Empreendedores não precisam ter medo de ter um sócio

Muita gente morre de medo da palavra sócio. Mas a verdade é que, sem ele, é muito mais difícil empreender

São Paulo – Sócio, no dicionário, tem a seguinte definição: parte que aporta capital ou trabalha em conjunto para desenvolver um negócio. Na prática, o significado depende da situação. 

1. Quando as coisas vão bem. É aquele que coloca dinheiro, mas não espera um grande retorno. É um sujeito que vai trabalhar todo motivado, mesmo que a retirada seja um terço do salário anterior. Sócio também é quem faz algo que você acha chato, como cuidar das finanças.

2. Quando as coisas não vão muito bem. É alguém que somente aportou dinheiro e depois largou tudo o mais para você se virar. É um cara que ainda tem cabeça de funcionário, já que vive falando que antes ganhava mais e que agora terá de arranjar outro emprego. É também o responsável por coisas que não trazem lucro, como cuidar das finanças, enquanto você se mata nas vendas.

3. Quando as coisas estão ruins. É o culpado de tudo.  Você, sua mulher, seus amigos, todos estão certos de que a empresa só está mal por causa do sócio. 

Colocar nos outros a culpa de tudo o que acontece de errado é fácil. Difícil é admitir os próprios erros e que, muitas vezes, faltou competência. Nas minhas palestras, costumo fazer um teste. Peço que levantem a mão os que já escutaram alguém dizer que o sócio não presta. Todos levantam. Em seguida, pergunto quem já ouviu um empreendedor admitir que não é um sócio assim tão bom. Nessa hora, ninguém se manifesta. 

Muitos empreendedores morrem de medo da palavra sociedade. Eu, não. Meu medo é ficar sozinho. Já imaginou um trapezista fazendo números de circo sozinho, sem ter com quem dividir os riscos? 

Adoro a palavra companhia – pessoas que compartilham o mesmo pão. Você e seu companheiro de travessia precisam ter os mesmos sonhos e os mesmos valores. Não precisa ser uma alma gêmea. Aliás, é melhor o sócio ser  diferente de você. Ele deve ser complementar – alguém que, somado com você, dê resultados como se vocês dois fossem três. 

No início, tive um sócio por quatro anos que foi fundamental nos meus primeiros passos. Em 1993 comprei a parte dele, quando percebemos que tínhamos expectativas de vida muito diferentes. Isso é natural. As pessoas mudam. As coisas mudam. A vida muda. O importante é que os conflitos sejam resolvidos de imediato. 

Depois, vendi metade da empresa para um novo sócio. Brigamos, discordamos. Mas sobra respeito, admiração mútua e certeza de que temos um objetivo comum. Tenho um amigo, o Valdir, que fez a seguinte observação: “Tem gente que prefere comer um prato de arroz sozinho a caviar em dois”. Não vejo vantagem em ser assim.