WeWork abre números e mostra prejuízo de quase 2 bilhões de dólares

Às vésperas de abrir capital na bolsa, a americana WeWork divulgou crescimento exponencial, mas prejuízos que crescem na mesma velocidade

Mais uma das startups de tecnologia que deve abrir capital neste ano, a empresa de espaços compartilhados WeWork divulgou na manhã desta quarta-feira, 14, números até então secretos de suas operações.

O faturamento foi de 1,8 bilhão de dólares em 2018, alta de mais de 200% em relação a 2017. O faturamento cresceu mais de 400% desde 2016.

O crescimento foi alto, mas o prejuízo também: as perdas foram de 1,9 bilhão de dólares no ano passado, o dobro do que foi perdido em 2017. Desde 2016, o prejuízo aumentou mais de 300%.

Nos primeiros seis meses de 2019, a WeWork — que recentemente mudou o nome para The We Company — já perdeu 904,6 bilhões de dólares e teve faturamento de 1,5 bilhão.

Os números seguem o caminho que vem se tornando tradicional entre as empresas de tecnologia que chegaram à bolsa neste ano, como os aplicativos de transporte Uber e Lyft, a rede de imagens Pinterest e o chat corporativo Slack. As empresas esperam que seus modelos inovadores, em determinado momento, conquistem o mundo e tragam um crescimento exponencial. Até lá, contudo, serão prejuízos atrás de prejuízos. Os investidores, dizem as empresas, serão recompensados quando o “vencedor levar tudo” (no ditado em inglês the winner takes it all).

“Crescemos significativamente desde nossa criação”, disse a empresa no prospecto. A empresa ressalta que sua base de membros cresceu mais de 100% ao ano desde 2014.

A empresa deve abrir capital na bolsa em setembro, listada sob o nome de “WE”. Com investimentos privados, a companhia foi avaliada até agora em 47 bilhões, depois que o SoftBank, maior investidor da empresa, fez outro aporte de 2 bilhões de dólares em janeiro. O maior acionista da empresa é a WE Holdings, controlada pelo fundador e presidente da WeWork, Adam Neumann.

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Um dos maiores gastos da WeWork vem das locações e compras de ativos imobiliários nas regiões mais caras das cidades em que atua, no geral áreas centrais e com concentração de empresas de tecnologia ou do mercado financeiro. Em São Paulo, por exemplo, a WeWork aluga espaços em bairros como Pinheiros, Morumbi, Perdizes, Oscar Freire e avenida Paulista, alguns dos lugares com o metro quadrado mais caro da cidade. Assim, a empresa gastou em 2018 1,5 bilhão de dólares com seus ativos imobiliários, sem contar depreciação.

A empresa, contudo, tenta diferenciar seus prejuízos das perdas de nomes como a Uber. A diretora financeira da empresa, Artie Minson, disse à CNBC em maio que os investidores deveriam ver o prejuízo da WeWork como “investimento”, uma vez que alugar escritórios é algo comum entre as empresas e “um modelo de negócio comprovado.”

Expansão em larga escala

A WeWork nasceu em 2010, até então com dois prédios em Nova York, nos Estados Unidos, e com um total de 450 membros. Oito anos depois, fechou 2018 com 425 prédios em 100 cidades e 401.000 membros. Os dados mais recentes, de junho de 2019, mostram que a empresa está em 111 cidades e tem 527.000 membros.

A companhia começou a expandir para fora dos Estados Unidos em 2014, sendo as primeiras cidades internacionais Londres, na Inglaterra, e Tel Aviv, em Israel. Hoje, mais da metade de seus membros estão fora dos Estados Unidos (assim como 44% do faturamento), e a empresa aposta no mercado internacional para continuar crescendo.

Nas cidades em que está, a WeWork estima ter 149 milhões de membros “em potencial” e que poderiam lhe render 945 bilhões de dólares. A conta inclui trabalhadores com profissões descritas pela Organização Internacional do Trabalho, porque, segundo a WeWork, “assumimos que esses indivíduos precisam de espaço de trabalho no qual tenham acesso a uma mesa e outros serviços.”

Para chegar até os membros em potencial, a WeWork diz que espera expandir “agressivamente” nas cidades onde já está. Outras 169 cidades também são classificadas como “alvos”, lugares nos quais a WeWork teria espaço para operar no futuro. Assim, nas 280 cidades em que a empresa teria potencial para operar, o mercado potencial seria de 255 milhões de membros e geraria 1,6 trilhão de dólares.

Na busca pelo mundo corporativo global, o céu é o limite. Com esses cálculos, a WeWork diz ter potencial para crescer exponencialmente porque, nas cidades onde está, atingiu somente 0,6% da penetração potencial. No mundo, chega em apenas 0,2% do que poderia segundo seus cálculos.

Presença no Brasil

O prospecto da WeWork não mostra números específicos sobre o Brasil, onde a empresa opera desde 2017. Na América Latina, o primeiro prédio da WeWork foi aberto na Cidade do México, em 2016.

A empresa afirmou a EXAME em julho que tinha 19 edifícios no Brasil, que abrigavam 21.000 membros. Por aqui, a empresa tem prédios em Barueri (SP), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG). Até o primeiro trimestre de 2020, o plano é inaugurar 12 edifícios em cidades como Barueri, Osasco, Porto Alegre, Rio e São Paulo. A próxima inauguração será em Alegre, onde a empresa começa a operar em dezembro.