John Oliver mostra por que fugir dos esquemas de pirâmide

O apresentador do programa “Last Week Tonight” falou sobre quais problemas você pode ter se aderir a um negócio de marketing multinível ilegal.

São Paulo – Um conhecido ou conhecida o convida a participar de um evento misterioso. Nele, você vê uma superprodução, histórias inacreditáveis de sucesso e a promessa de ganhar muito dinheiro rápido e com pouco esforço: basta ser o revendedor da marca anunciada.

Se isso já aconteceu com você, há grandes chances de que você tenha conhecido um esquema de marketing multinível ilegal – também conhecido como “pirâmide financeira”. Nesta semana, o apresentador John Oliver, do americano “Last Week Tonight”, fez um programa falando sobre esse tipo de negócio.

“As empresas de marketing multinível podem se apresentar como uma grande oportunidade, mas sua chance de sucesso é remota”, resume o apresentador.

Marketing multinível x pirâmide

Segundo John Oliver, duas características definem uma empresa de marketing multinível: elas não disponibilizam seus produtos em lojas, e sim por meio de revendedores; e esses revendedores sempre procuram novos revendedores, por meio de um discurso atraente.

Os revendedores conseguem dinheiro de duas formas: ou vendendo seus próprios produtos ou cooptando novos revendedores, recebendo uma porcentagem das futuras vendas deles.

A grande diferença de uma empresa legal de marketing multinível e uma pirâmide está justamente nessa forma de remuneração: em negócios legítimos, a renda vem da comercialização de produtos para pessoas que estão fora da companhia.

Mas, se os lucros são obtidos vendendo produtos para quem está na própria companhia, a empresa pode ser uma pirâmide: por exemplo, quando ela incentiva o novo participante a comprar grandes lotes do produto para operar (e remunerar quem o indicou).

Quanto maior a quantidade de produtos comprados de uma vez só, o revendedor recebe prêmios e descontos no preço unitário. É comum que as pessoas acabem comprando produtos em lote e não consigam vender depois, deixando-os estocados na garagem. Algumas empresas dizem oferecer reembolsos para tais “casos incomuns”, mas podem praticar taxas de desconto enormes ou exigir a saída do revendedor do negócio. O resultado é a falência total.

Além disso, outra característica das pirâmides é basear a remuneração dos revendedores não pelos produtos em si, mas pelo número de indicações de novos revendedores – que podem ser parentes e amigos, por exemplo. Forma-se um esquema de pirâmide quando uma pessoa chama três amigos para serem revendedores; cada um desses amigos pode chamar outros três para participar; e assim por diante.

Uma entrevista exibida no “Last Week Tonight” com uma ex-participante de uma pirâmide financeira ressalta que os revendedores só conseguem pagar as contas quando indicam novos participantes: o lucro obtido com a venda de produtos é insuficiente.

Veja também

Empresas

A principal empresa citada por John Oliver é a Herbalife. O negócio chegou a ser investigado este ano pela Comissão Federal do Comércio dos Estados Unidos (FTC, na sigla em inglês).

Havia acusações de que a Herbalife engava seus consumidores, fazendo-os acreditar que poderiam ganhar muito dinheiro vendendo produtos como suplementos nutricionais ou emagrecedores e produtos de cuidado pessoal.

Além disso, a FTC acusou que a estrutura de compensação monetária da Herbalife era injusta, porque remunerava revendedores quando eles recrutassem mais pessoas e comprassem produtos para avançar no programa de marketing da empresa – ou seja, subir para “categorias” mais exclusivas e ganhar prêmios com isso. O correto seria remunerá-los por meio da real demanda pelo produto. Optando por outro modelo, vários distribuidores teriam sido muito prejudicados financeiramente.

No fim, houve um acordo entre a companhia e FTC. A Herbalife concordou em pagar uma multa de 200 milhões de dólares e se comprometeu a ser mais transparente no modelo de negócio.

Segundo John Oliver, a FTC tem dificuldades em perseguir casos de pirâmide. A indústria é grande e opaca, e perseguir denúncias é um processo longo. Nos últimos 40 anos, 25 empresas foram investigadas. Mesmo se as investigações fossem mais assertivas, muitas companhias já possuem operações fora dos Estados Unidos.

Veja, a seguir, a íntegra do discurso de John Oliver sobre marketing multinível (em inglês):

Comentários

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  1. Andre Carvalho

    Então para exemplificar as empresas ilegais ele usa a maior empresa de Marketing Multinivel do Mundo? Com milhoes de clientes (eu disse clientes, não revendedores) em 95 países, com legislações e regras de mercado diferentes desde 1980?

    Entendi, John Oliver… programinha de polêmicas e desserviços aos seus telespectadores. Parabéns pelo desserviço de compartilhar essa “notícia” também, Exame.com!

  2. Daniel Moreira

    E oque tem de tão absurdo em ganhar uma comissão para revender um kit de produtos? ninguém compra com a faca no pescoço, só compra quem quer e entende a proposta das empresas, aqueles que não conseguem revender os produtos é porque não teve capacidade em administrar o seu negócio, em qualquer mercado existem pessoas que investem em empresas e falham, tenho um amigo que investiu 80 mil reais em uma loja de roupas e falhou, tenho colegas que investiram anos em faculdade e não conseguiram emprego, mais de 200 mil em investimentos, conheço empresários enforcados que investiram dezenas de milhares de reais em suas empresas e só sobrevivem pagando impostos, não é só porque uma empresa no seu plano de negócios te mostra uma oportunidade de independência financeira, que quer dizer que é ilegal, em qualquer plano de vendas de franquias é mostrando o potencial de ganhos, e o investimentos é muito maior do que qualquer empresa de Marketing Multinivel, as pessoas tem que enxergar que o Marketing Multinível é um sistema justo que te remunera de acordo com seu esforço, o ganho com a entrada de novos revendedores provem do kit de produtos, não é uma entrada só de dinheiro, existe o valor agregado em produtos que você recupera com a revenda, o risco é zero, entenda mais sobre o mercado fantástico do Marketing Multinivel em http://www.universidademultinivel.com

  3. Claudemar Ribeiro

    Eu li um artigo arrespeito da briga entre a herbalaife e a justiça americana, mas até onde me lembro o problema estava relacionado a maneira que era vendido os produtos: ou seja segundo o entendimento da justiça a Herbalife estava enganado seus cliente ao vender seus produtos como produtos para emagrecimentos, portanto nada a haver com o markiting da empresa. E mais; a justiça reconhece como sistema de piramede todo tipo de markiting que tenha renda sem que haja produtos. Tipo, a telexfria.

  4. Claudio Manoel De Souza Cruz

    Incrível, somente defensores ferrenhos desse “negócio” comentaram.

    Estranho…

  5. Jader Pereira

    Engraçado mesmo estes sistemas de multinivel pode ate funcionar mas para os poucos priveligiados um amigo meu entrou nesta da herbalife e ficou cheio de produto encalhado ele tentou me levar para parecia ele muitos como obreiro da universal so falava nisso.hoje ele desligou disso e nem fala mais sobre esta empresa herbalife fora que tudo la tem que pagar caro um almoço de negocios e de palestra era tudo caro e nada que se fazia la era gratuito.

  6. Ninguém fica rico com MMN. Se for para tirar uma grana extra ainda da para acreditar. Agora toda essa história de ficar milionário, carros e viagens e papo furado. É trabalho duro, que muita vezes não rende nenhum beneficio.

  7. Jose Luiz Pedro

    Exame… que a Herbalife entre outras de “Marketing Multi nivel” são disfarces pra piramides ja sabiamos… mas então por que ano passado fizeram uma materia sobre a Mary Kay praticamente exaltando as maravilhas da empresa? Tá no site da Exame… https://exame.abril.com.br/revista-exame/mary-kay-e-sua-confraria-do-carro-rosa-avancam-no-brasil/

  8. Frederico Zanitti

    A resposta está na própria matéria: “(…) em negócios legítimos, a renda vem da comercialização de produtos para pessoas que estão fora da companhia.(…)”. Assim é a Mary Kay.