Como esta startup de recrutamento faturou levando brasileiros ao Japão

A Eureca, especializada em recrutamento e seleção de millennials, ofereceu uma visão internacional a uma empresa japonesa. E investirá mais no país

Renovar a marca e o modo de conduzir operações é um desafio para boa parte das multinacionais — o que geralmente envolve selecionar talentos que levem ares novos para antigas corporações. A Eureca, que começou como um blog, hoje fatura ajudando empresas a selecionarem e recrutarem os melhores millennials.

Esse desafio, a startup percebeu, não se restringe ao Brasil. Uma das apostas da Eureca para este ano está em reforçar sua atuação internacional após um caso bem sucedido com a Shizen Energy Group, uma multinacional japonesa de energia renovável. A Shizen recebeu seis brasileiros em sua sede — e quatro deles permaneceram na corporação. Agora, a Shizen e a Eureca se uniram em uma filial japonesa de contratação de jovens profissionais.

Com esses esforços, a Eureca espera mais que dobrar seu faturamento de 3,5 milhões de reais em 2018.

De blog a recrutamento internacional

A Eureca foi criada em 2011, como um blog sobre carreira e empreendedorismo para jovens. O crescimento da audiência atraiu o interesse de multinacionais como a francesa Danone, que pediu que a Eureca produzisse uma imersão de jovens estudantes na empresa como uma forma de fortalecer sua marca empregadora. A imersão logo virou um pedido para produzir o processo de seleção para estagiários e trainees da Danone, em 2014.

Desde então, a Eureca foi aumentando sua carteira de clientes e indo da consultoria sobre trabalhadores millennials para processos mais robustos de recrutamento e seleção dos jovens profissionais. A Eureca atrai jovens por meio de ativações em universidades e postagens em redes sociais. Eles se inscrevem nos processos seletivos que desejam.

De acordo com Douglas Souza, presidente da Eureca, um dos diferenciais é oferecer conteúdos educativos ao longo do processo seletivo. Em uma seleção para a empresa de bicicletas compartilhadas tembici, por exemplo, os jovens aprendem o que é mobilidade urbana. “Aumentamos a competência do jovem para aumentar a régua de qualificação”, diz Souza. Os candidatos são avaliados e ranqueados. Apenas os melhores são chamados para a etapa presencial do processo seletivo.

Douglas Souza, presidente da Eureca Douglas Souza, presidente da Eureca

Douglas Souza, presidente da Eureca (Eureca/Divulgação)

A Eureca já atendeu gigantes como Centauro, Nike, McDonald’s e Votorantim e ajudou a empregar 150 mil jovens desde então. A startup tem 77 empresas no portfólio, com 60 projetos feitos ou ativos apenas em 2019. Esses projetos vão de recrutamento, seleção e treinamento dos jovens talentos até o fortalecimento de marca empregadora com os millennials, como aconteceu com a Danone.

Ao longo de sua expansão, a Eureca participou de eventos em universidades ou organizações, como fóruns de juventude da Organização das Nações Unidas (ONU). Por meio desse networking, conheceu executivos da multinacional japonesa de energia renovável Shizen Energy Group. A companhia sentia a necessidade de funcionários que pensassem diferente e trouxessem inovações.

Em 2018, a Eureca selecionou seis jovens brasileiros para trabalhar na Shizen durante três meses cada. “Primeiro, fazemos um processo de preparação dos gestores para receberem jovens com uma cultura tão diferente, pela idade e pela outra nacionalidade. Depois, fazemos o inverso e inserimos esses jovens na cultura da empresa, do mercado e do país”, afirma Souza. “Verificamos que houve uma boa interação entre os millennials e a Shizen”. Quatro brasileiros continuaram na empresa.

A Shizen possui uma pequena operação em terras brasileiros e o primeiro benefício é conhecer a cultura do país e fechar mais negócios, de acordo com o presidente da Eureca. O segundo benefício da imersão foi promover um choque cultural com os funcionários, aumento a criação de mais ideias para a Shizen. Por fim, o terceiro ganho está em comunicar o projeto ao mercado e se tornar um exemplo de inovação no mercado de trabalho japonês.

A seleção e recrutamento internacionais continuam neste ano. Desta vez, a Eureca desenvolveu um site pelo qual jovens do mundo inteiro conseguem se inscrever e passar pelo processo de recrutamento avaliativo-educativo idealizado pela Eureca. Profissionais de Botswana, Estados Unidos, Hungria, México e Sudão foram selecionados para a segunda imersão de millennials na Shizen. “A ideia é que a gente consiga diversificar cada vez mais os perfis de jovens. Quantos mais países, melhor para a diversidade da empresa.”

União e expansão

O trabalho com a Shizen gerou interesse de outras corporações japonesas. A Eureca se uniu à multinacional japonesa por meio de uma joint venture e montará uma operação voltada ao Japão neste semestre.

Essa nova empresa atenderá corporações japonesas e de outros países. Por enquanto, a Shizen é a única cliente. Os mercados americano e israelense também manifestaram interesse na proposta da Eureca, segundo Douglas. 

Hoje, a startup possui 45 funcionários e uma pequena equipe em Tóquio, com três funcionários. Em termos de faturamento, a Eureca espera crescer 120% sobre o ano anterior. Em 2018, o negócio faturou 3,5 milhões de reais. 

O plano é atingir 100 empresas no portfólio até o final deste ano, empregando “centenas de milhares de jovens”. A depender das altas taxas de desemprego em terras brasileiras, candidatos não irão faltar para oportunidades por aqui — ou para o outro lado do mundo.