Volkswagen investirá R$ 110 mi na produção local de caminhões elétricos

A montadora alemã vai produzir o primeiro veículo urbano de entregas eletrificado do país

A Volkswagen Caminhões e Ônibus anunciou nesta quarta-feira, 04, um investimento de 110,8 milhões de reais para a produção do e-Delivery, o caminhão elétrico da marca, na fábrica de Resende, Rio de Janeiro.

“Esperamos começar a produzir estes veículos já no final do ano que vem”, disse Roberto Cortes, CEO da Volkswagen Caminhões e Ônibus no Brasil, em entrevista a EXAME.

De acordo com o executivo, 80% do montante será viabilizado por empréstimo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e, o restante, com recursos próprios.

No início de outubro, a montadora havia anunciado a instalação de um polo de produção de veículos elétricos em Resende. No local, diversos fornecedores de peso como Bosch e WEG vão compartilhar um sistema produtivo inédito no país.

O primeiro grande cliente da montadora é a gigante de bebidas Ambev, que anunciou a assinatura de uma intenção de compra de 1 600 caminhões elétricos da Volks, dentro do plano da empresa de eletrificar um terço de sua frota até 2023.

Vocação “natural”

No acumulado até novembro, a Volks apresentou um crescimento próximo de 32% das vendas de caminhões. A marca permanece na vice-liderança do mercado, atrás da Mercedes-Benz. “O market share é uma consequência de bons produtos, mas nós vamos continuar perseguindo a saúde financeira da empresa”, diz Cortes.

O executivo ressalta que a marca tem vocação “natural” para herdar a fatia deixada no mercado pela Ford, que anunciou sua saída do negócio de caminhões. “Tanto em produto como em pós-venda, a tendência é que os clientes da Ford migrem para nós.”

No segmento de ônibus, a Volks teve um avanço de 74% no ano. A marca venceu uma licitação do programa “Caminho da Escola”, que fornece transporte escolar em áreas rurais, e fornecerá 3 600 unidades. “Temos uma forte atuação e tradição nesse negócio.”

Para o ano que vem, Cortes projeta um crescimento de 5% a 10% das vendas de veículos pesados no Brasil, considerando um ambiente de negócios mais favorável.