5 empreendedores que tornam a saúde mais acessível

Conheça cinco empreendedores cujos negócios estão ajudando a vencer o desafio de tornar os serviços de saúde mais acessíveis aos brasileiros

São Paulo – Os indicadores de saúde nas últimas décadas melhoraram no mundo inteiro. Novos diagnósticos, medicamentos e cirurgias ampliaram as opções de tratamento para muitas doenças. O avanço tecnológico ajudou a estender a expectativa de vida — os brasileiros, hoje, vivem em média 73 anos, 11 anos a mais do que em 1980.

Todos esses avanços, no entanto, têm um preço. Mais gente usa os serviços de saúde — e por mais tempo — do que antigamente. A demanda em alta e os gastos com as novas tecnologias elevaram os custos do setor.

No Brasil, a inflação da saúde no ano passado foi quase três vezes maior do que o índice oficial do IBGE. Como bancar exames modernos, remédios mais eficazes e novos hospitais e, ao mesmo tempo, manter os serviços de saúde a um custo acessível à maioria da população, sobretudo para os mais carentes?  

Na próximas páginas, Exame PME conta as histórias dos empreendedores à frente de cinco pequenos e médios negócios que estão crescendo ao fornecer soluções capazes de diminuir os grandes gargalos da saúde pública.

São histórias como a da empresa paulistana Bionexo, que mantém um site em que hospitais podem cotar preços com uma rede­ de 10.000 fornecedores e negociar descontos na compra de insumos médicos, diminuindo os custos.

A AxisMed, também da capital paulista, ajuda pacientes de males crônicos, como diabetes e hipertensão, a levar uma vida saudável para evitar o agravamento de sua saúde — o que pode levar a internações e ao encarecimento do tratamento. 

A Vidalink, de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo, criou um sistema para que farmácias de todo o país possam distribuir gratuitamente ou vender medicamentos com descontos subsidiados pelo governo. De Bauru, no interior paulista, a rede de clínicas odontológicas TopDent está ensinando crianças a escovar corretamente os dentes. 


Essas consultas preventivas, a preços populares, diminuem o risco de surgir cáries — cujas consequências podem acompanhá-las pela vida inteira. A mineira ToLife desenvolveu uma maquininha que acelera a triagem em prontos-socorros e pode encurtar o tempo de espera dos pacientes até a consulta médica — o que diminui custos.

Esta é a segunda reportagem de uma série de Exame PME sobre como pequenos e médios negócios são necessários para mover o Brasil e resolver os grandes problemas do país.

Telefonemas para evitar internações

Faz cinco décadas que a aposentada Tereza Vieira Lins, de 76 anos, deixou Feira Grande, no interior de Alagoas, para tentar a vida em São Paulo. Na capital paulista, ela mudou de emprego várias vezes — foi costureira, corretora de imóveis e se aposentou em 1989 como telefonista da antiga Telesp.

Tereza ainda está habituada à culinária da infância. “Gosto de baião de dois, carne de sol e buchada”, diz. Os pratos, ricos em sal, colaboraram para que Tereza tivesse de ir ao hospital mais de dez vezes com crises de hipertensão. “Os médicos me disseram que eu morreria se não mudasse meus hábitos.” 

A última internação aconteceu há sete anos. Na época, o plano de saúde de Tereza firmara um contrato com a AxisMed, empresa paulistana especializada no atendimento de pacientes com doenças que demandam cuidados constantes, como a hipertensão de Tereza.

Pelo menos uma vez por mês ela recebe um telefonema de um enfermeiro da AxisMed, que conhece seu histórico de consultas e internações. Ele pergunta se Tereza está tomando corretamente os remédios prescritos, seguindo a dieta recomendada pelo médico e sentindo-se bem melhor.

“O apoio que recebo nesses telefonemas me motivou a levar uma vida mais saudável”, diz ela. “Diminuí a quantidade de sal nos meus pratos, passei a comer alimentos integrais e até me matriculei numa academia para fazer hidroginástica.”


Para o país, é importante que pacientes com problemas de saúde crônicos como Tereza sigam o tratamento corretamente. “Isso pode reduzir o risco de eles irem parar no hospital e aumentar os custos de quem paga as contas médicas, seja o governo, seja as empresas”, diz o médico Francisco Balestrin, presidente da Associação Nacional de Hospitais Privados.

“O tratamento de um paciente crônico internado custa, em média, cinco vezes mais do que em casa.” A incidência das doenças crônicas tem crescido no Brasil. Segundo dados de 2011 do IBGE, em cinco anos a proporção de hipertensos e diabéticos na população brasileira aumentou 5%.

“Cada vez mais gestores de saúde estão preocupados em ajudar esses pacientes a cuidar de si próprios para que os custos do setor não subam tanto”, afirma Balestrin. 

A AxisMed foi fundada em 2002 com base numa ideia do consultor de empresas Fábio de Souza Abreu, de 50 anos. Na época, Abreu percebeu que o envelhecimento da população brasileira e as leis que ampliaram a cobertura dos planos de saúde privados aumentariam a demanda por exames e internações.

“Esses fatores elevam os custos médicos e dificultam o acesso a serviços de qualidade”, diz Abreu. “Achei que empresas dedicadas a trabalhos de prevenção teriam lugar no mercado.”

O trabalho de Abreu começa com o levantamento de exames e consultas feitos nos últimos três anos pelos funcionários de empresas ou beneficiados de planos de saúde clientes da AxisMed. Uma análise revela as doenças mais frequentes. Com base nisso, os pacientes que foram internados mais vezes podem ser acompanhados por telefone.

Atualmente, a AxisMed monitora 50.000 pessoas. Elas recebem ligações periódicas dos atendentes da empresa, que podem recomendar a ida dos monitorados ao médico ou tirar dúvidas sobre os tratamentos prescritos. 

A inspiração para esse tipo de atendimento veio dos Estados Unidos, onde o índice de doentes crônicos é superior ao do Brasil. “Lá é comum que planos de saúde e companhias que dão benefícios médicos aos funcionários contratem empresas para acompanhar a saúde de quem usa os serviços”, diz Abreu.

Entre os clientes da AxisMed estão grandes empresas, como Votorantim e CSN, além de planos de saúde como SulAmérica e Unimed e fundos de pensão como o Sistel, formado por funcionários de companhias telefônicas que compunham o sistema Telebras — é esse o fundo que paga as despesas médicas da aposentada Tereza. 


Além dela, outros 3.500 beneficiários do Sistel recebem o acompanhamento telefônico. “Por causa do programa, o número de internações caiu 70% em relação aos níveis anteriores ao acompanhamento”, afirma Adriana Meirelles Salomão, diretora de seguridade do Sistel. 

Uma das maneiras de remunerar os serviços da AxisMed é por resultados — as receitas por paciente aumentam conforme os custos dos clientes monitorados por telefone também caem. No ano passado, a empresa faturou 35 milhões de reais — um crescimento de 10% em relação a 2011.

A expansão da AxisMed chamou a atenção da Telefônica Digital, braço da Telefônica para desenvolver novos negócios – entre eles, a prestação de serviços de medicina a distância. No começo do ano, a Telefônica adquiriu metade das ações da empresa. 

Economia nas compras do hospital

Nos 13 anos em que trabalhou como gerente numa multinacional de medicamentos, o engenheiro Mauricio de Lázzari Barbosa, de 52 anos, nunca se conformou com as variações dos preços de remédios e equipamentos adquiridos por hospitais e clínicas médicas no Brasil.

“Havia variações de até 60% num mesmo item vendido pelo mesmo fornecedor”, diz Barbosa. Em 2000, ele trocou o emprego pela Bionexo, empresa de São Paulo que administra um site de comparação de preços de insumos médicos.

“Na época, não havia uma ferramenta como essa no mercado”, afirma Barbosa, que se tornou sócio da empresa dois anos mais tarde. Pelo portal da Bionexo, o departamento de compras de hospitais, clínicas e secretarias de saúde pode cotar preços de remédios, equipamentos médicos e até de alimentos servidos aos pacientes com mais de 10.000 fornecedores. 


O site permite que as instituições de saúde se consorciem para fazer compras em grande volume e, assim, conseguir mais descontos. A remuneração da Bionexo vem do pagamento de assinaturas para ter acesso ao sistema.

Comprar com inteligência é vital no setor. De acordo com dados da consultoria AON Hewitt, os preços de insumos médicos, como remédios e equipamentos hospitalares, aumentaram cerca de 14% no Brasil no ano passado — quase o triplo da inflação medida pelo IBGE no período.

Uma das razões é o avanço tecnológico, que faz com que hospitais e clínicas invistam em novos remédios e equipamentos. Mas, ao contrário do que acontece em outros setores, nem sempre uma nova tecnologia substitui a antiga num hospital ou num laboratório.

“Dependendo da situação, os médicos não vão deixar de fazer um exame de raio X mesmo se houver aparelhos mais modernos”, afirma Luiz Augusto­ Carneiro, superintendente do Instituto de Saúde Suplementar, centro de pesquisas sobre o setor.  

O administrador cearense Pedro Meneleu, de 36 anos, conhece bem essa realidade. Meneleu é superintendente do Instituto do Câncer do Ceará, instituição fundada há seis décadas em Fortaleza e que faz 22.000 atendimentos por mês — 68% deles pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

“Nossos custos sobem mais rápido do que os reajustes nos pagamentos do Ministério da Saúde para os atendimentos do SUS”, diz ele. Há sete anos, o Instituto do Câncer passou a negociar a compra de 5.000 itens, entre medicamentos e instrumentos cirúrgicos, por meio do site da Bionexo. Antes, esses itens eram adquiridos de fornecedores locais.

“Agora fazemos cotações em  empresas de todo o país”, afirma Meneleu. “Diminuimos em 15% o custo de aquisição desses insumos.” Com os recursos economizados, o Instituto do Câncer do Ceará modernizou sua infraestrutura e aumentou cerca de 20% o número de pacientes do SUS atendidos nos últimos dois anos.

Rapidez no atendimento emergencial

Toda pessoa que procura atendimento no pronto-socorro de São Thomé das Letras, no sul de Minas Gerais, passa por uma triagem. Os enfermeiros que fazem esse processo trabalham com um aparelho que parece um notebook. Ele tem sensores para medir temperatura e pressão, além de um software que emite perguntas a ser feitas aos pacientes de acordo com suas queixas. 


No caso de um mal-estar súbito, o aparelho recomenda perguntar, entre outras coisas, se o paciente teve dificuldades de respiração, sentiu dores no corpo ou se voltou de viagem recentemente. 

As respostas definem a gravidade da situação e também o tempo máximo de espera para o atendimento por algum médico especializado nos sintomas do paciente. Essa classificação é feita em fitas coloridas impressas pela maquininha que ficam presas no pulso dos pacientes.

Se for vermelha, o atendimento é emergencial e deve ser feito imediatamente. A cor laranja revela que a situação é muito urgente, e o paciente deve ser examinado pelo médico em até 10 minutos. Se a fita for amarela, a gravidade ainda é elevada, mas o paciente pode aguardar até 1 hora. Verde, até 2 horas.

Na cor azul, a gravidade é baixa, e o paciente pode esperar até 4 horas para ser atendido sem riscos de complicação dos sintomas. O sistema permite que toda a triagem seja feita em, no máximo, 3 minutos. 

O pronto-socorro recebeu o aparelho da Secretaria de Saúde mineira em 2011. “Antes disso, demorávamos pelo menos 10 minutos para anotar os sintomas do paciente e encaminhá-lo para o médico”, afirma a enfermeira Regina Maria Dinamarco, de 38 anos, que trabalhou 14 anos no pronto-socorro e cuidava da triagem até o ano passado.

“Quando muita gente chegava ao mesmo tempo, só dava para verificar a temperatura e a pressão e pedir para aguardar o médico.”

O aparelho foi desenvolvido pelo programador de sistemas mineiro Leonardo Lima de Carvalho, de 36 anos. A ideia surgiu de uma demanda da Secretaria de Saúde mineira para padronizar a triagem em mais de 4.000 hospitais, clínicas e postos de saúde espalhados pelo estado.

“O objetivo era aumentar a produtividade dos profissionais de saúde e reduzir a superlotação no sistema público”, diz Carvalho. Ele conta que patenteou a invenção em 2010 e montou uma empresa, a ToLife, para vender os aparelhos ao governo mineiro.

Carvalho estima que seus aparelhos reduzem, em média, pela metade o tempo que os pacientes levam num pronto-socorro até receber o atendimento de um especialista. “Quando a triagem era manual, os médicos muitas vezes ficavam sem atender ninguém até que o paciente fosse liberado”, diz ele. No ano passado, a ToLife faturou 14 milhões de reais — 70% mais que em 2011. 

Os aparelhos da empresa estão em quase todas as unidades de saúde pública de Minas Gerais e em outros 200 hospitais de seis estados. “Cerca de 80% de nossas vendas são para prontos-socorros públicos”, afirma Carvalho. Entre os clientes está o Hospital da Universidade de São Paulo, na capital paulista, que atende 24.000 pessoas por mês. 


“Tínhamos dificuldade em distinguir os pacientes com sintomas leves, em que não há risco de morte, daqueles intermediários, em que a demora pode levar a complicações”, diz Gustavo Albuquerque, superintendente do hospital. “Essa incerteza aumentava o risco de internações mais demoradas, que sobrecarregavam nossa estrutura.”

A eficiência no uso dos recursos hospitalares é uma discussão crescente no Brasil, onde a população cresce mais rápido do que a infraestrutura hospitalar para atendê-la. Segundo dados mais atuais da Organização Mundial da Saúde, a proporção de leitos por habitante em 2009 no país era de 2,3 por 1 000 habitantes — 20% menos do que dez anos antes.

“Para evitar superlotação, não adianta só construir mais hospitais e leitos”, diz o médico Carlos Alberto Suslik, especialista em saúde da consultoria PricewaterhouseCoopers. “Os ganhos de produtividade com a estrutura de saúde que já existe são fundamentais para combater o problema.”

Consultas preventivas no dentista

Uma das alegrias da goiana Glaucia de Matos Silva, de 31 anos, é ver o sorriso de sua filha Stefani, de 8 anos. Glaucia ganha um salário de 700 reais como faxineira numa escola estadual de Jataí, no interior de Goiás, e complementa a renda como diarista nas folgas do trabalho.

Glaucia paga 75 reais por mês para Stefani ser atendida pelos dentistas da TopDent, rede de clínicas odontológicas que funciona sob o sistema de franquia. Periodicamente, a garota senta na cadeira do dentista — mesmo quando não há nada para ser tratado.

“Ela recebe higiene bucal e conselhos do dentista sobre como escovar os dentes para prevenir cáries e problemas dentários que precisam de tratamentos doloridos”, afirma Glaucia. “Minha filha vai crescer sem cáries e sem medo de dentista.”


A maioria dos atendimentos nas 50 clínicas da TopDent espalhadas em 15 estados é preventiva, como os feitos periodicamente em Stefani. “Esses tratamentos são menos rentáveis do que colocar implantes ou tratar um canal”, diz o administrador paulista José Eduardo Lima Filho, de 37 anos, sócio da empresa.

“Mas a prevenção às doenças bucais acaba saindo mais barato e é menos traumática para os pacientes, o que acaba atraindo mais clientes para os consultórios dos dentistas.”

Desde 2004, Lima Filho está à frente da rede, fundada nos anos 70 por seu pai, o dentista José Eduardo Lima, que era professor do curso de odontologia na Universidade de São Paulo e tinha um consultório dentário em Bauru, no interior paulista.

Especializado em odontologia para crianças, ele percebia que muitas mães da cidade não conseguiam ensinar seus filhos a cuidar dos dentes, o que aumentava a incidência de problemas dentários que os acompanhariam muitas vezes durante a vida inteira. “Meu pai passou a cobrar mensalidade para dar aulas de escovação”, diz Lima Filho.

Para estimular o retorno das crianças, elas passaram a receber brindes como escovas de dentes coloridas e histórias em quadrinhos que mostravam como escovar os dentes. “O método produziu bons resultados na prevenção às cáries”, diz Lima Filho. “Passamos a vendê-lo como uma franquia a outros dentistas.”

A TopDent faturou 25 milhões de reais no ano passado — crescimento de 40% em relação a 2011. Cerca de um terço das clínicas da rede está em cidades das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, onde a renda média da população é até 40% menor do que no Sul e no Sudeste.

“Cobramos mensalidade a partir de 30 reais para tratamentos preventivos”, diz Lima Filho. “É um negócio viável em regiões de renda mais baixa, em que muitas pessoas estão tendo acesso a serviços de saúde bucal pela primeira vez na vida.”

Segundo dados do SUS, há três anos, 71% das crianças de 12 anos da Região Norte e 73% no Nordeste haviam visitado um dentista. No Sul, o índice era de 88%. “Reduzir essas diferenças regionais é um desafio no Brasil”, afirma Lima Filho.

Remédios acessíveis a mais gente

A cozinheira Zenaide Santana Pedrosa, de 51 anos, visita pelo menos uma vez por mês a farmácia FarmaVida, no centro da pequena Prado, cidade de 30 000 habitantes no litoral sul baiano. É lá que Zenaide busca as duas caixas de Losartan prescritas por seu médico para combater a pressão alta, doença com a qual convive há mais de dez anos. 


Desde 2011, ela não paga nada pelos remédios, que fazem parte do programa Farmácia Popular, do governo federal. Criado em 2004, o programa dá descontos de até 90% em alguns medicamentos e distribui gratuitamente em farmácias remédios para hipertensão e diabetes. “Preciso levar a receita médica, meu CPF e algum documento com foto”, diz Zenaide.  

A documentação é fotocopiada pelo farmacêutico e enviada na hora, pela internet, ao Ministério da Saúde — que autoriza a transação e paga a farmácia pelos remédios distribuídos de graça. “Esse controle evita pedidos de medicamentos que não estejam prescritos pelos médicos”, diz Jansson Spinola, de 36 anos, proprietário da FarmaVida.

“É praticamente impossível fraudar o sistema.” Essa conexão com os bancos de dados do Ministério da Saúde é essencial para participar do Farmácia Popular.

“Sem um sistema que envie os comprovantes dos remédios entregues aos pacientes, as farmácias não podem receber o reembolso do governo federal”, diz o médico Marcello Erich Reicher, da HQI Consultoria, especializada em saúde corporativa.

O software que conecta o computador no balcão da FarmaVida ao Ministério da Saúde foi desenvolvido pela Vidalink, de São Caetano do Sul, em São Paulo. A empresa foi fundada em 2000 pelo empreendedor Luis González, de 43 anos. Na época, ele e o sócio, Pierre Schindler, também de 43, queriam criar um sistema para facilitar a aquisição de medicamentos no país.

“No Brasil, os remédios costumam ser pagos exclusivamente pelos pacientes”, diz González. “Em países como os Estados Unidos, planos de saúde, empregadores e a indústria farmacêutica dão uma série de descontos nos preços de remédios.” Segundo dados de 2003 do Ministério da Saúde, metade dos brasileiros havia parado o tratamento médico por falta de dinheiro para comprar os remédios.

“Seguir um tratamento longo ainda é um problema para a maioria das pessoas no país”, diz González. “Isso pode elevar o risco de agravamento nas condições de saúde dos pacientes e o custo dos tratamentos.” 

Os primeiros clientes da Vidalink foram grandes empresas, como Ambev e Goodyear, que tinham programas para subsidiar a compra de medicamentos para seus funcionários. Na maioria delas o sistema funcionava por meio de reembolsos de notas fiscais que os funcionários recebiam das farmácias onde adquiriam os remédios.

“Era uma saída incompleta, porque muita gente não tinha recursos para esperar o reembolso e deixava de tomar a medicação”, diz González. Pelo sistema da Vidalink, os beneficiados recebem carteirinhas de identificação que podem usar na rede de 12.500 farmácias que rodam o software da empresa.

“Ele conecta o sistema de vendas da farmácia ao de nossos clientes e autoriza na hora a compra do remédio com desconto”, diz. A remuneração vem de um percentual cobrado em cada transação. A partir de 2006, a Vidalink passou a fechar contratos com farmácias interessadas em participar do programa Farmácia Popular. No ano passado, as receitas da Vidalink chegaram a 17 milhões de reais, 50% mais do que em 2011.