De bicicleta, patinete ou a pé: entregadores vão além das motos

iFood, Rappi e Uber Eats investem em novos modais de entrega para aumentar número e densidade de entregadores

Chamar-se de “entregador” no lugar de “motoboy” faz cada vez mais sentido. Isso porque as maiores startups de delivery atuando no país — iFood, Rappi e Uber Eats — estão testando entregas feitas por modais que vão além das motocicletas: bicicletas, patinetes e até mesmo pés.

Além da redução na emissão de gases poluentes e de poluição sonora, os novos modais apresentam um investimento inicial menor ou nulo aos entregadores e não exigem carteira de habilitação. “Surge um perfil diferente entre os entregadores. Pode ser, por exemplo, universitários que querem complementar a renda no meio período”, afirmou o aplicativo de delivery de comidas iFood.

As entregas por bicicletas e patinetes (elétricos ou não) pela empresa começaram em novembro de 2018. Há 150 entregadores com bicicletas elétricas; 150 com patinetes elétricos; e “milhares” com bicicletas comuns nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. O iFood faz estudos de viabilidade e altitude nas regiões com demanda por entregadores para verificar modais eficientes.

“O objetivo é atrair novos perfis de entregadores, complementando as entregas de moto e escalando o delivery”, disse Carlos Moyses, CEO do iFood, que considera que os resultados até o momento foram “bastante positivos” e estuda escalar as entregas para as principais capitais do país.

O aplicativo de delivery de refeições chegou no mês passado ano a 12,6 milhões de usuários em mais de 500 cidades brasileiras. O iFood reúne 66 mil restaurantes e 120 mil entregadores e processou 17,4 milhões de pedidos no último mês, aumento de 130% na comparação com março de 2018.

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A Rappi também permite as entregas por bicicleta — em alguns países, elas superam o número de motocicletas dentro da rede de entregadores. “Foi um movimento natural em países que já usam as bicicletas. No Brasil, a participação dos modais alternativos ainda é pequena. Nossa expectativa é que esse número aumente”, afirmou Felipe Serra, diretor de Operações da Rappi no Brasil.

A Rappi tem hoje 6,5 milhões de usuários nos sete países em que atua (Brasil, México, Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Uruguai), que fizeram cerca de 70 milhões de pedidos nos últimos 12 meses. O Brasil, onde a empresa desembarcou em 2017 e está presente em 20 cidades, já é responsável por, aproximadamente, 35% das vendas. O volume de entregas no país tem crescido 30% ao mês, segundo os executivos da startup.

A Uber Eats habilitou uma forma ainda mais econômica de realizar entregas: usando os próprios pés. O braço da gigante de mobilidade urbana Uber está pré-cadastrando interessados na cidade de São Paulo em entregar encomendas à pé.

O Brasil é o segundo país da América Latina a aceitar pedestres parceiros, após o México. Entregas do tipo já são feitas em Hong Kong, Nova Zelândia e Singapura. Nessas regiões, o Uber Eats observou que a modalidade teve grande aceitação entre “pessoas que, por questões financeiras ou de alguma deficiência física, não têm acesso a um carro, moto ou bicicleta”, afirmou a empresa a EXAME.

O Uber Eats chegou a todos os estados do Brasil em fevereiro deste ano. A novidade “pretende melhorar ainda mais a experiência dos usuários em regiões muito movimentadas, como a Avenida Paulista [São Paulo]”. O Uber Eats está presente em 350 cidades globalmente, com 200 mil estabelecimentos ativos semanalmente e 300 mil entregadores.

Todas as empresas afirmaram à EXAME que os entregadores de bicicleta, patinete e à pé farão trajetos mais curtos do que os de motociclistas ou motoristas. Também disseram incentivar o uso de equipamentos de segurança e o respeito às leis de trânsito. Os moradores de metrópoles brasileiras verão muito mais embalagens de entrega — agora, em calçadas e ciclovias.