Venda das plataformas emperra negociações da OSX

A dez dias da assembleia que votará plano de recuperação judicial, companhia de Eike Batista tenta fechar novo financiamento para viabilizar sua reestruturação

Rio – Uma piora no cenário de venda das plataformas da OSX emperra as negociações da empresa de construção naval com seus principais credores.

A dez dias da assembleia que votará seu plano de recuperação judicial, a companhia de Eike Batista ainda tenta fechar um novo financiamento para viabilizar sua reestruturação, em troca de benefícios aos que assumirem o risco.

A perspectiva de obter menos dinheiro para antecipar pagamentos, entretanto, dificultou o acordo, apurou o Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

A expectativa é que o plano não seja aprovado no dia 14 e que os credores suspendam os trabalhos a fim de ganhar tempo nas negociações.

O melhor quadro traçado por avaliadores independentes indicava que a companhia poderia levantar US$ 2,35 bilhões (R$ 5,3 bilhões) com a venda das plataformas de petróleo OSX-1, OSX-2 e OSX-3.

Ao longo das negociações com potenciais compradores nos últimos meses, entretanto, esse valor se mostrou inatingível. A depreciação é um reflexo da crise de credibilidade do grupo OSX.

Os sindicatos de bancos e “bondholders” estrangeiros que financiaram a construção das plataformas terão preferência no recebimento dos recursos obtidos com a alienação das plataformas. A dívida com essas instituições é de cerca de US$ 1,2 bilhão (R$ 2,7 bilhões).

Descontados esses pagamentos, o excedente será usado para antecipar o pagamento de parte das dívidas com os demais credores, dando preferência àqueles que aceitarem injetar dinheiro novo para desenvolver a Unidade de Construção Naval do Açu, em São João da Barra, litoral norte do Rio de Janeiro.

O problema é que vendendo as plataformas por um valor bem abaixo do esperado sobrará muito pouco para pagar os credores brasileiros, com quem busca os novos recursos.

O grupo com que a OSX negocia o novo aporte é formado por Prumo (ex-LLX), Caixa Econômica Federal, Votorantim, Santander e a fornecedora Acciona.

Juntos, têm cerca de R$ 2 bilhões em créditos a receber. Sem poder contar com o dinheiro vindo das plataformas, travam uma queda de braço em torno da receita com a operação do Açu.

Nos últimos dez dias houve encontros diários para discutir as condições de pagamento. Uma reunião entre a OSX e os credores está marcada para hoje (5), em uma tentativa de consenso antes da assembleia.

A moeda de troca na negociação de um novo aporte de capital na OSX é justamente acelerar o pagamento de quem assumir um maior risco na reestruturação.

A proposta do plano de recuperação apresentado em maio é pagar as dívidas do grupo OSX em até 25 anos, um prazo muito longo.

Pelo acordo que se desenha agora, quem financiar um maior valor nessa etapa receberá seus créditos na frente e num porcentual proporcional ao montante aportado.

Diante da disputa acirrada, porém, há expectativa real de que a assembleia não se resolva na primeira chamada, no dia 14.

Os credores devem suspender os trabalhos para ganhar tempo nas negociações. Se isso ocorrer, uma segunda convocação está marcada para o dia 28 de agosto.

Em casos como o da recuperação judicial do Grupo Rede houve seis assembleias até que os interessados batessem o martelo.

Financiamento. Não está descartada a participação de terceiros no novo financiamento à OSX. Uma hipótese seria convencer os bancos que financiaram a construção das plataformas, como a OSX-2.

O dinheiro será usado nas obras de infraestrutura do estaleiro do Açu, onde a OSX já colocou quase R$ 2 bilhões. A estimativa é que o projeto ainda precise de R$ 600 milhões.

Diferentemente do que ocorreu na OGX, petroleira de Eike, a negociação com os credores não envolve participações acionárias.

O controle da empresa seguirá com Eike. Até a dívida das empresas – OSX Brasil, Construção Naval, Serviços Operacionais e Leasing – ser paga, ele não receberá nem um centavo das operações.

Assim que chegar a um acerto, a OSX protocolará um novo plano de recuperação judicial. Segundo fontes, a falência do grupo não interessa aos credores. A análise é que a única forma de evitar a quebra e viabilizar o pagamento da dívida é retomar o projeto.

A exploração do Açu é a única fonte capaz de gerar fluxo de caixa para a OSX nos próximos anos.

A companhia tem direito de uso de 3,2 milhões de metros quadrados por 40 anos no Açu, onde paga um aluguel bem abaixo dos preços de mercado à Prumo Logística, antiga LLX e atualmente controlada pelo grupo americano EIG Global Energy Partners.