Fintech de remessas recebe aporte de investidores como Jorge Paulo Lemann

O Pontual Money Transfer recebeu um investimento de 10 a 30 milhões de reais para expandir soluções e atuação geográfica

Um mercado promissor para as startups de serviços financeiros é atuar na complexa transferência de dinheiro entre países — apenas os brasileiros enviaram mais de dois bilhões de dólares em remessas para o exterior no último ano, segundo o Banco Central. Uma fintech brasileira acabou de ganhar um empurrão para que o processo de câmbio e remessa internacional ganhe mais tecnologia. 

O Grupo Pontual Money Transfer, dono do site para enviar e receber dinheiro entre fronteiras Usend, recebeu um aporte estimado entre 10 e 30 milhões de reais de nomes como Jorge Paulo Lemann, sócio do 3G Capital e homem mais rico do Brasil, e o fundo carioca Pier 18 LP (do Volt Partners).

Câmbio e remessas: do físico ao online

Fernando Fayzano chegou aos Estados Unidos há 30 anos, como professor de jiu jitsu e depois como dono de uma empresa de importação e exportação. “Precisava movimentar dinheiro entre Estados Unidos e Brasil e era um processo muito difícil”, afirma.

Enquanto Fayzano consultava como obter licenças para operar câmbio e remessas nos Estados Unidos, os amigos João Jorge Chamlian e Renato Chamlian moravam no Brasil e estreitavam o relacionamento com bancos nacionais.

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Em setembro de 2007, Fayzano obteve a licença de operação no estado da Califórnia e cofundou com João Jorge e Renato uma empresa de câmbios e remessas, chamada Pontual Money Transfer. O imigrante leva dinheiro vivo a um lojista, que coloca as informações no sistema do Pontual Money Transfer para que a remessa seja efetuada em troca de uma comissão. 

Esse sistema físico funciona até hoje, mas surgiu a demanda por um modelo no qual o imigrante não tivesse de se deslocar até um lojista parceiro. Em 2014, o Pontual Money Transfer criou a marca Enviou, Chegou para realizar câmbio e remessas online entre Estados Unidos e Brasil. Três anos depois, esse modelo foi ampliado a diversos países e a marca foi transformada em Usend.

“Nascemos do modelo tradicional e nos transformamos em uma fintech. Em cada país temos recursos específicos, como a coleta de dinheiro a domicílio no México e o pagamento de boletos e recargas no Brasil por um cartão de crédito americano”, afirma Faysano.

Fernando Fayzano, fundador e CEO do Pontual Money Transfer Fernando Fayzano, fundador e CEO do Pontual Money Transfer

Fernando Fayzano, fundador e CEO do Pontual Money Transfer (Pontual Money Transfer/Divulgação)

Em 2018, o Pontual Money Transfer realizou mais de um milhão de transações de 411,3 milhões de dólares no total. No primeiro semestre de 2019, cresceu 56% em transações e 43% em valores transferidos sobre o mesmo período de 2018. O objetivo é chegar a 1,8 milhões de transações de 646 milhões de dólares no total até o final deste ano.

A Usend ainda é uma pequena parte disso, mas cresce a taxas maiores. Em 2018, foram quase 80 mil transações de 29,3 milhões de dólares no total. No primeiro semestre de 2019, as transações aumentaram 120% e os valores totais transferidos aumentaram 113%. Até o fechamento de 2019, a estimativa é chegar a 175 mil transações de 68 milhões de dólares no total.

O investimento de 10 a 30 milhões de reais ajudará a concretizar tais valores. Os recursos serão usados para contratar funcionários, realizar ações de marketing, ter capital de giro para operacionalizar os câmbios e remessas e expandir regiões e formas de atuação. 

O Pontual Money Transfer é licenciado em 40 estados americanos e pretende chegar a todos nos próximos meses. O negócio já atua no Canadá e quer chegar a Austrália, Europa e mais países da América Latina.

Também pretende se posicionar não apenas como um aplicativo de remessa, mas como uma carteira digital (e-wallet) com diversos serviços financeiros. As licenças nos Estados Unidos permitem não apenas enviar fundos, mas retê-los e operar cartões pré-pagos e pagar contas, por exemplo.

O aquecido mercado de câmbio e remessas

O mercado para câmbio e remessa tem diversos participantes além de bancos e corretoras. Um dos principais expoentes de tecnologia para o setor é o PayPal, que permite pagamentos internacionais. A inglesa Transferwise também é outra startup que se tornou gigante. Tem seis milhões de clientes e processa mais de cinco bilhões de dólares em pagamentos mensalmente. A Transferwise também atua como e-wallet e planeja trazer o modelo ao Brasil, trazendo serviços como contas multimoedas e cartões que descontam com o melhor câmbio possível.

Para Fayzano, a Usend tem o atrativo do atendimento em português e serviços específicos ao mercado, como o de pagamento de boletos. Um dos diferenciais do site é cobrar uma taxa fixa de cinco dólares por transferência, modelo mais vantajoso do que o percentual em operações de maior valor. Outro diferencial está no uso blockchain nas operações, por meio de uma parceria com a empresa (e dona de uma criptomoeda própria) Ripple. 

É preciso ter dinheiro para bancar a operacionalização das transações e a tecnologia envolvida, especialmente com uma concorrência crescente. A Pontual Money Transfer mal saiu de uma captação com a participação de Jorge Paulo Lemann e já planeja um novo aporte. A data é começo de 2020.