Ingo Uytdehaage, CFO da Adyen, explica o sucesso da empresa

A fintech holandesa tem crescido ao longo dos anos e para o diretor financeiro da organização isso não poderia ter acontecido sem a ajuda dos funcionários

Com o objetivo de facilitar os pagamentos online, unificando-os em uma única plataforma, a Adyen, original da Holanda, chegou ao Brasil cinco anos atrás. A fintech atualmente têm 13 escritórios, em lugares como Bélgica, Reino Unido, França, Espanha, Austrália, Suécia, China, Singapura, México e Estados Unidos.

Dentre os clientes da empresa estão Uber, Spotify, Saraiva e até a Netflix – mas a lista é ainda maior. Em 2016, um resultado de 1,4 milhões de dólares de contribuição por funcionário, um resultado inédito, mesmo pertencendo ao mesmo segmento de grandes organizações como a Microsoft, o Facebook e o Google.

Para Ingo Uytdehaage, o CFO global da Adyen, um dos principais motivos para esse crescimento mundial são os próprios empregados – que, ao seguir a cultura da empresa à risca, atingem os resultados esperados.

Como a produtividade dos funcionários afeta os negócios?

Esse é um dos nossos maiores desafios. Estamos crescendo rapidamente – nos últimos dezoito meses adicionamos 300 pessoas, globalmente, para o nosso time. Por isso temos que prezar muito pela cultura da empresa e, para melhorar a produtividade dos colaboradores, precisamos dar a eles a oportunidade de se desenvolver junto com a gente.

E como é a cultura da Adyen?

Ela tem ênfase em liberdade, trabalho em equipe, decisões rápidas, empoderamento e também em resultados a longo prazo. Um time que tem liberdade e visão de futuro consegue ser muito mais produtivo.

Trabalho com pessoas muito inteligentes, mais inteligentes que eu, e isso ajuda a empresa como um todo. Se você precisar de ajuda, pode ligar para qualquer um no escritório e tirar suas dúvidas. O segredo para o nosso sucesso está nessa cultura que permite autonomia de todos.

Qual a importância de dar liberdade para os funcionários?

Com a liberdade, vem a rapidez. Isso ajuda no atendimento dos clientes. Nossos empregados estão preocupados em ouvir as pessoas e darem respostas rápidas, com soluções rápidas – isso cria um senso de dono, que faz com que os colaboradores se sintam ouvidos.

Como a área de RH trabalha para manter os funcionários engajados?

Temos o time de recursos humanos, mas sentimos que é importante deixar o desenvolvimento dos nossos funcionários para eles mesmos. Todos são individualmente responsáveis por suas próprias carreiras, não existe uma figura de babá. Você precisa tomar frente de suas escolhas.

Uma coisa que ajuda os nossos profissionais a ficarem engajados são os feedbacks contínuos e o RH facilita tornando isso mais prático. Existem também os treinamentos, principalmente para ensinar alguns colaboradores a saberem lidar com a diversidade. A empresa dá as ferramentas, mas o colaborador precisa fazer a sua parte.

Existe um plano de carreira definido?

Não. Gostamos de deixar os nossos empregados pensarem individualmente sobre suas carreiras. Se você dá um padrão para eles seguirem, podem se sentir frustrados caso não consigam alcançá-lo.

Qual perfil de profissional vocês buscam durante as contratações?

Nós olhamos cuidadosamente se a pessoa se encaixa na cultura da empresa, se consegue trabalhar em um ambiente como o nosso, se ela sabe lidar com a liberdade que vai ter. Durante as entrevistas, para todas as posições, um dos conselheiros precisa estar presente, então, para contratar alguém, eu penso: “vale a pena viajar dez horas de Amsterdã para o Brasil? Essa pessoa vai ajudar a empresa a crescer? ”.

Quais as expectativas para o mercado brasileiro?

Nós sentimos como se tivéssemos apenas começado. Já estamos aqui há cinco anos, mas entendemos que leva tempo para conhecer um país e para construir um time. Temos cerca de 40 pessoas nesse escritório, uma equipe pequena que está em posição para crescer muito nos próximos anos. Muitas coisas ainda acontecerão.

Existe alguma diferença entre os funcionários brasileiros e os de outros países?

Nós somos uma equipe global, então existem muitas diferenças culturais, mas tentamos focar nos denominadores comuns – como a cultura que tentamos construir na empresa. Todos nossos escritórios são iguais e temos um ambiente que incentiva o trabalho em equipe. Então, estar empoderado é a dica para ter sucesso e, nessa perspectiva, não vejo diferença entre os funcionários de Amsterdã e os funcionários do Brasil.

Se você pudesse definir a Adyen somente com uma palavra, qual seria?

Escutar. Acredito que realmente gostamos de ouvir nossos clientes e funcionários.