Veja como esta empresa economizou 612 mil reais com plano de saúde

Para melhorar o clima organizacional, a fabricante de pneus Bridgestone criou um comitê e realizou diversas ações com foco no bem-estar dos funcionários

Desde que desembarcou no Brasil em 1988, após a compra da concorrente americana Firestone, a fabricante de pneus Bridgestone sabia que teria um longo caminho pela frente para se consolidar no segmento nacional de artigos de borracha.

Depois de algumas décadas focada na expansão do negócio, em 2012, com quatro fábricas e 800 lojas no país, a multinacional japonesa percebeu que havia esquecido de olhar para dentro da própria organização e ouvir os mais de 4 000 funcionários.

A constatação veio por meio da pesquisa de clima interna daquele ano, na qual os indicadores de engajamento e satisfação dos empregados caíram cerca de 4%, atingindo 47%. Na avaliação anterior, realizada dois anos antes, esse índice era de 51%. A queda foi o estopim para uma série de medidas.

“Entendemos que, para atrair e reter os melhores talentos do mercado, precisaríamos oferecer um bom clima organizacional e elevar nosso engajamento. Foi o que fizemos”, diz Lucila Del Grande, diretora de recursos humanos da Bridgestone, de São Paulo.

A SOLUÇÃO

Para detectar a origem da insatisfação dos funcionários, a Bridgestone resolveu, então, criar um comitê de clima organizacional, reunindo empregados de diferentes áreas e níveis hierárquicos. “Percebemos que só assim conseguiríamos entender os desejos e as necessidades de cada setor”, afirma Lucila.

O grupo passou a fazer reuniões mensais para discutir as queixas dos funcionários e propor melhorias. Como uma das reclamações mais recorrentes era referente à saúde e qualidade de vida, a Bridgestone reformulou seu Programa de Bem-estar e, ao longo de seis anos, nove práticas foram incluídas.

Entre elas está a criação do Espaço Cuidar, onde são oferecidas sessões gratuitas de acupuntura e quiropraxia para aliviar dores musculares dos trabalhadores. Além disso, a empresa passou a acompanhar quinzenalmente, por meio de uma equipe multidisciplinar, os empregados que têm doenças crônicas, como diabetes, problemas cardíacos e asma. “Tivemos a ideia de criar essa espécie de coaching contínuo de saúde para incentivar a adoção de hábitos mais saudáveis e a adesão a medicamentos e consultas”, diz Lucila.

Um dos diferenciais da iniciativa é que os dependentes também podem contar com o acompanhamento especializado. “O contexto familiar, aliás, é um dos fatores que contribuem para o engajamento. Saber que a família está bem-cuidada faz com que o profissional venha para o trabalho tranquilo e seja mais produtivo, o que acaba trazendo retorno para a companhia”, afirma a diretora de RH.

Por fim, além da necessidade de aumentar os investimentos em saúde, ações como intensificar o programa de liderança da companhia e realizar mais celebrações entre os funcionários foram outras mudanças que surgiram no comitê de clima. “Nossa preocupação hoje é escutar o que nossos empregados nos dizem e traçar planos de ação eficientes e precisos”, completa Lucila.

O RESULTADO

Seis anos depois, os resultados das ações de saúde e qualidade de vida começam a aparecer. Hoje, o Programa de Bem-estar da empresa conta com a participação de 1 600 funcionários, número 128% maior do que o registrado em 2013, quando foi implantado, e que corresponde a quase metade do quadro da companhia.

O índice de engajamento e clima organizacional, pivô das transformações da Bridgestone, também melhorou consideravelmente. Na última pesquisa, realizada em 2016, a satisfação dos empregados estava em 73%, o que representa um aumento de 26% em relação à avaliação de 2012, quando o índice alcançava 43%.

E as ações em prol da saúde, embora não visassem diretamente à redução de custos por parte da empresa, também tiveram impactos positivos nesse sentido.

O acompanhamento de pacientes com doenças crônicas, que atualmente atende 204 funcionários e dependentes da planta de Santo André, em São Paulo, aliado às campanhas internas de vacinação e prevenção de doenças, resultou em economia de 612 000 reais com plano de saúde para a Bridgestone, além de diminuir o absenteísmo em 0,20% desde 2014.

“Apesar de nunca  ter sido nosso foco, a sinistralidade surgiu como uma consequência das ações que tomamos para melhorar o engajamento e construir um ambiente saudável”, comemora a RH.