5 empresas emergentes que ajudam a ampliar acesso à cultura

Seus negócios estão ajudando a vencer o desafio de ampliar o acesso à cultura no Brasil

São Paulo – No Brasil, apenas 7% das cidades têm salas de cinema, de acordo com as estatísticas do Ministério da Cultura. Segundo um levantamento da consultoria alemã GfK, os livros brasileiros estão entre os mais caros do mundo. Em média, as entradas para shows numa cidade como São Paulo podem custar até 70% mais do que em Nova York — e as turnês dos principais artistas raramente saem das grandes capitais rumo ao interior.

Novos escritores, produtores independentes e artistas emergentes tampouco têm facilidade para financiar seus projetos, o que poderia aumentar a oferta de artes e espetáculos no país. Esses dados ajudam a mostrar como o acesso à cultura ainda é restrito no Brasil, seja pela falta de infraestrutura — como auditórios e teatros —, seja pelos custos elevados.

Para boa parte da população, assistir a espetáculos musicais, filmes e comprar livros ainda é um sonho de consumo. De acordo com uma pesquisa feita no começo deste ano pela consultoria Nielsen, 40% dos brasileiros pretendem gastar parte do salário no curto e médio prazo em cultura e entretenimento — é a prioridade da lista, seguida por pagamento de dívidas e viagens.

“Nos últimos anos, a renda média cresceu, e muitos brasileiros melhoraram de vida”, diz Claudio Czarnobai, gerente da Nielsen. “Mas há uma grande demanda reprimida de bens e serviços culturais ainda não devidamente atendida.” 

Na quinta reportagem da série Sou Empreendedor — Meu Sonho Move o Brasil, Exame PME conta a história de cinco pequenos e médios negócios que estão crescendo ao ampliar o acesso da população à cultura. Nas próximas páginas aparecem empresas como a Cinemagia, de São Paulo, criadora de um festival de cinema itinerante exibido em mais de 400 municípios do interior em todas as regiões do país.


A paulista Livebiz transmite shows de artistas famosos para fãs de localidades por onde geralmente suas turnês não passam. O site paulistano Catarse tem ajudado a divulgar ideias de artistas e produtores culturais em busca de financiamento para internautas dispostos a contribuir com pequenas quantias de dinheiro. Ainda em São Paulo, a produtora de eventos Preta Multimídia promove feiras nas quais artistas podem expor criações inspiradas na cultura negra.

Com sede em Florianópolis, o site Bookess fornece uma plataforma que permite a qualquer autor publicar seu próprio livro e colocá-lo à venda na internet, abrindo atalhos para novos autores se lançar no mercado editorial. Veja suas histórias.

Sessão de cinema no sertão

Como muitas pequenas localidades do interior do país, o município mineiro de Cachoeira Dourada passou nos últimos anos por um surto de crescimento. Segundo as estatísticas do IBGE, na última década a renda per capita da população aumentou 220%, impulsionada principalmente pela criação de gado — o rebanho bovino da cidade somava, no ano passado, mais de 9.000 cabeças.

“A vida aqui melhorou bastante”, diz o mecânico César Pereira, de 37 anos, morador do município. “O maior problema é que falta algo para fazer nas horas vagas.”

São, de fato, restritas as opções de atividades culturais para os 3.000 moradores de Cachoeira Dourada. A sala de cinema mais próxima, por exemplo, fica na mineira Uberlândia, a mais de 200 quilômetros de distância. Para chegar lá é preciso enfrentar estradas de terra e rodovias de asfalto esburacado, numa viagem que dura pelo menos 3 horas — isso quando não surge nenhum imprevisto.

“Às vezes a gente encontra no meio do caminho uma boiada atravessando a estrada”, afirma Pereira. “Nesse caso, é preciso parar e esperar um tempão, até os animais passarem.”

A distância e os percalços no trajeto fizeram Pereira ficar mais de dez anos sem ver um filme na tela grande. Ele pôde matar um pouco da vontade em outubro de 2011, quando a empresa paulista Cinemagia transformou, por dois dias, o ginásio de esportes de Cachoeira Dourada numa grande sala de cinema. Na ocasião, Pereira assistiu à animação Wall-E e à comédia brasileira Se Eu Fosse Você 2.


“Eu era um dos primeiros a chegar para a sessão”, diz Pereira. “Ver filmes no cinema é muito mais legal do que na TV. Foi emocionante.”

A Cinemagia foi fundada em 2001 pelos sócios Lia Pinheiro, de 34 anos, e Matteo Levi, de 75. Na época, ambos já tinham experiência no mercado cinematográfico — ele é sócio da distribuidora de filmes Europa, de São Paulo, e ela trabalhava como produtora em produções nacionais.

Eles tiveram a ideia de criar um festival itinerante que percorresse pequenos municípios do interior. “Percebemos que havia uma demanda não atendida nas pequenas cidades”, afirma Lia. “No interior do país, pude encontrar um bocado de gente que não sabia como era ver um filme no cinema.”

Desde 2001, a Cinemagia exibiu filmes e animações para mais de 3 milhões de espectadores em cerca de 400 cidades onde não há cinema — muitas delas com menos de 50.000 habitantes, como Catuti, em Minas Gerais, e Anhanguera, em Goiás. No ano passado, as receitas da empresa chegaram a 6,5 milhões de reais, 62% mais do que em 2011.

Segundo dados da Agência Nacional de Cinema, somente 7% das cidades brasileiras contam com salas de cinema. No Brasil, há 77.000 habitantes por tela de cinema — o país ocupa a 60ª posição num ranking da Unesco que mede o acesso da população às salas de exibição, atrás de países como Argentina, onde há o dobro de cinemas por habitante, Costa Rica, Malásia e Indonésia.

Em parte, a razão da escassez é a dificuldade que as grandes redes de exibição têm para recuperar investimentos em cidades pequenas. “O custo para abrir e manter uma sala de cinema é alto”, diz Marcelo Bertini, presidente da rede Cinemark, que mantém 214 salas de cinema no país.

“Em localidades pequenas, o investimento ainda não compensa.” Só recentemente a rede Cinemark começou a sair das capitais para abrir cinemas em cidades de porte médio no interior dos estados — como a mineira Uberlândia, a paranaense Londrina e a gaúcha Canoas. 


O modelo de cinema itinerante adotado pela empresa ajuda a diminuir os custos. Equipes de cinco ou seis funcionários da Cinemagia percorrem o país em vans para levar projetores para praças, ginásios e escolas — muitas vezes, a apresentação acontece ao ar livre mesmo.

“O município todo se mobiliza para assistir às sessões”, afirma Lia. “Vai todo mundo, desde o prefeito até o padeiro e a professora da escola.” 

Para não depender do faturamento da bilheteria, a Cinemagia adotou um modelo com base em patrocínios. “Nossos principais patrocinadores são grandes empresas que atuam no interior e têm interesse em expor suas marcas aos moradores das pequenas cidades”, afirma.

É o caso da fabricante de agroquímicos Monsanto e da operadora de telefonia Vivo. “A exibição de filmes nas cidades pequenas ajuda a estreitar os laços com as comunidades agrícolas”, afirma Isabela De Marchi, coordenadora de sustentabilidade da Monsanto. 

 Publique um livro você mesmo

Aos 80 anos, a paulista Maria Hilda de Jesus Alão está realizando o sonho de ver seus livros publicados. Professora de português aposentada, ela começou a escrever há pouco mais de uma década, depois do nascimento de seus netos. “Comecei a inventar histórias para contar a eles”, diz. “Como não queria esquecer nenhum detalhe, passei a escrevê-las.”

Por muito tempo, só os netinhos de Maria Hilda conheciam os contos infantis saídos da imaginação da avó. Ao longo dos anos, ela procurou editoras para apresentar seu trabalho — mas nenhuma demonstrou interesse em publicá-lo. “Na maioria das vezes, fui mal recebida pelos editores”, afirma ela. “Eles não deram nenhuma atenção a meus livros.” 

Em 2008, Maria Hilda encontrou um caminho para ver suas histórias impressas. Ela conheceu na internet o site Bookess, no qual autores independentes podem pôr obras à venda. A empresa, com sede em Florianópolis, havia acabado de entrar em operação.


Fundado pelos empreendedores Marco Passos, de 24 anos, e Marcelo Cazado, de 40, o Bookess é uma plataforma online na qual qualquer pessoa pode transformar seus escritos em livro, por meio de um software de edição fornecido pela empresa — ao mesmo tempo, o site funciona como livraria virtual para vender as obras desses escritores.

“É o que se chama de autopublicação”, diz Cazado. “Queremos dar aos novos autores um atalho para o mercado, sem precisar passar pelas grandes editoras.”

Quem compra livros no Bookess pode escolher entre duas opções — baixar a obra pela internet para ler em computador, tablet, smartphone ou leitor digital ou encomendar a impressão de um exemplar. Como só imprime sob demanda, a empresa não precisa se concentrar em títulos com potencial para atingir grandes tiragens, como costuma fazer a maioria das editoras.

“A empresa nasceu para suprir uma carência do mercado”, afirma Cazado. “Nas editoras tradicionais, há pouco espaço para que as obras de novos autores possam chegar ao mercado.”

Na prática, a maioria das editoras teme assumir o risco de investir na impressão de um livro que depois ficará encalhado nas prateleiras das livrarias — algo bastante frequente num país onde os índices de leitura ainda são baixos. Segundo uma pesquisa feita no ano passado pelo Ibope, mais da metade dos brasileiros não tem o hábito de ler nem de comprar livros.

Outro estudo, realizado no ano passado pela Associação Internacional de Publishers, mostrou que o Brasil tem o nono maior mercado livreiro do mundo — metade das vendas, no entanto, é de material didático. “Consome-se pouca literatura no país, o que dificulta o surgimento de novos autores”, diz Leonardo Brant, sócio da Cemec, empresa paulista especializada em gestão cultural.

As receitas da Bookess vêm de uma comissão cobrada a cada livro vendido. No ano passado, as receitas da empresa chegaram a 210.000 reais, quase o dobro de 2011. No site, já foram publicadas cerca de 20.000 obras de quase 5.500 autores — Maria Hilda é uma das mais prolíficas. Ela já pôs à venda 61 títulos, a maioria de histórias infantis. “Também publiquei contos eróticos que escrevi na juventude.”


Cazado gosta de pensar em sua empresa como uma plataforma democrática para a publicação de livros. “Nossa única exigência é que as obras passem por uma revisão para evitar erros de português”, afirma. No começo do ano, Cazado vendeu uma participação na empresa para a paulista SBS, que mantém uma rede de livrarias e uma distribuidora de livros.

“Eles veem a autopublicação como uma tendência no setor.” Com a ajuda do novo sócio, a expectativa é fechar 2013 com o triplo da receita do ano passado.

Shows para todos os gostos

Uma das canções mais conhecidas do compositor mineiro Milton Nascimento, gravada na década de 80, diz: “Todo artista tem de ir aonde o povo está”. Nem sempre, no entanto, é fácil fazer o público encontrar-se com seus ídolos. Veja o caso da técnica de nutrição Shirlene Meira, de 45 anos, moradora de Ribeirão Preto, no interior paulista.

Raramente ela pode ir ao show de um de seus artistas preferidos, como Gal Costa e Gilberto Gil. “A preferência do povo aqui na região é a música sertaneja”, diz ela. “É difícil passar uma semana sem show de alguma dupla famosa, mas quase nunca há apresentações de música popular brasileira.”

Nos últimos meses, Shirlene tem recorrido ao site da empresa paulista Livebiz para curtir os shows de seus ídolos. A empresa nasceu no ano passado, quando o paulista Gustavo Marques, de 37 anos, decidiu criar um negócio para levar apresentações de músicos e cantores brasileiros a um público que nem sempre pode ir aos shows.

“A empresa surgiu da constatação de que há muita gente sem acesso a espetáculos musicais de qualidade”, afirma ele. “A maioria dos artistas se apresenta apenas nas capitais.”


A ideia de criar uma empresa como a Livebiz surgiu quando Marques trabalhava como gestor de redes sociais numa agência de publicidade de São Paulo. Uma de suas tarefas era produzir o conteúdo capaz de atrair internautas para os perfis que os clientes da agência mantinham no Twitter e no Facebook. “Às vezes, transmitíamos shows ao vivo pela internet”, diz ele. “A audiência bombava.”

Para transmitir os shows, a equipe de Marques filma as apresentações ao vivo ou em estúdio. As imagens então são enviadas por satélite para uma empresa em Nova York, responsável por dar um tratamento ao som e à imagem para que cheguem sem problemas ao computador, tablet ou smartphone dos espectadores.

No modelo adotado por Marques, a transmissão é bancada por patrocinadores. Na maioria dos casos, o serviço é encomendado à Livebiz por empresas que patrocinam shows­ e buscam por uma alternativa para fazer suas marcas chegar a um público mais amplo que a plateia de um teatro. Em 2013, as receitas da ­Livebiz deverão chegar a 800.000 reais.

A Livebiz é um exemplo de negócio com potencial para crescer na esteira da expansão do show ­business no Brasil. Segundo a consultoria PwC, os shows musicais movimentaram no ano passado 225 milhões de dólares no país — 30% mais do que em 2007.

Um levantamento feito por Exame PME em sites de entretenimento e de produtoras de eventos mostrou que em 2012 foram apresentados 307 shows internacionais nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília e Florianópolis, ante 235 em 2010. 

O principal entrave a um crescimento ainda mais acelerado desse mercado está no preço dos ingressos. Nos Estados Unidos, as entradas para espetáculos musicais custaram no ano passado, em média, 43 dólares — o equivalente a menos de 100 reais —, segundo o site americano Pollstar, que faz pesquisas sobre o mercado de música e vende ingressos.

No Brasil, os preços podem ser 70% mais caros — em média, os ingressos vendidos em 2012 pela promotora de shows T4F, de São Paulo, custaram 172 reais, de acordo com os relatórios da empresa. “No Brasil, os custos com o aluguel dos espaços e os encargos de mão de obra estão inflacionados e são repassados ao público”, afirma Marques. “Espero que a ­Livebiz se consolide como alternativa para quem não tem dinheiro para ver ao vivo.”

A plateia ajuda a pagar as contas

Em junho, o paulista Paulo Henrique Monteiro, de 45 anos, levantou perto de 150.000 reais para levar adiante as filmagens de uma série de animação baseada em roteiros de sua autoria.


“Até o fim do ano, será possível gravar um episódio piloto”, afirma ele. “Espero que em 2014 a série seja exibida em alguma emissora de televisão.” Órfão desde bebê, Monteiro vive num quarto no Hospital das Clínicas, em São Paulo, desde os 2 anos de idade, quando teve paralisia infantil e perdeu parte da capacidade pulmonar — sua série vai contar histórias de crianças com deficiência.

Monteiro arrecadou o dinheiro por meio do ­Catarse, um site de crowdfunding, como são chamadas as empresas na internet que permitem que várias pessoas contribuam com pequenas quantias para financiar um projeto ou um plano de negócios.

No caso de Monteiro, quase 2.000 pessoas fizeram doações, que variaram de 15 a 10.000 ­reais. “Acho que sem o Catarse seria muito difícil tirar minhas ideias do papel.”

O site foi criado há três anos pelo administrador Diego Reeberg, de 25 anos, e por outros três sócios. A ideia para a empresa surgiu quando Reeberg ainda estudava administração de empresas e começou a participar de feiras de empreendedorismo.

Num desses eventos, ele conheceu profissionais da área de tecnologia que tentavam levantar dinheiro no Quickstarter, um dos primeiros sites de crowdfunding a surgir nos Estados Unidos. “Naquela época, já estava pensando em abrir meu próprio negócio”, diz Reeberg. “Achei que havia lugar no Brasil para criar um site semelhante ao Quickstarter.”

No início, Reeberg esperava que o Catarse ajudasse outros jovens empreendedores a conseguir dinheiro para dar a partida em suas próprias empresas. Aos poucos, no entanto, o site atraiu a atenção de produtores culturais, cineastas, músicos e escritores, que viram nele a possibilidade de financiar suas ideias.

Desde que foi criado, o Catarse ajudou a concretizar 565 projetos — boa parte deles na área cultural, como documentários, livros, festivais de música e gravações de CD. Cada um arrecadou em média 12.700 reais.

A demanda de financiamento para iniciativas culturais no Catarse dá uma ideia da dificuldade em obter dinheiro para esse tipo de projeto. Um dos mecanismos mais utilizados no país para a realização de eventos culturais são leis de incentivo que, geralmente, permitem às empresas abater dos impostos os investimentos em filmes, livros, peças de teatro, festivais ou shows, entre outras manifestações artísticas.


No ano passado, apenas metade dos 5 280 projetos aprovados pelo Ministério da Cultura para captar recursos por meio da Lei Rouanet — o principal mecanismo de financiamento cultural do governo federal — conseguiu o dinheiro. Desses, menos de um quarto atingiu o valor total previsto para o projeto. 

Sites de crowdfunding costumam cobrar comissão pelo dinheiro arrecadado. O Catarse fica com 7,5% sobre cada captação — as receitas do site chegaram a 310.000 reais no ano passado, o dobro de 2011. Reeberg e seus sócios procuram veicular projetos com mais chance de cair no gosto do usuário.

Quem tem o pedido de inscrição de um projeto negado tem a oportunidade de melhorar a proposta, com a ajuda da equipe do Catarse, e se inscrever novamente. “Transparência é fundamental em sites de crowd­funding”, afirma Reeberg. “As pessoas precisam entender para onde irá o dinheiro que elas doarem.”

Feiras para promover a cultura afro

Até pouco tempo atrás, a designer paulista Ana Paula Xongani, de 35 anos, tinha poucas oportunidades de mostrar as criações de sua empresa. Ela cria roupas com tecidos importados de Moçambique e acessórios para cabelos afro.

“Vendia minhas peças apenas pela internet, mas sentia falta de um espaço onde pudesse ficar cara a cara com os clientes”, diz ela. “Também não tinha recursos para alugar um ponto comercial e abrir uma loja.”

Em 2011, Ana Paula encontrou um lugar para expor suas criações na Feira Preta, evento voltado ao público afro realizado anualmente em São Paulo — na edição do ano passado, cerca de 6 000 pessoas visitaram os estandes. “O evento traz ótimos resultados”, diz Ana Paula. “Hoje, boa parte do meu faturamento vem de clientes que conheci na feira.”

A Feira Preta é promovida pela Preta Multimídia, empresa de eventos fundada em 2002 pela empreendedora Adriana Barbosa, de 35 anos. Na época, ela havia acabado de perder o emprego como produtora musical numa gravadora quando teve a ideia de criar uma feira em que artesãos e artistas pudessem expor criações inspiradas na cultura afro.

“Havia pouca receptividade para a cultura negra em outros eventos semelhantes”, diz Adriana. “Por isso, tive a ideia de fazer um evento próprio.”

No ano passado, o faturamento da empresa chegou a 300.000 reais. As receitas vêm do aluguel de estandes para os expositores, de empresas que se dispõem a patrocinar os eventos e de ingressos vendidos ao público, que paga até 30 reais para assistir a apresentações de artistas como o rapper Emicida e o grupo Samba da Vela.

Além da feira, a Preta Multimídia realiza eventos culturais mensais em locais como o Centro Cultural São Paulo, na capital paulista, com apresentações de música, teatro e dança de jovens artistas. “Iniciativas como essa são interessantes por abrir espaço para artistas e profissionais da cultura que não desfrutam de muito espaço nos canais mais tradicionais”, afirma o especialista em gestão cultural Leonardo Brant, do Cemec.