Gêmeos cariocas apostam em casas-container para classe C

Inspirada nos famosos trailers norte-americanos, a Casa Legus oferece quarto, sala, cozinha banheiro e varanda a partir de R$ 39.900

Enquanto as construtoras de hoje começam a dar pistas sobre as construções do amanhã, que em grandes cidades tendem cada vez mais privilegiar localização em vez de espaço, uma empresa carioca está tentando popularizar um novo modelo de moradia: uma casa compacta,  transportável e pensada para a classe C.

Criada em 2011 pelos gêmeos Gustavo e Leonardo Gorne, a Legus Containers, empresa que ocupa um galpão de 4 mil metros quadrados no Rio de Janeiro, originalmente nasceu locando e vendendo diversos tipos de construções baseadas em contêineres, como stands e quiosques.

Há cerca de um ano, a companhia que hoje tem 140 clientes, entre eles nomes como Fasano e Petrobras, decidiu direcionar o negócio para pessoas físicas.

A Casa Legus foi inspirada nos famosos trailers populares nos Estados Unidos. A construção modular que pode ser transportada acoplada em um caminhão tem 20 metros quadrados e oferece quarto, banheiro, sala e cozinha conjugadas e varanda a partir de 39.000 reais.

Segundo o empresário Gustavo Gorne, o projeto de cada moradia pode ser individualmente adaptado às necessidades do cliente, com foco na classe C. “A ideia é atender todas as pessoas que sonham em ter uma casa. O cliente pode entrar em nosso site, escolher um modelo de casa e, em até 60 dias, receber um lar”.

(Legus Container/divulgação)
CASA LEGUS: os gêmeos cariocas trouxeram a ideia das casas pré-fabricadas dos EUA.

Segundo Gustavo, o objetivo da casa modular é facilitar a vida do cliente tanto no processo de aquisição quanto na instalação da moradia. Toda a negociação de compra pode ser feita pela internet e a construção é entregue e instalada em qualquer região do país, sendo necessário o comprador possuir um terreno plano disponível.

As casas são feitas dentro de contêineres fabricados pela própria empresa, e por isso, a metragem convencional de 20 metros quadrados pode ser ampliada se for do interesse do cliente. A estrutura é feita com chapas galvanizadas e painel exotérmico coberto com material anti-chamas.

A sustentabilidade, segundo o fundador da marca, também é uma preocupação. Diferente de uma construção de alvenaria, poucos litros de água, por exemplo, são utilizados na fabricação da casa modular, que conta com painéis solares para ser energeticamente auto-suficiente. “Nós temos como objetivo disseminar o conceito de casas inteligentes e sustentáveis que são construídas dentro de uma fábrica”, comenta Gustavo.

Futuro compacto

Embora a aposta dos empreendedores cariocas em casas pré-fabricadas e transportáveis seja um mercado ainda pouco explorado no Brasil 一 diferente dos Estados Unidos, por exemplo 一  a fórmula das construções com pouca metragem já vem sendo exaustivamente utilizada em grandes cidades do mundo nos últimos anos. A tendência, com base nas métricas de hoje, é de um futuro cada vez mais compacto.

Se em outros tempos construções menores eram um nicho dentro do mercado, hoje elas são tendência. Segundo o grupo ZAP imóveis, em 2010, o tamanho médio dos apartamentos lançados no Brasil era de 69 metros quadrados. Hoje, a média é de 55 metros quadrados, e analistas do setor acreditam que a tendência são espaços ainda mais pequenos.

No ano passado, a Vitacon, quarta construtora com mais imóveis lançados em 2019, anunciou um apartamento de apenas 10 metros quadrados em São Paulo. Para o fundador da Casa Legus, que tem o dobro dessa metragem, o futuro das construções compactas, e no caso da empresa, transportáveis, pode sim aliar pouco espaço e conforto.

“O caminho da construção civil está mudando e a tendência são espaços pensados para serem menores e funcionais. A casa Legus tem a vantagem da mobilidade. Se você quiser ficar num campo, na praia, é só mover a casa”.

Depois do lançamento da Casa Legus no ano passado, a legus containers, que possui uma linha com dezenas de produtos do nicho, viu seu faturamento crescer de 1,9 milhões de reais em 2018 para 2,3 milhões de reais em 2019. No médio prazo, a ideia da empresa é focar na construção de casas para pessoas físicas. Este ano, o faturamento previsto é de 3,3 milhões de reais.

O grande desafio da empresa, no entanto, será convencer seus potenciais clientes sobre as vantagens de encomendar em vez de construir, já que em ambos os casos ter um terreno próprio é obrigatório. Em alguns estados dos EUA, país onde os sócios viveram por 5 anos e que foi inspiração para a fundação da Legus Container, bairros inteiros de casas contêineres e trailers são realidade. Por aqui, espaços semelhantes não existem, e se enfrentar a concorrência é difícil, inaugurar um novo nicho é mais difícil ainda.