Como esta bebida taiwanesa já faturou R$ 22 milhões no Brasil

A BubbleKill vende chás com bolhas há pouco mais de dois anos, combinando tradições de Taiwan às preferências brasileiras. Hoje, opera 70 lojas

Os brasileiros já incorporaram iguarias estrangeiras como hambúrgueres e sushis — mas popularizar alimentos e bebidas nunca vistos por aqui pode ser desafio. Para a BubbleKill, criada há pouco mais de dois anos, o desafio era popularizar os chás com bolinhas de tapioca negra vistos em Taiwan nas últimas décadas.

O caminho foi combinar uma expansão agressiva por meio do franqueamento com adaptações aos gostos nacionais, com a inserção de frutas e da explosão no contato das bolhas com a boca. A BubbleKill possui 70 unidades em operação e apresentou um faturamento de 22 milhões de reais no último ano.

De Taiwan ao Brasil

O taiwanês Shuzi Gao, CEO da BubbleKill, afirma que o bubble tea é algo comum entre as donas de casas do país desde a década de 1980. Empresas americanas e europeias, como a britânica Bubbleology, modernizaram o chá com bolhas nos últimos anos ao colocar outros sabores na tapioca negra, como maracujá e morango.

Gao chegou ao Brasil em 2016, com a ideia de trazer o bubble tea com bolhas que estouram na boca, diferentemente das feitas de tapioca negra. “É um produto típico em Taiwan, com diversas lojas. Mas, em países como o Brasil, queríamos torná-lo algo único”, afirma o taiwanês.

Em janeiro de 2017, a BubbleKill abriu sua primeira loja. Ela está no bairro paulistano da Liberdade, que possui grande presença de asiáticos. A proposta de Gao era fazer chineses e taiwaneses se sentirem em casa e atrair alguns ocidentais curiosos.

Mesmo nesse reduto asiático, porém, oito a cada dez clientes não possuem ascendência oriental. O taiwanês viu uma oportunidade de escala pela abertura de quiosques franqueados em shopping centers, que pedem um menor investimento inicial do que lojas de rua. No mesmo ano, surgiu a primeira franquia.

O principal alvo foi a própria cidade de São Paulo, para “firmar posição no principal centro do franchising”. Segundo Fernando Loureiro, diretor de expansão da BubbleKill, a rede de chás com bolhas possui penetração em 85% dos shoppings da capital paulista.

A BubbleKill possui 70 lojas em operação, com 113 contratos de franqueamento fechados. O faturamento total da rede foi de 22 milhões de reais no último ano, pela venda de 1,6 milhão de copos.

Cada copo leva uma base (água, chá verde, chá preto, chá de hibisco, leite e a bebida fermentada Yakult), um sabor de frutose (como morango, lichia, blueberries e kiwis) e bolhas de diversos sabores (das cerejas às tapiocas negras originais, chamadas “pobas”). Há mais de mil combinações possíveis.

Além do monoproduto

Para crescer, a BubbleKill teve de incluir produtos que caem no gosto brasileiro em seu cardápio. Além das diversas frutas tropicais, a bebida fermentada Yakult veio da análise de opiniões dos consumidores. O negócio pretende incluir em breve o açaí no menu.

Outro perigo é cair em um modelo de “monoproduto” — sobreviver por uma única proposta, como faziam as paletas mexicanas. A BubbleKill lançou garrafas para levar, bebidas quentes (como café com leite e bolhas de tapioca negra) e planeja produtos sem lactose.

Para Loureiro, verificar os movimentos de vanguarda na Ásia e casá-los às tendências brasileiras é a receita para reter clientes. “Todo ano mudamos as receitas e trazemos novidades. O Brasil é um país que gosta de experimentar, especialmente em capitais como São Paulo. Queremos que pensem em nós quando se fala em chás e sucos”, completa Gao.

Para 2019, o foco da BubbleKill está na expansão pelo interior de São paulo e pelas regiões Nordeste e Sul do país. A marca de chás com bolhas pretende alcançar 130 lojas em operação e um faturamento acumulado de 30 milhões de reais, pela venda de dois milhões de copos. Também está conversando com aplicativos de delivery para a inclusão de suas unidades nas entregas à domicílio nos próximos dois meses.

Outra frente é a expansão internacional. A BubbleKill inaugurará em maio uma unidade na Flórida (Estados Unidos), pela “similaridade cultural” e “fortalecimento de marca”. O negócio pretende terminar este ano com dez unidades nos EUA.