todos os produtos são 100% naturais, sem aditivos ou conservantes. 

Em 2018, a empresa comercializou 33 toneladas de alimentos e vendeu 20 mil potes de geleia. A empresa espera atingir um faturamento de 1 milhão de reais em 2019 e de 1,7 milhão de reais em 2020.

Fabricação

Inicialmente, Joanna fazia a curadoria desses produtos, como jambu, tucupi e farinha de mandioca para a venda de varejistas e restaurantes como DOM, Dalva e Dito, Maní e outros.

De acordo com ela, a ideia para a divisão industrial veio do varejo, que também queria comercializar esses itens. 

Ainda que esses sabores chamem a atenção dos consumidores, são desconhecidos. Por isso, um dos grandes investimentos da Manioca é o de marketing e de degustação, para apresentar os sabores, ingredientes e combinações possíveis para consumidores de outras regiões brasileiras.

A empresa construiu, ao lado do restaurante, uma fábrica de alimentos que emprega 14 pessoas. A escolha de sediar a fabricação em Belém é intencional. Como as embalagens vêm de São Paulo, o transporte desses materiais para a região Norte sai mais caro do que se a fábrica já fosse no Sudeste. Porém a empresária optou por desenvolver empregos, parceiros de logística, gráfica e outras empresas na cidade.

Aceleração

A empresa foi acelerada em 2018 pelo programa Parceria Pela Amazônia (PPA) e neste ano, a companhia chegou ao lucro pela primeira vez. Hoje, está captando a segunda rodada de investimentos com apoio do mesmo fundo.

Os investimentos impulsionam o lançamento de novas linhas e produtos. Há oito novos itens em desenvolvimento que deverão ser apresentados em breve. Joanna diz que busca investidores que entendam o propósito de seu negócio, de desenvolver a cultura amazônica, ao invés de buscar apenas resultados e lucro.