Na Brigaderia, o docinho da moda

A ex-designer de tecidos Taciana Kalili criou uma empresa que faturou 5 milhões de reais no ano passado vendendo uma mania brasileira: brigadeiros

São Paulo – Muitas empresas promissoras surgem quando um empreendedor cria algo inovador ou que pouca gente seja capaz de copiar. A mineira Taciana Kalili, de 34 anos, trilhou outro caminho.

Ela é dona da Brigaderia, rede que hoje tem cinco lojas em shopping centers paulistanos e faturou 5 milhões de reais no ano passado vendendo o popularíssimo brigadeiro.

Taciana transformou o que era um hobby de fim de semana — preparar docinhos para amigos e parentes — em negócio no final de 2009, após a festa de aniversário de 50 anos do marido. “Os convidados adoraram os brigadeiros que servi”, diz ela.

“Dois meses depois, eu tinha cinco funcionários trabalhando na cozinha da minha casa para dar conta de atender às encomendas.” Em seis meses, o volume de pedidos levou à abertura da primeira loja.

A Brigaderia surgiu no momento em que o brigadeiro começava a deixar as festinhas infantis para virar o docinho da moda. Recentemente, outras redes surgiram no mercado, como as também paulistanas Maria Brigadeiro e Brigadeiro Bistrô.

A receita, que na sua versão básica leva ingredientes comuns, como leite condensado, chocolate em pó e margarina, agora começa a romper fronteiras.

No final do ano passado, a consultoria de marketing americana JWT listou o brigadeiro como uma das tendências de mercado em 2011. Só no ano passado, três lojas com um modelo de negócio bem parecido com o da Brigaderia foram abertas em Nova York.


“Nos próximos meses, vamos ver um aumento no número dessas lojas aqui nos Estados Unidos”, diz Christine Miranda, analista de tendências da JWT. “Muitas padarias americanas também começaram a vender brigadeiro.”

Em parte, a rápida expansão da Brigaderia se deve à capacidade de Taciana em dar uma roupagem gourmet aos doces. No seu cardápio há mais de 30 variações do brigadeiro tradicional, alguns deles levando ingredientes como pistache, maracujá e macadâmia. Muitos recorrem à Brigaderia em busca de uma opção para presentear alguém.

“É comum que os clientes entrem aqui para experimentar e saiam com uma caixinha de brigadeiros para presente”, diz ela. Taciana tem dois grandes desafios à frente da Brigaderia — aproveitar o potencial para crescer enquanto o negócio está na moda e garantir a expansão depois que a febre passar. Uma das alternativas que ela vem explorando é o mercado corporativo.

Hoje, quase um terço das receitas vem de empresas como o laboratório farmacêutico EMS e o grupo Votorantim, a quem Taciana fornece doces para eventos internos.

A empresa também oferece a clientes como a construtora Tecnisa oficinas de culinária para ensinar crianças a fazer brigadeiro. A Tecnisa viu no serviço um modo de entreter os filhos de potenciais compradores de imóveis que comparecem aos eventos de lançamento de novas obras.

Em breve, Taciana também pretende acrescentar novas guloseimas ao cardápio para diminuir a dependência de um único produto. Até o segundo semestre, as lojas da Brigaderia devem começar a servir bolos e bebidas à base de chocolate.

“Num setor em que começam a surgir tantos concorrentes parecidos, oferecer novos produtos pode ajudar a Brigaderia a se destacar”, diz Ricardo Pastore, especialista em varejo da Escola Superior de Propaganda e Mar­keting (ESPM), de São Paulo.