Magnetis, de robôs de investimento, terá previdência privada para crescer

Fintech terá plano de previdência regido por algoritmos. Expectativa é representar entre 20 e 25% da carteira dos investidores na Magnetis

Depois de atacar o mercado de investimentos de curto e médio prazo, as fintechs estão de olho no mercado de 873 bilhões de reais da previdência privada. Acompanhando o crescimento desse investimento para a aposentadoria e buscando vencer os grandes bancos correndo para melhorar suas ofertas, a Magnetis lançará uma previdência privada administrada por robôs de investimento.

A fintech tem hoje 300 milhões de reais em ativos gerenciados. A previdência privada, chamada de MagPrev, será lançada no próximo mês. Está com uma lista de espera, hoje em 500 usuários. Segundo o fundador da Magnetis, Luciano Tavares, os investimentos para aposentadoria costumam representar de 20 a 25% da carteira dos investidores.

Até o final do ano, a fintech estima ter mais 400 milhões de reais sob sua gestão — cerca de 100 milhões de reais estarão alocados em previdência privada. Nos próximos 12 meses, o plano da Magnetis é atingir um bilhão de reais administrados. Uma boa parte será devida à MagPrev, incluindo a portabilidade de outros fundos de previdência privada para o novo produto financeiro.

Dos primeiros investimentos à previdência privada

Criada em 2015, a Magnetis monta carteiras administradas por robôs de investimento (os robo advisors). O primeiro passo para usar a Magnetis é responder algumas perguntas que ajudam a traçar o perfil de risco e o objetivo financeiro do cliente – pagar um carro, acumular patrimônio ou guardar dinheiro para a aposentadoria, por exemplo. Essa é uma exigência comum a todas as plataformas de investimento. 

Munidos de tais informações, os robôs da startup começam a operar e o algoritmo sugere os investimentos mais adequados. O usuário terá uma carteira adaptada a cinco níveis de risco (quanto maior o número, maior o risco). 

Os clientes pagam uma única taxa anual de administração, baseada no valor total investido. Não há recebimento de comissões para indicação de produtos financeiros específicos. A taxa anual média da Magnetis é de 0,59% ao ano, incluindo o valor pago para a plataforma para fazer os investimentos, a corretora Easynvest. A Magnetis atua como gestora, usando seu robô para escolher onde investir e rebalancear a carteira. Não estão inclusos os impostos. Cada uma das aplicações possui tributação específica.

A entrada na previdência privada, chamada de MagPrev, surgiu de pedidos dos próprios clientes, segundo o fundador Luciano Tavares. “Muitos mencionam aposentadoria e renda passiva como objetivos ao investir. Então, desenhamos um produto financeiro de previdência privada que atendesse tais desejos.”

Luciano tavares, fundador da Magnetis Luciano Tavares, fundador da Magnetis

Luciano Tavares, fundador da Magnetis (Magnetis/Divulgação)

A previdência privada, assim como outros produtos financeiros da Magnetis, será um “fundo de fundos”. O algoritmo desenvolvido pela fintech se encarrega de escolher e comprar cotas de fundos, usando o dinheiro de todos os compradores para acessar investimentos mais sofisticados. Serão ao menos 10 ativos selecionados na carteira da MagPrev. Os clientes pagam uma única taxa anual de administração, baseada no valor total investido.

No caso da previdência privada, a aplicação inicial mínima é de 1 mil reais e a taxa de administração será de 0,6% ao ano — segundo o fundador da Magnetis, a taxa é cinco vezes menos do que o visto em instituições financeiras tradicionais e a plataforma foi desenhada para ser indicar a escolha das melhores variáveis para quantidade investida e prazo de retirada.

“Previdência possui várias variáveis, como modelos PGBL e VGBL e tributação progressiva e regressiva. Diversas pessoas escolhem as opções inadequadas e desvantajosas para seu perfil porque o gerente não fez as perguntas corretas”, diz Tavares.

Os fundos escolhidos serão da plataforma da Icatu Seguros, sejam eles da própria Icatu ou não. A Magnetis terá por enquanto apenas um perfil de risco moderado para a previdência privada, mas projeta lançar novos produtos que serão mais conservados e mais agressivos. 

A startup não promete rentabilidade futura, mas aponta que diversos fundos de previdência em instituições tradicionais rendem abaixo do taxa CDI.

Concorrência e desafios para os robôs

Startups que usam robo advisors, como a Magnetis, fazem parte de uma tendência de automação crescente no setor de serviços.

Nos Estados Unidos, fintechs que desenvolvem algoritmos que escolhem os melhores investimentos começaram há mais de uma década e haviam arrecadado quase dois bilhões de dólares em investimentos até 2017, ano em que começaram seu amadurecimento.

Uma das pioneiras é a americana Betterment, criada em 2008 e com 275 milhões de dólares em aportes. No último ano, chegou a 15 bilhões de dólares gerenciados para mais de 400 mil investidores.

Alguns concorrentes brasileiros que a Magnetis enfrenta hoje são Monetus, Vérios e Warren, para citar apenas os mais conhecidos. Todas essas startups financeiras enfrentam o desafio de desconhecimento sobre como algoritmos de investimento funcionam.

Segundo pesquisa da gestora Legg Mason, mais da metade (52%) dos investidores brasileiros pretende aplicar via robôs nos próximos cinco anos. O interesse dos brasileiros em delegar carteiras a algoritmos ficou bem acima da média global, de 37%. No entanto, só 23% estão bem familiarizados com o conceito – e um terço não faz ideia de como operam os robôs. 

Agora, a Magnetis aposta na previdência privada para continuar atraindo e conquistando um número cada vez maior de investidores brasileiros.