A Amazon das grifes

Em três anos, a estilista inglesa Natalie Massenet quintuplicou as receitas do site Net-a-Porter, que vende roupas de grife para 170 países

Chamam a atenção de quem entra na sede da empresa londrina Net-a-Porter, que vende roupas e acessórios femininos pela internet, duas telas gigantes com números que mudam freneticamente. O pisca-pisca reflete a evolução dos pedidos feitos por clientes de várias partes do mundo e dá uma boa ideia do ritmo de crescimento dos últimos tempos. Com uma média mensal de 3 milhões de visitas de consumidoras de 170 países, a Net-a-Porter fechou 2009 com um faturamento de 186 milhões de dólares — 78% mais que no ano anterior.

A expansão da Net-a-Porter, que quintuplicou as receitas e se tornou uma espécie de Amazon das grifes em apenas três anos, é fruto do trabalho da estilista inglesa Natalie Massenet, de 44 anos. Há dez anos, ela fez como muitos empreendedores — seguiu sua intuição ao perceber uma oportunidade na falta de opções para mulheres que queriam comprar roupas e acessórios de grifes famosas pela internet. “Nunca fui do tipo que olha para trás e se arrepende de não ter feito algo”, disse Natalie ao jornal The Sunday Times .

Havia alguns riscos para um possível arrependimento. “O principal deles é que as pessoas simplesmente preferissem comprar em lojas convencionais, onde se podem ver e experimentar artigos que não são baratos”, diz o professor Silvio Passarelli, coordenador do MBA de gestão de luxo da Faap, de São Paulo. Para despertar o interesse de consumidoras que já tinham o hábito de frequentar as melhores lojas do mercado e conhecem todo tipo de novidade, Natalie achava que o site precisava oferecer atrativos que fossem além dos produtos.

Um dos principais é uma equipe de consultores de moda, que fica a postos até aos domingos. Eles tiram dúvidas de mulheres que não  sabem direito como combinar determinada peça e em que ocasiões usá-la. Há também uma revista semanal online com os últimos lançamentos do site. “Queremos que as clientes se sintam totalmente satisfeitas e seguras com suas escolhas”, diz Natalie.

No caso das clientes da Net-a-Porter, a satisfação inclui contar com um vestido ou bolsa para aquele compromisso de última hora. Além de um centro de distribuição em Londres, há um estoque em Nova York para atender os Estados Unidos. Assim, as compras, acomodadas em elegantes caixas pretas com laços de seda, são entregues em até 72 horas — ou no mesmo dia, se o endereço for em Londres ou Nova York.

Parte do sucesso da Net-a-Porter deriva da experiência de Natalie. Antes de criar a empresa, ela trabalhara por duas décadas como estilista e jornalista de moda. Isso a ajudou nos contatos com executivos das grandes casas de costura, como Yves Saint Laurent, Marc Jacobs, Givenchy e Alexander McQueen. O francês Christian Louboutin, mago dos sapatos de luxo, desenha peças exclusivas para o site. “Enquanto lojas tradicionais encomendam 30 ou 40 pares de sapatos, a Net-a-Porter vende centenas”, diz Louboutin.

Em abril deste ano, o conglomerado suíço Richemont, que detém marcas como Cartier, Chloé e Montblanc e tinha uma participação na  empresa, comprou o restante das ações de Natalie. Estima-se que ela tenha recebido cerca de 80 milhões de dólares. Natalie continua no comando, hoje como executiva de um negócio avaliado em quase 550 milhões de dólares. Agora, o desafio é fazer dar certo uma ponta de estoque virtual das marcas que já fornecem para a Net-a-Porter. “Queremos ocupar os espaços nesse mercado”, diz Natalie. “Enquanto houver para onde expandir, vamos encontrar formas de aproveitar.”