Wesley Batista Jr. pode ser o próximo CEO da JBS, diz jornal

Wesley Batista Jr., de 25 anos, chefia a divisão de carne bovina da JBS nos Estados Unidos e é o filho do CEO preso

São Paulo – A família Batista, que controla a JBS, nomeará Wesley Batista Jr. como o próximo presidente-executivo da gigante de carnes na segunda-feira, informou o jornal O Globo neste domingo.

Segundo o colunista Lauro Jardim, a família fará a indicação através da holding J&F Investimentos, que controla a JBS, a maior empresa de carnes do mundo.

A J&F, em uma resposta enviada por e-mail, recusou-se a comentar o assunto.

A mudança deverá ocorrer depois de a polícia federal ter detido o CEO da JBS, Wesley Batista, na quarta-feira, como parte de investigação sobre suspeita de que executivos do grupo se aproveitaram de informação privilegiada em decorrência dos próprios acordos de delação premiada para obter lucros no mercado financeiro.

A família Batista negou todas as supostas irregularidades.

Wesley Batista Jr., de 25 anos, chefia a divisão de carne bovina da JBS nos Estados Unidos e é o filho do CEO preso.

A decisão de nomear Batista Jr. deve aprofundar a distância entre a família e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A BNDES Participações, braço de investimento do banco de fomento e titular de uma participação de 21 por cento na JBS, está fazendo pressão para remover Batista do cargo de CEO com o apoio de outros acionistas minoritários.

De acordo com o jornal O Globo, o BNDES estava tentando remover Tarek Farahat como presidente do Conselho da JBS e substituí-lo por Cledorvino Belini, ex-CEO da Fiat Chrysler Automobiles para a América Latina.

A nomeação de Batista Jr. pode levantar mais questionamentos sobre o compromisso da família Batista de implementar práticas de governança rigorosas em uma empresa cujas operações se estendem das Américas para a Austrália.

O caso de informação privilegiada envolvendo a JBS e os Batista segue investigações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre os negócios feitos por ambos antes de um acordo de delação firmado entre os irmãos e a Procuradoria Geral da República ter sido anunciado em meados de maio.

A divulgação do conteúdo do acordo envolveu políticos de peso e levou à apresentação de denúncias contra o presidente Michel Temer.

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