Como ele foi de R$ 12 mil para uma rede de R$ 32 milhões

O em­preendedor Antonio Carlos Brasil é dono do Acesso Saúde, sistema de exames e consultas médicas sem mensalidade que tem 31 unidades em operação.

Após trabalhar mais de 14 anos na área da saúde, An­tonio Carlos Brasil decidiu criar o Acesso Saúde, um sistema sem mensalidade que oferece exa­mes e consultas médicas, dentro do conceito de clínicas populares. Atualmente, a rede conta com 31 unidades em operação, faturou R$ 32 milhões em 2017 e previa movi­mentar R$ 39 milhões em 2018. A primeira unidade da rede foi fun­dada em 2006, em Colombo, no Paraná. Hoje está presente em 11 Estados e a previsão é de que até o final de 2019 ultrapasse a marca de 40 unidades franqueadas.

Para começar o negócio, o em­presário contava com capital de giro de apenas R$ 12 mil, que usou para comprar móveis e pagar o primeiro aluguel do imóvel. Brasil conta que também enfrentou grande resistên­cia da comunidade médica no início do negócio. “Nos primeiros 15 dias, a empresa atendeu somente 15 pa­cientes, porém no mês seguinte o número aumentou para 478 e seguiu crescendo até ultrapassar a marca de 10 mil atendimentos por mês em uma única unidade”, comenta.

Desde a adolescência, o em­preendedor sempre desejou traba­lhar na área da saúde, mas a ideia foi desaprovada pelo pai e ele aca­bou cursando administração. Po­rém, sua trajetória apontou para esse setor ao atuar por cerca de oito anos em uma grande operadora de planos de saúde no Paraná. A ideia de abrir um negócio focado no aten­dimento da classe C surgiu quando ainda trabalhava em uma consulto­ria na área e precisou desenvolver um planejamento estratégico para um grupo de oftalmologistas.

O que foi mais difícil no iní­cio da empresa: ter pouco capi­tal ou entrar em um setor do­minado pelos planos de saúde?

Sinceramente, as duas situações. Explico: ter pouco capital signifi­cava que eu não poderia escolher outra opção a não ser “dar certo”. Tudo o que tinha planejado deveria acontecer de forma efetiva, ou seja, não tinha plano B. Hoje penso que foi uma atitude de fé. No caso dos planos de saúde, o desafio não foi di­retamente com os planos, mas com a classe médica, que na sua maioria trabalhava somente com os planos de saúde na época e não acreditava que poderia ter opção. Lembro-me que em uma das oportunidades, ao convidar alguns profissionais para trabalhar em nosso negócio, escu­tei que eu era louco. Como poderia uma clínica sobreviver cobrando por valores baixos e ainda não atender a planos de saúde?

Quais foram as estraté­gias para divulgar a empresa e mostrar que ela chegava ao mercado?

Em razão do orçamento muito apertado, no momento da inaugu­ração toda a divulgação foi de porta em porta, panfletagem em locais de grande concentração, e depois de oito meses de inauguração, passa­mos a divulgar em uma rádio AM de grande audiência.

Como é o trabalho de arre­gimentar médicos para aten­der na empresa?

Captamos a maioria dos médi­cos por meio de sites especializados e pela indicação dos próprios pro­fissionais que fazem parte do corpo clínico da Acesso Saúde.

Quanto tempo demorou para o negócio atingir o ponto de equilíbrio e, depois, passar a dar lucro?

Em oito meses a empresa já re­gistrava lucro.

O Acesso Saúde lida com dois públicos: clientes e médi­cos. Como conciliar o interes­se dos médicos, que querem receber uma remuneração justa pelo seu trabalho, e o dos clientes, que buscam pre­ços acessíveis?

O nosso cliente busca um serviço com valor acessível, com qualidade e respeito. Por outro lado, oferece­mos ao médico um ambiente pro­fissional que valoriza e incentiva as atividades médicas, sem nenhuma intervenção, com uma remunera­ção justa e paga à vista, assim con­seguimos atender às expectativas dos dois lados. Cabe salientar que atendemos a uma faixa de clientes que se concentra na classe C.

Em sua opinião, empreen­der no ramo da saúde exige cuidados maiores do que em­preender em uma área comer­cial qualquer?

Sim, por ser um ramo técnico e que envolve diversos órgãos fisca­lizadores da atividade, como Con­selho de Medicina, Vigilância Sani­tária, meio ambiente, entre outros. É claro que todas a habilidades co­merciais com certa dose de custo­mização podem ter uso no ramo da saúde, mas sempre tomando muito cuidado para não infringir normas e leis da atividade.

O que diria para quem, como no seu caso, quer abrir um negócio mas tem pouco di­nheiro para começar?

Listo algumas dicas: pesquisar o mercado que irá atuar. Um bom negócio num certo mercado não ga­rante o sucesso em outro mercado. Pesquisar direto com os possíveis clientes se existe necessidade e po­tencial deste serviço naquela região pretendida. É primordial a presen­ça do dono à frente do negócio, não pode terceirizar. A direção é o suces­so do negócio. Ser criativo e econô­mico para prospectar clientes, criar uma estratégia de ações mais efetivas e baratas, evitando gastar e tendo melhores resultados.