Empreendedores lançam franquia de jogos de escape

Quatro sócios trouxeram para a Vila Olímpia, em São Paulo, um tipo de jogo visto no exterior (e nos computadores). Agora, o negócio virou franquia

São Paulo – Imagine que você está trancado em uma sala. Sua única forma de sair é resolvendo um mistério, que só será desvendado com as pistas que estão ao seu redor. É preciso não só ter atenção, mas agilidade: o tempo para achar a resposta é limitado.

Quem joga pelo computador deve conhecer esse tipo de desafio: são os chamados jogos de escape (escape games). No exterior, esse tipo de jogo também existe no meio físico, com casas especializadas. Este mês, um empreendimento do estilo foi inaugurado em São Paulo: é o Escape60, que fica na Vila Olímpia.

Por trás do negócio estão quatro sócios: Jeannette Galbinski, José Roberto Szymonowicz, Karina Papautsky e Márcio Abraham. Tudo começou quando um dos casais, Abraham e Jeannette, foi de férias para a Europa em junho do ano passado. Procurando algum programa, eles perceberam que o modelo escape era interessante. Em dezembro do mesmo ano, Karina e Szymonowicz foram para os Estados Unidos e também aprovaram a modalidade.

Já no começo desse ano, os sócios conversaram sobre a ideia de ter algo assim no Brasil. “No final da conversa, já tínhamos o modelo de negócio que queríamos. Abrimos em primeiro de junho”, conta Szymonowicz. Desde então, de 200 a 250 salas já rodaram. O investimento foi de 1,2 milhão de reais.

Segundo o sócio, em lugares como os Estados Unidos, as casas de escape são iniciativas distantes dos grandes centros, com poucas salas e sem muita tecnologia. “A gente se inspirou lá, mas fizemos todas as dinâmicas de jogos, passagens de fase, absolutamente com nossas cabeças”. Os empreendedores desenvolveram cenografia, tecnologia da informação, equipamentos e também uma equipe para elaborar os desafios. 

O mistério

Para participar de um jogo de escape, é preciso de quatro a oito integrantes. Cada sala tem uma história, que se relaciona com o projeto arquitetônico do local – um banco ou um quarto de hotel, por exemplo. Após uma explicação inicial dos monitores, os visitantes têm até 60 minutos para resolver o mistério que paira sobre o lugar, juntando histórias paralelas que convergem para uma saída.

Segundo Szymonowicz, as salas têm desafios com complexidade similar, mas algumas podem enfatizar habilidades diferentes. Por exemplo, uma sala pode ter mais desafios lógicos e de cálculo, enquanto outra pode ter mais desafios sensoriais e táteis.

No geral, 15% dos visitantes conseguem solucionar os casos do Escape60, sendo que apenas 2% resolvem sem nenhum tipo de ajuda. Se o grupo sai sem achar a resposta, há duas opções: ou a solução é contada ou eles podem voltar para tentar o mesmo caso. “As pessoas saem absolutamente satisfeitas, independente do resultado. Elas costumam pedir a resposta do enigma, por conta da curiosidade”, conta o sócio.

Em dias de semana até às 17h, o custo é de 69 reais por pessoa. Para dias de semana após às 17h, finais de semana e feriados, o preço fica em 79 reais por pessoa. Ao todo, há seis salas no Escape60, sendo que cinco estão funcionando.

Franquias

Para expandir os negócios, a Escape60 ingressa no sistema de franchising. A marca está presente na ABF Franchising Expo 2015, que acontece na capital paulista até sábado, com seu modelo de franquia. Os visitantes da feira poderão conhecer a empresa por meio de uma sala de escape com o tema Prisão, que será montada no local. 

O investimento inicial para ter uma unidade da marca é de 300 mil reais. O valor varia dependendo do estado do imóvel e do número de salas – o modelo ideal tem três.

A expectativa de faturamento mensal parte de 70 mil reais e vai até 220 mil reais. O prazo de retorno do investimento é de 12 a 24 meses.

Szymonowicz conta que a marca pretende chegar, em um ano de operação, a dez unidades. Em três anos, a estimativa é de 100 lojas, contando as próprias e as franqueadas.

Expectativa

O primeiro foco do empreendimento era no público jovem e adulto, conta Szymonowicz. Uma grande surpresa foi encontrar crianças que vão jogar acompanhadas dos pais e dos avós. “Além do entretenimento, geramos um grau de proximidade com a família. A gente até imaginou que teria esse apelo, mas não que agradaria a tantas faixas etárias”, conta.

Para o sócio, o segmento corporativo tem um potencial muito grande. A ideia é usar os jogos do Escape60 para definir contratações de funcionários, dinâmicas comportamentais e treinamentos, fazendo com que os desafios sejam uma ferramenta decisória nesses processos empresariais.