Liv Up, que leva tecnologia às marmitas saudáveis, recebe R$ 90 milhões

Com investimento, startup ampliará cardápio, formas de chegar ao consumidor e tecnologia envolvida em produção, pedido e entrega dos pratos

As marmitas simplificam a vida de muitos que moram em grandes centros urbanos. E podem ser um negócio com 100 milhões de reais captados com investidores — desde que tenham estratégia e tecnologia. A paulista Liv Up, startup de comida prática e saudável por meio de um modelo direto ao consumidor e tecnologias como o ultracongelamento, que o diga.

O negócio recebeu um aporte de 90 milhões de reais liderado pelo fundo de investimento americano ThornTree Capital Partners (investidor em Tencent, PayPal, Magazine Luiza e Banco Inter), com a participação dos fundos Endeavor Catalyst (Cabify, Creditas, Dr. Consulta, Guia Bolso, Méliuz, Rappi), KaszeK (Creditas, Quinto Andar, Loggi e Nubank) e Spectra.

A startup já tinha captado uma rodada série A de 8 milhões de reais, obtido um investimento anjo de 525 mil reais e coletado 975 mil reais com sócios e com amigos e familiares. O total de investimentos na empresa chega a 100 milhões de reais.

Com o aporte, a Liv Up pretende expandir em diversas frentes: ampliará o cardápio, as formas de chegar ao consumidor e a tecnologia envolvida na produção, pedido e entrega dos pratos.

Marmita tecnológica, saudável e direto ao consumidor

Victor Santos trabalhava no mercado financeiro e queria uma alimentação prática, mas ainda assim saudável. O empreendedor e o colega de faculdade Henrique Castellani lançaram a Liv Up em março de 2016.

O negócio se inspirou em negócios americanos como Hello Fresh e Freshly, que vendem refeições para as pessoas cozinharem em casa e comida congelada, respectivamente. A proposta da Liv Up é vender a comida que o consumidor cozinharia em casa, se tivesse tempo.

Um dos diferenciais da startup é usar a técnica de conservação mais eficiente para entregar cada tipo de alimento. No caso das marmitas, é o ultracongelamento. Enquanto as comidas congeladas normalmente ficam a uma temperatura de – 20 ºC, no ultracongelamento essa temperatura é de – 40 ºC.

“O congelamento tradicional, no freezer, é muito danoso para o sabor e o valor nutricional do alimento. A troca de calor também é muito mais veloz. Não são formadas macromoléculas de água no ultracongelamento e a estrutura celular do alimento mantêm-se intacta. Seu sabor e sua textura ficam mais agradáveis”, explicou anteriormente Santos a EXAME. As comidas ultracongeladas duram até seis meses no freezer.

O usuário acessa o site e encontra combos, que são refeições e snacks pré-montados, ou porções individuais, com as quais ele pode montar sua própria combinação. Os preços dos pratos costumam variar entre 17 e 28 reais, sendo que o ticket médio dos clientes da Liv Up vai de 200 a 220 reais. O pedido pode ser agendado para entrega no mesmo dia ou para outra data.

Pelas parcerias com pequenos produtores rurais, a Liv Up usa apenas ingredientes naturais e prioritariamente orgânicos em suas receitas. Hoje, há mais de 20 famílias parceiras e 30 toneladas de ingredientes orgânicos são usadas por mês. O prato best-seller é o frango com crosta de castanha de caju, além de doces como brownie e petit gateau sem açúcar.

Prato do negócio Liv Up, de comida ultracongelada

Segundo Santos, os produtos da Liv Up foram também transformados em serviço. A estratégia não é apenas oferecer a compra dos pratos de forma completamente online, mas conversar diretamente com os consumidores por meio do aplicativo ou site próprio.

“O modelo gera um fluxo de informações intenso entre empresa e cliente. Colocamos o consumidor no centro do processo de criação, enxergamos oportunidades de expansão a partir do feedback dele”, diz Santos. Esse tipo de negócio é chamado direct to consumer, ou D2C. Exemplos lá fora são as marcas Casper (colchões) e Warby Parker (óculos). Por aqui, temos empreendimentos de moda como Amaro, Beatnik and Sons e Livo Eyewear.

 

Investimento e expansão

A Liv Up começou pequena, com uma cozinha de 50 m² no bairro de Vila Madalena, em São Paulo. A capacidade de produção era de 45.000 refeições por mês. De lá para cá, a startup se mudou a uma cozinha de 8.000 m² e entrega 250.000 refeições por mês, sem contar categorias como doces e snacks. O negócio atende 30 cidades, como Brasília, Porto Alegre e São Paulo.

A empresa usará parte dos recursos para atender os pedidos dos clientes, seguindo sua estratégia D2C. O primeiro deles é levar o portfólio de produtos a categorias como bebidas, saladas e opções para o público infantil. “Diversos pais consomem nossos produtos e contam como é difícil fazer a papinha para bebê ou preparar a lancheira para o filho”, afirma o cofundador.

A startup também expandirá os tipos de consumidores atendidos. O negócio já tem pontos de venda corporativos, dentro de escritórios comerciais, e entrará no mercado de delivery. As refeições serão preparadas em uma cozinha fechada (modelo conhecido como cloud kitchen) e entregues aos consumidores para consumo imediato.

O maior atendimento também acontecerá em termos geográficos. Até o final deste ano, a Liv Up pretende chegar ao Nordeste e atender os consumidores de Fortaleza, Recife e Salvador. Florianópolis e Vitória, no Sul e no Sudeste, também estão nos planos de 2019.

Para suportar esse crescimento acelerado, a Liv Up seguirá expandindo suas parcerias diretas com pequenos produtores rurais, de quem compra as matérias primas orgânicas. Também tem mais de 100 vagas abertas em áreas como tecnologia, dados, marketing, nutrição e gastronomia. Hoje, são 350 funcionários no escritório baseado em São Paulo. “Começamos este ano com 180 membros. Isso mostra nosso ritmo acelerado de crescimento e adesão à nossa proposta”, diz Santos. Até as marmitas, quem diria, podem ganhar um toque de tecnologia.