E-commerce de sapatos 33 e 34 faz sucesso com loja física

O negócio 33e34 fez o caminho inverso de muitas empresas: esperou o sucesso no mundo online para apostar em sua primeira loja física.

São Paulo – Não são poucas as grandes redes varejistas que penam para repetir seu sucesso no ramo das compras e vendas virtuais. A pequena empresa 33e34, por outro lado, fez o caminho inverso: esperou o sucesso no mundo online para apostar em sua primeira loja física, na cidade de São Paulo.

Hoje, colhe os resultados dessa estratégia. Em apenas cinco meses de operação, o ponto comercial que vende apenas calçados de numeração 33 e 34 já representa de 20 a 25% do faturamento do negócio. Neste ano, a 33e34 irá faturar 2,4 milhões, contando todas as operações.

“Esse movimento foi muito significativo e nos fez caminhar para uma revisão de nosso modelo de negócio”, afirma Tania Gomes, fundadora da 33e34.

Do online ao offline

Segundo Gomes, a montagem de lojas físicas por parte de e-commerces é uma tendência em diversos outros países, como os Estados Unidos. “Vimos muito esse movimento lá fora: o cliente é omnichannel, transitando entre os diversos canais de compra. É a experiência que vale, e não o meio em si.”

A decisão também foi muito relacionada ao setor em que a 33e34 atua: por ser um negócio de nicho, em que a consumidora ainda está se acostumando a comprar sapatos de numerações delicadas pela internet, oferecer a possibilidade de experimentar a futura compra é um grande diferencial.

Além de garantir vendas offline, portanto, o primeiro ponto comercial da 33e34 garantiu novas compras online. O contrário também foi verdadeiro: quem já comprava no e-commerce foi conhecer a loja física.

“Nossa intenção foi estender a experiência de compra positiva que essa consumidora já tinha no e-commerce”, afirma Gomes.

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Aprendizados de negócio

A primeira loja física da 33e34 foi aberta em julho deste ano, em Santo Amaro (São Paulo). Ao todo, o investimento inicial para a primeira loja física da 33e34 foi de 300 mil reais. Teria sido muito maior se o empreendimento optasse por ter um estoque separado dos 450 modelos diferentes de sapato presentes no e-commerce.

“Temos um sistema de produtos unificados, usando o mesmo sistema emissor de notas. Já que o caro no nosso tipo de negócio é o produto, nosso custo inicial de loja foi bem menor do que o costumeiro.”

Essa é a primeira vez que a empreendedora aposta em um ponto comercial – e, para ela, é praticamente um novo negócio. “A abordagem ao cliente e a rotina administrativa são outras. Por exemplo, eu tenho de contratar alguém treinado para ficar presente na loja o tempo todo, para qualquer possível atendimento.”

Tania Gomes, da 33e34, em loja física do negócio

Tania Gomes, da 33e34, em loja física do negócio (33e34/Divulgação)

Mas, assim como o modo a operação é diferente, os benefícios também são outros. Gomes afirma que conseguiu alcançar novos clientes, por exemplo.

“Já atendemos na loja física uma senhora de mais de 70 anos, que não se sentiria confortável ao comprar no online. Essa relação do consumidor com a experiência de compra é essencial para a longevidade do negócio. Sendo bem atendido, ele pode voltar a comprar com mais ticket e mais recorrência.”

A fundadora também conta que poder sentar e ouvir o cliente presencialmente traz um feedback irreproduzível pelos meios virtuais. Com as sugestões, a 33e34 concluiu que, além da numeração, as consumidoras tinham receio quanto ao formato de seu pé na hora de comprar online: algumas possuem pés mais finos e outras possuem pés mais achatados, por exemplo.

“A experiência offline trouxe para nós definições mais técnicas no e-commerce. Esse tipo de insight foi essencial para nossa construção de conhecimento de mercado e de produto”, afirma Gomes.

Planos para o futuro

A loja virtual da 33e34 irá incorporar tais medidas alternativas dos pés em sua próxima coleção de sapatos, e já está estudando startups que trabalhem com realidade aumentada.

“Isso pode ajudar a experiência de compra das mulheres no mundo online. Já temos tecnologia: é apenas uma questão de modelar tal funcionalidade para nosso propósito. Em 2018 iremos colocar muita tecnologia no nosso e-commerce, já que 2017 foi nosso ano de entender o produto.”

Os planos para o mundo físico também continuam: uma segunda loja deve ser aberta no primeiro semestre de 2018. O negócio também analisa chegar a outras cidades e estados brasileiros, firmando-se como referência em pés pequenos.

Por fim, a 33e34 irá investir em sua internacionalização. A marca já trabalha com a marca Jimmy Choo – com um ticket médio de 3 mil reais, muito acima do praticado pelo e-commerce – e pretende fechar contrato com outra marca internacional em 2018.

“Já temos negociações avançadas sobre expansão para fora do Brasil, especialmente na América Latina e na Europa. O sapato brasileiro ganha dos chineses em termo de qualidade e ganha dos italianos em termos de preço, então temos uma média competitiva no produto final”, afirma Gomes.