Como acabar com as dívidas da sua empresa

Saiba como organizar as contas da sua empresa para sair do vermelho de vez

São Paulo – Um empresário tem dois caminhos para eliminar as dívidas: ou aporta capital ou conta com a geração de lucro. Em ambos os casos, o planejamento é ponto de partida para resultados efetivos e que contribuam para a tão sonhada estabilidade financeira. O professor de pós-graduação da Trevisan Escola de Negócios, Ricardo Cintra, diz que o endividamento das pequenas empresas costuma acontecer no primeiro ano de operação.

Neste final de ano, os índices do mercado têm demonstrado resultados positivos, como a queda de 0,3% da inadimplência das empresas, segundo a Serasa Experian, em relação ao mês de setembro. A previsão é de queda do indicador de inadimplência já no primeiro trimestre do ano que vem.

Para o consultor do Sebrae-SP, Luis Alberto Lobrigatti, os empresários acumulam dívidas, geralmente, porque fazem compras acima do necessário, vendem pouco, investem sem planejar ou fazem má administração dos recursos. Tudo isso descapitaliza o negócio.

Se as contas atrasadas estão se acumulando, analise bem a situação da empresa antes de pedir socorro ao banco. O primeiro passo para quem deseja eliminar as dívidas é saber quanto e para quem se deve.

1. Descubra sua capacidade de pagamento

“A primeira atitude indicada a quem deseja sair de um poço é parar de cavá-lo”, brinca Ricardo Cintra. Por isso, coloque no papel qual o faturamento da empresa menos os custos normais, ou seja, as despesas de funcionamento básicas. O resultado será o seu lucro. Ele ará uma ideia de quanto tempo levará para pagar a dívida. Por exemplo, se você deve 20 mil reais e gera 1 mil reais de lucro por mês, levará mais de 20 meses para normalizar a situação.

“Deve haver esforço para aumentar a chamada sobra”, comenta o professor. Uma segunda opção é alongar os prazos das dívidas, o que aumentaria os custos, mas seria o caminho para a futura quitação. “É preciso entender que é difícil pensar em solução milagrosa para extinção de dívidas”, alerta Cintra.

2. Cumpra seus compromissos

Não assuma compromissos com bancos e financiadoras se não poderá honrá-los, ainda mais por relaxamento no controle da contas. O consultor do Sebrae-SP comenta que 80% do lucro da empresa deve ser destinado à amortização da dívida e o restante para deslizes, as chamadas situações de emergência.


Neste cálculo, inclua o caixa que precisa ter ao longo do ano, como pagamento do 13º salário, férias e multas de contrato de rescisão. “O devedor racional e bem assessorado não deve ter dificuldades para compor um fundo para contingências ou uma reserva de caixa”, comenta o professor da Trevisan.

3. Gerencie a compra e venda

O descontrole sobre o que vai comprar e a projeção de quanto irá vender pode fazer com que parte do seu lucro seja estocado. Se você vende em média 500 reais e compra 800 reais, o excedente seria parte do seu lucro, que poderia servir para amortizar a dívida. O mesmo serve para a compra de materiais, no caso de uma empresa prestadora de serviços.

Preste atenção também nas vendas. Se você der muito prazo ao cliente, precisa estar preparado para o recebimento tardio, o que exige um capital de giro bem estruturado. “Ele vai deixar o lucro nas mãos do contas a receber”, comenta Lobrigatti.

4. Troque de credores

Se a sua dívida tem juros expressivos, pense na possibilidade de trocar de credor. Lobrigatti dá o exemplo de um empresário que deve no banco e paga juros de 20% ao ano. É mais interessante ele fazer um empréstimo com juros de 10% para pagar aquele banco de 20% e dever somente para esta instituição.

“Ele não vai solucionar a dívida, mas pode melhorar os prazos. O lucro é que resolve”, diz. Se você já deve para várias instituições financeiras, as chances de adquirir um novo empréstimo são mais restritas.


O problema do pagamento das dívidas é o que o professor Ricardo Cintra denomina de combinação letal: os juros altos e o prazo curto. “Juntos, estes fatores causam excessiva pressão sobre o caixa do devedor. Quanto mais esse nó for afrouxado, mais próxima estará a solução ética e definitiva.”

5. Não comprometa a operação

Um dos entraves para quem deve é acabar restringindo as atividades da empresa, como a dívida com os fornecedores, o que prejudica a geração de caixa. Ricardo Cintra recomenda que o empresário procure o fornecedor antes de atrasar o pagamento para não prejudicar negociações futuras. “Se os fornecedores forem adequadamente sensibilizados para a nova situação e se o devedor tiver um bom histórico, as possibilidades de sucesso são boas”, diz.

Mas, se não houver acordo, é mais viável substituir o endividamento para não deixar de ser abastecido. O mesmo ocorre com despesas que fazem parte da estrutura da empresa, como folha de pagamento e aluguel. Se o problema é com impostos, em 2012 haverá uma nova edição do Programa de Recuperação Fiscal, o Refis. É uma oportunidade para fazer um novo parcelamento das contas em atraso.

6. Elimine gastos

Uma alternativa para tentar acelerar o pagamento de dívidas é vender alguns bens da empresa, como máquinas ociosas ou liquidar o estoque. Você deve encontrar alternativas para reduzir os custos sem perder a eficiência e, assim, aumentar o lucro. “O empresário deve usar tudo o que tem a favor dele e enxugar as despesas e compras adequadamente”, resume Lobrigatti.

Para evitar desperdícios, mantenha o foco no negócio. Ricardo Cintra recomenda terceirizar o que possível. Em vez de permitir que a dívida de instale e tome conta do seu negócio, aja nos primeiros sinais de problemas. Se conseguir manter as contas sob controle, assim como as projeções de faturamento, quando o seu lucro for maior, veja se é possível antecipar o pagamento de parcelas.