Empreendedores inovam e ganham espaço com reinvenção da pizza

Quem disse que não há espaço para inovar em setores tradicionais? Esses negócios mostram que novas ideias melhoram até a tradicional pizza.

A pizza é o alimento “queridinho” dos paulistas. De acordo com números da Associação Pizzarias Unidas, o Estado de São Paulo tem mais de 11 mil pizzarias – o equivalente a quase um terço das 36 mil pizzarias que existem no Brasil. O consumo de pizza em São Paulo é tão grande que representa sozinho mais da metade do país: de um milhão de pizzas comercializadas por dia no País, 572 mil saem dos fornos de São Paulo.

Em um cenário como esse, o mercado se apresenta bastante competitivo, mas não sem oportunidades. Por ser bastante consolidado, o setor tende a abrir espaço àqueles empreendedores que “pensam fora da caixa” na hora de colocar a redonda para assar.

“A pizza é talvez o prato mais consumido pelo paulista. Se o empresário souber a proposta de valor do seu negócio e trabalhá-la corretamente, com certeza terá espaço no mercado”, explica o consultor de negócios do Sebrae-SP em Jundiaí, Wilson Borges. “Inovação não é necessariamente criar algo que não existe, mas sim perceber falhas no mercado e entrar com o seu negócio”, observa.

E foi justamente com essas ideias em mente que duas pizzarias inovaram em São Paulo e hoje estão colhendo bons frutos, ainda que com propostas diferentes. Enquanto a Divina Increnca foca nas pizzas individuais em bairros nobres, a Pina’s Pizzaria aposta no popular e aproveita a moda das pizzas por R$ 10, mas sem abrir mão da qualidade.

“Sigo utilizando os mesmos ingredientes da pizza tradicional, só que em menor quantidade. Asso em forno à lenha, normalmente. E ainda temos o diferencial de levarmos as pizzas diretamente na casa dos clientes, sem que eles liguem”, explica Aline Pina Gomes, proprietária da Pina’s Pizzaria, em funcionamento desde 2016 em Guarulhos.

Todos os dias, as redondas são vendidas por motoboys em vários bairros de São Paulo. Eles vão de rua em rua, buzinando e anunciando “pizza de R$ 10!”, enquanto os moradores vão saindo para checar as opções disponíveis. “Começamos a fazer a pizza de R$ 10 há um ano. Nosso faturamento melhorou 100%. Em representatividade, podemos dizer que hoje vendemos 90% das pizzas de R$ 10 e apenas 10% das tradicionais”, diz a empresária.

Estudar o mercado

Já na zona oeste de São Paulo, o negócio que começou como um foodtruck em 2014 se tornou um ponto físico de sucesso, tanto que em 2018 já conta com três unidades. Além da matriz da Divina Increnca, na Pompéia, a pizzaria ganhou uma unidade em Higienópolis e uma recém-inaugurada em Perdizes.

Leonardo Santin, um dos três sócios do empreendimento, conta que foi preciso estudar bastante o mercado antes de empreender no segmento. “Visitamos feiras de Food Service e fomos para a Itália para aprender como fazer pizza lá”, diz.

As pizzas da Divina Increnca são individuais e trazem na massa a característica de fermentação longa, como as napolitanas, que vêm “invadindo” São Paulo nos últimos anos. No entanto, a mescla ítalo-brasileira é o toque especial que vem conquistando os paladares dos clientes de Santin.

“Quando voltamos da Itália, resolvemos unir o que aprendemos à nossa cultura, o que gerou um resultado que as pessoas têm se identificado bastante. A massa napolitana em si é mais mole, mas a nossa é mais crocante, o que facilita o manuseio com as mãos”, explica o empresário, que aproveita ainda a experiência adquirida no país da bota para importar alguns insumos, como a farinha, o molho e o azeite.

Na Divina Increnca, as pizzas variam entre R$ 25 e R$ 28. Na opinião de Wilson Borges, do Sebrae-SP, as duas pizzarias encontraram oportunidades e tiveram iniciativa. “A Pina’s teve de rever seus custos e adotou o preço pequeno e o alto giro como uma estratégia de negócio. Está dando certo, mas precisam ficar atentos na gestão, pois basta uma única compra errada para que todo um lucro vá embora”, alerta o especialista.

Já sobre a Divina Increnca, o consultor destaca a busca de informações e aprendizado dos sócios no dia a dia do negócio. “O produto é mais artesanal, mais caro, porém a proposta de valor está muito bem estabelecida, o que faz com que o cliente pague o preço sem nenhum problema, fazendo a marca competitiva no mercado”, explica.

“O ponto de atenção fica para a expansão, que sempre necessita de um novo planejamento. Não é porque o empreendimento é sucesso em um bairro, que será sucesso em outro”, conclui.