Como indicadores da economia afetam a sua empresa

Inflação, nível de emprego, taxa de câmbio, exportações e atividades econômicas podem diminuir vendas, dificultar contratações e aumentar custos em pequenas empresas

São Paulo – Microempresários sabem da importância de observar a evolução do mercado em que atuam, os hábitos dos consumidores, as inovações e o aquecimento, além da concorrência. Apesar disso, alguns fatores – que parecem mais distantes como os indicadores gerais da economia – podem estar mais próximos do que se imagina. Longe de serem números imparciais, dados como inflação, índice de emprego, consumo, entre outros, podem afetar as vendas e a movimentação nas pequenas empresas.

Analistas de mercado destacam que este é um ano de incertezas e cautela do investidor por conta da crise que afeta a Europa. Um agravamento da crise pode gerar uma movimentação abrupta de capitais e modificar todo o cenário econômico. Especialistas ouvidos pela Exame.com mostram os perigos que variações na economia podem representar aos pequenos e médios empresários.

1. Nível de atividade econômica

Para o professor de finanças do curso de Administração da ESPM, Adriano Gomes, este é o principal fator a ser observado. “Principal foco que deve ficar no radar do empreendedor é se a economia está num ritmo crescente, estagnado ou até decrescente”. Os efeitos desse indicador serão sentidos nas vendas que subirão quando a economia estiver em alta ou podem até cair em épocas de recessão. O número a ser acompanhado é o do PIB.

2. Consumo das famílias

Este indicador econômico aponta se as pessoas estão com o consumo aquecido ou não, se pretendem ampliá-lo, como está o apetite para a compra ou se estão com mais receio. “Cada vez que o consumidor tem receio na aquisição de novos produtos e serviços, a pequena e média empresa sente nas vendas, que caem”, afirma Gomes. O melhor índice para acompanhar o consumo das famílias é o Intenção de Consumo das Famílias (ICF)

3. Taxa de câmbio

Empresas que utilizam materiais importados sofrem com as alterações do dólar. “A taxa de câmbio afeta notadamente empresas que vivem de importar a distribuir. Tem estoque comprado em moeda estrangeira, mas vende em reais. Qualquer alteração na taxa pode ser prejudicial”, ressalta o professor de finanças.


O consultor do Sebrae/SP Pedro Gonçalves destaca que, entre 2010 e 2011, o real esteve valorizado em relação ao dólar e, por isso, ficou mais barato importar mercadorias. “Apesar desse favorecimento, segmentos que concorrem com importados, como indústria de brinquedos e têxtil, devem ficar atentos às variações”, diz Gonçalves. Por isso, tente acompanhar a oscilação do valor do dólar periodicamente.

4. Ritmo de exportações e importações

De acordo com Adriano Gomes, quando as exportações estão em alta, há brechas para o crescimento das pequenas e médias empresas. “Imagine empresas que prestam serviços de manutenção de máquinas agrícolas. Quando soja, milho e cana de açúcar estão em alta, as exportações crescem com mais demanda de mercado.” Para acompanhar os movimentos de entrada e saída de produtos, fique de olho nas notícias sobre a balança comercial que são divulgadas frequentemente pelo Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior.

5. Nível de emprego

Se por um lado é bom ter menos desempregados, este cenário aumenta a demanda por melhora nos salários, o que puxa para cima os custos internos de empreendimentos, explica o professor de finanças da ESPM. Além disso, este cenário dificulta a busca por profissionais para as pequenas e médias empresas. “Há profissionais, como mecânicos, técnicos em ar condicionado, especialista em contabilidade, que preferem trabalhar em grandes empresas que pagam mais, dão mais benefícios, enfim, reconhecem o profissional de uma forma que seria impossível nas pequenas e médias empresas.”

Apesar das dificuldades em contratações, Pedro Gonçalves lembra que mais pessoas empregadas significa mais condições de compra. “Se a renda evolui, é mais dinheiro para ser canalizado para serviços oferecidos pelo pequeno e médio empreendedor”, diz Gonçalves.

6. Inflação

Os preços no ano passado subiram 6,5%, teto da meta do governo para a inflação. Porém, segundo Adriano Gomes, as pequenas e médias empresas não costumam acompanhar ou precificar as mercadorias com o ritmo da inflação. “Elas muitas vezes fazem queima de estoque e liquidações para transformarem o estoque em dinheiro”. Além dos preços, a inflação afeta também os custos de empréstimos e financiamentos.