Como este negócio fará você começar a investir em startups

A Eqseed pretende trazer ao Brasil a cultura do investimento com equity - e a queda na Selic só fez tal modelo de negócio crescer.

São Paulo – A queda na taxa básica de juros (Selic) fez com que alguns brasileiros saíssem da poupança e da renda fixa para procurar investimentos mais rentáveis. Em termos nacionais, esse ainda é um movimento tímido – a poupança é o investimento preferido de sete a cada dez brasileiros. Mas as fintechs querem mudar tal situação.

É o caso da Eqseed: a startup nasceu para trazer ao Brasil a cultura do investimento atrelado a participação em empresas (equity). Por meio da plataforma, é possível montar uma carteira de aportes em diversos negócios inovadores.

A ideia da Eqseed de investir em startups já atraiu diversos interessados: 4 milhões de reais foram aportados por meio do site. Nesse mercado de investimento-anjo, a média de retorno pode chegar em média a 40% por ano – para quem sabe esperar o tempo certo e lidar com os riscos envolvidos.

Cultura de investimento e ideia de negócio

O britânico Greg Kelly passou cinco anos trabalhando no setor de mercado de capitais londrino. No meio do caminho, observou o potencial do mercado de equity crowdfunding: quando diversas pessoas investem em uma mesma startup de forma online, em troca de partes proporcionais nesse negócio nascente.

“Em 2010 surgiram as primeiras plataformas com esse modelo de negócio em Londres – que tem uma cultura forte de equities, mas não necessariamente equities em empresas inovadoras. Acompanhei o desenvolvimento do mercado de captações para startups por meio de plataformas desde o início: em quatro ou cinco anos, o total de investimentos foi de zero a cerca de um bilhão de reais”, afirma Kelly.

O executivo do mercado financeiro alimentava o sonho de trabalhar com essas empresas inovadoras, aplicando a experiência que obteve em grandes instituições financeiras, como o Lloyds Bank. O casamento com uma brasileira fez com que Kelly olhasse para o mercado brasileiro, com um potencial ainda desconhecido quanto ao equity crowdfunding.

Greg Kelly, co-fundador da Eqseed

Greg Kelly, co-fundador da Eqseed (Eqseed/Divulgação)

“No Brasil, há uma cultura mais baseada em empréstimos do que em investimentos e equities. Entendíamos a necessidade e a oportunidade de um produto como esse, mas também víamos o desafio”, conta.

Em 2014, a união com o sócio e economista americano Brian Begnoche foi o impulso que faltava para idear a Eqseed. Após um ano e meio de desenvolvimento financeiro e jurídico, a plataforma foi lançada, com foco no Brasil.

Como funciona?

Após o cadastro na Eqseed, o futuro investidor pode acessar todas as captações pedidas pelas startups: é possível ver apresentações e informações do negócio, da documentação jurídica a vídeos explicativos, além do valor total pedido para certos objetivos. Além dos dados disponibilizados online, o futuro investidor também pode entrar em contato com os fundadores das startups, seja em eventos presenciais ou chamadas virtuais.

Alguns exemplos de startups na plataforma Eqseed

Alguns exemplos de startups na plataforma Eqseed (Eqseed/Divulgação)

O processo de investimento é 100% online: o contrato é enviado e assinado digitalmente. A startup só recebe o dinheiro se a meta de captação for atingida, em modelo de “tudo ou nada”: se não conseguir, todo o valor será retornado aos investidores.

A Eqseed cobra das startups 10% do valor das rodadas bem-sucedidas, como honorários. O investidor não paga nada para investir, mas, caso revenda seu equity no futuro, deverá pagar uma taxa de sucesso de 10% sobre o lucro realizado com a transação.

O grande determinante para o sucesso da plataforma, portanto, é selecionar bem quais startups irão compor o portfólio. Das 1.500 empresas que se candidataram, apenas 13 foram escolhidas: uma taxa de aprovação menor do que 1%.

“Buscamos startups com modelos de negócios escaláveis, que queiram multiplicar seu tamanho em poucos anos, e com times focados e de qualidade. Não temos restrição a nenhuma indústria ou setor”, afirma Kelly.

Um negócio inovador que já fatura obviamente possui uma prova de conceito, mas a Eqseed também trabalha com empresas de zero faturamento. “Atuamos em uma lacuna do mercado de investimentos [saiba mais sobre o “vale da morte” dos aportes em startups]: essas empresas precisam captar investimento para crescer agressivamente, e só depois poderão procurar os fundos de venture capital.”

No momento da captação, a média de faturamento anual das startups varia de 50 e 300 mil reais. Vale lembrar que, pelas regras da Comissão Mobiliário de Valores (CVM), apenas empreendimentos com até 10 milhões de faturamento anual podem participar de plataformas de equity crowdfunding, com captações de até 5 milhões de reais.

Até agora, a Eqseed conclui 11 rodadas de captação para startups, com um valor total investido de 4 milhões de reais. Duas novas empresas abrirão rodadas neste mês.

Enquanto isso, há 10 mil pessoas cadastradas e 400 investidores realmente ativos, entre pessoas físicas e jurídicas. A média de valor investido é de 10 mil reais – o que abrange desde vários investidores de aporte mínimo, que costuma ser 1% do valor total da captação, até alguns investidores com conhecimento de mercado e aportes que vão de 50 a 100 mil reais (o chamado smart money).

A Eqseed não divulga valores absolutos de faturamento, mas diz que este cresceu 540% em 2017, na comparação anual. O negócio não tem como meta atingir o ponto de equilíbrio entre receitas e despesas neste ano e nem no próximo: já planeja obter um investimento na faixa dos dois milhões de reais, captados por meio da própria plataforma.

“Estamos chegando perto do ponto de equilíbrio, mas sempre que o alcançamos investimos novamente. Não é nossa intenção no curto prazo sermos lucrativos, e sim expandirmos”, afirma Kelly.

Para 2018, a Eqseed tem como meta triplicar o valor total investido pela plataforma, chegando a 12 milhões de reais, e subir o ticket médio de aplicação para 15 mil reais. O valor pedido nas captações também deve subir: o que antes ia de 250 a 600 mil reais agora irá até 2 milhões de reais.

Entre cinco a dez startups devem entrar para a plataforma neste e no próximo mês, resultados de uma seleção fechada em dezembro de 2017. Uma nova seleção de startups será feita em março deste ano.

Tela de reprodução da plataforma Eqseed

Tela de reprodução da plataforma Eqseed (Eqseed/Divulgação)

Investir em startups: tudo que você deve saber

Kelly faz um alerta para quem quer começar a usar a Eqseed: diversificação é a palavra-chave para obter bons rendimentos com startups. “Não é para investir todo seu patrimônio em startups, e muito menos em uma empresa só. É para construir um portfólio diversificado, de cinco startups para mais. Assim, os investimentos que derem certo serão suficientes para gerar lucro no portfólio inteiro, apesar de alguns possíveis fracassos”, afirma.

A maioria dos investidores da Eqseed são executivos que já criaram suas empresas e possuem dinheiro para investir em empreendedores mais jovens. Esses aportadores não costumam colocar mais de 10% do seu patrimônio em startups, justamente pelo alto risco e baixa liquidez do investimento. Com um ticket médio de 10 mil reais e um mínimo de cinco startups no portfólio, subentende-se que o patrimônio dos usuários da Eqseed gira em torno de 500 mil reais.

Além da boa quantidade para investir, quem entra na Eqseed também está disposto a esperar: o prazo de retorno médio para um aporte em startups é de quatro anos – isso se tudo der certo.

Como a Eqseed foi lançada em 2015, ainda não dá para dizer qual será a rentabilidade das startups na plataforma. Segundo Kelly, porém, a maioria dos investidores-anjo no Brasil busca atingir um retorno de 40% por ano, após a longa espera.

“Todo mês, desde que eu cheguei ao Brasil, o mercado de equity crowdfunding se desenvolve mais”, diz. “Há muitos fatores para isso, todos acontecendo ao mesmo tempo: com a queda de taxas de juros, o retorno da renda fixa caiu abaixo de 1% ao mês, o que aumenta a busca por investimentos mais rentáveis. Além disso, finalmente temos saídas grandes de empresas brasileiras, como a compra da 99 e o IPO da PagSeguro. Esses exemplos servem para mostrar o potencial de investir em empresas nascentes no Brasil, como já se viu nos Estados Unidos e na Europa.”

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