Ele aprendeu a arrumar iPhones pelo YouTube e já fatura R$ 1,5 mi

Os irmãos André e Fábio Reis juntaram R$ 15 mil e criaram um negócio que já faturou R$ 1,5 milhão só neste ano: o Hospital do iPhone.

São Paulo –  Os negócios de renda extra conquistaram os brasileiros nos últimos anos, diante da recessão econômica e da necessidade de procurar fontes alternativas de ganhos.

Alguns desses negócios dão tão certo que acabam virando a principal fonte de renda do empreendedor. É o caso dos irmãos André e Fábio Reis: eles começaram um empreendimento de conserto de celulares da marca Apple de forma paralela, com apenas 15 mil reais de investimento.

Hoje, o Hospital do iPhone é uma rede de franquias com quatro unidades em operação. Apenas em 2017, a ideia de negócio já gerou um faturamento 1,5 milhão de reais – e os sócios pretendem dobrar o número para o próximo ano.

História de empreendedorismo

O negócio começou em 2014, quando André tinha apenas 26 anos de idade. Ele era vendedor de carros e procurava uma forma de complementar o salário recebido. Também era fã dos produtos da Apple e tinha um iPhone 4.

“Anunciei o celular para venda e comprei um modelo mais novo com o dinheiro que ganhei. Porém, esse novo celular tinha um defeito no volume”, explica. “Mandei arrumar em uma assistência técnica e logo depois consegui vendê-lo. Percebi que eu poderia obter lucro com essa atividade.”

Levando os aparelhos para serem arrumados no centro de São Paulo, André começou a reparar em como o atendimento ao cliente era precário. “Eu não queria só um bom preço, mas também um bom serviço, que levasse em conta o valor simbólico que o celular tinha para mim. Fora questões de garantia e procedência dos produtos, é claro.”

Por isso, o futuro empreendedor decidiu aprender sozinho a consertar os celulares que venderia. Pesquisou em sites americanos e assistiu tutoriais no YouTube, comprando peças separadamente e seguindo o passo a passo para cada tipo de conserto.

Ao mesmo tempo em que tocava o negócio paralelo, André teve um baque. A empresa em que trabalhava como vendedor de carros anunciou um corte, e ele estava entre os demitidos. Era o sinal de que André precisava: com o dinheiro da rescisão, decidiu investir no empreendimento de consertos de iPhones.

Fábio Reis, irmão de André, entrou como sócio no negócio. O advogado vendeu o carro antigo que tinha para entrar com sua parte, totalizando 15 mil reais de investimento inicial.

Estratégia de crescimento

O Hospital do iPhone começou na casa dos sócios, com atendimento domiciliar. Com a resposta inicial, eles conseguiram juntar mais economias e abrir o primeiro ponto comercial: uma loja de 2 m², dentro de uma galeria em São Bernardo do Campo (São Paulo).

Segundo André, o Hospital do iPhone nunca fechou o mês em prejuízo – mas, no começo, dava pouquíssimo lucro. Durante um período, o sócio e irmão Fábio até se ofereceu a ajudar sem lucrar nada, para que André conseguisse sobreviver retirando o baixo rendimento do negócio. Em algumas épocas, a loja ficava de 10 a 15 dias sem receber clientes.

O negócio começou a crescer devido ao atendimento e à qualidade do serviço, na opinião dos empreendedores. Entre os diferenciais, estava o conserto na frente do cliente e a garantia de procedência das peças de reposição.

“A popularização aconteceu porque eu queria oferecer o mesmo atendimento que eu desejava quando era cliente. Apareciam pessoas que haviam achado o Hospital do iPhone pela internet e até comentavam que eu parecia maior do que realmente era, pelo atendimento e pelo serviço. Cresci pelo boca a boca”, afirma André.

“Copiamos o modelo da Apple de ter um atendimento que faz a diferença, além de termos uma loja clean, com nenhum produto fora do lugar”, completa Fábio.

Um outro diferencial foi o posicionamento de marca: a partir do nome Hospital do iPhone, os sócios começaram a dar nomenclaturas médicas para cada serviço. O aparelho é um “paciente”; o balcão é a “mesa de cirurgias”; a primeira análise é uma “triagem”; e, após o “diagnóstico”, podem ocorrer procedimentos como “cirurgia de olhar” (defeito na tela) e “cirurgia cardíaca” (defeito na bateria).

“A maioria das assistências trata um aparelho apenas como um aparelho. Mas, hoje, sair de casa sem o iPhone faz você se sentir completamente perdido. Ele está do seu lado o tempo todo e, quando quebra, há uma dor não apenas financeira”, completa.

Hoje, o Hospital do iPhone continua na mesma galeria, mas em um espaço de 30 m². Entre 75 e 100 atendimentos são feitos por dia, que geram de 45 a 60 “cirurgias”. O negócio já acumulou um faturamento de 1,5 milhão de reais em 2017. Em 2016, eram de 30 a 45 atendimentos diários, com um faturamento anual de 1 milhão de reais.

André Reis e Fábio Reis, do Hospital do iPhone Fábio e André Reis, do Hospital do iPhone

Fábio e André Reis, do Hospital do iPhone (Hospital do iPhone/Divulgação)

Franquias

Além dessa primeira loja, o negócio possui outras três unidades franqueadas em operação e mais quatro com inauguração em novembro.

A decisão final por franquear veio neste ano, após uma discussão entre os sócios sobre como crescer. Enquanto André cuida da parte comercial e técnica, Fábio cuida da parte de expansão do empreendimento.

“Sabíamos que poderíamos tocar no máximo duas lojas: uma comigo como dono e outra com ele. Mas eu não tenho o perfil para isso, nunca fiquei o dia todo em loja. Então, acabei convencendo o André de que franquia era uma boa opção, de que o negócio não seria colocado em qualquer mão: há um olhar do dono por parte do franqueado. Projetamos e, depois de um ano, começamos a franquear”, conta Fábio.

O negócio quer fechar o ano com dez unidades em operação. Para 2018, o Hospital do iPhone quer abrir outras 20 unidades. Com isso, a projeção de faturamento saltou para 3 milhões de reais no ano.

Hospital do iPhone
Investimento inicial: 85 mil reais
Prazo de retorno: 9 meses