Vem aí a onda de balanços afetados pela greve dos caminhoneiros

Nesta segunda-feira, deve começar a ficar claro o tamanho do impacto na temporada de balanços das companhias abertas

A greve dos caminhoneiros que parou o Brasil há dois meses levou a aumento da inflação, a queda no varejo e na produção industrial, a revisão para baixo no PIB. Nesta segunda-feira, deve começar a ficar claro o tamanho do impacto na temporada de balanços das companhias abertas. Os próximos dias serão repletos de divulgação de resultados.

Nesta segunda-feira é a vez da varejista Via Varejo, dono de Ponto Frio e Casas Bahia. Na terça-feira é a vez do Grupo Pão de Açúcar e do banco Santander. Na quarta, dos varesjitas Carrefour e Hering e da mineradora Vale. Na quinta-feira, de empresas como Ambev, Localiza, Grendene, Renner, Estácio e Renner. Na sexta-feira, CVC, Embraer, Fleury, Hypermarcas e Usiminas.

Em relatório da semana passada, a XP investimentos afirma que o crescimento nos lucros das empresas deve continuar neste trimestre em relação a 2017, mas que o avanço deve ser mais fraco por conta da greve dos caminhoneiros. A XP afirma que a tendência de alta deve continuar nos próximos trimestres, mas que “a sustentabilidade depende do resultado das eleições”. Ou seja: se no segundo trimestre foi a greve que segurou os resultados, os próximos ciclos já devem trazer um impacto mais direto da corrida eleitoral.

Entre as companhias que devem ter sido mais diretamente afetadas pela greve a XP destaca a fabricante de bebidas Ambev, para quem a paralisação deve ter afetado os ganhos de volume com a Copa do Mundo. A fabricante de alimentos BRF, a locadora de automóveis Localiza e a empresa de pagamentos Cielo também foram devem apresentar balanços prejudicados pela greve dos caminhoneiros.

A Via Varejo, que divulga resultados nesta segunda-feira, deve, para a XP, apresentar receita líquida de 6,5 bilhões de reais no trimestre, ante 6,1 bilhões no mesmo período do ano passado. O lucro líquido deve ficar em 51 milhões, ante prejuízo de 45 milhões no segundo trimestre de 2017. O maior problema é a margem EBITDA, que deve cair de 5,8% para 5,4%. As vendas nas mesmas lojas devem ter subido 5,5% em 12 meses, um resultado que a XP considera “fraco em comparação com as outras empresas do setor”.

No ano, a bolsa acumula alta de 20%. Depois de cair 20% entre o início da greve e o final de junho, o índice Ibovespa voltou a se recuperar, subindo 12% nas últimas três semanas. A ver como os balanços afetarão o humor dos investidores.