Vale exportar software?

Talvez seja a melhor época para receber em dólar. Veja como

Autômatos, Impactools, Multimedia Café, Pollux. Adivinhe o que essas startups têm em comum? Todas já fincaram seus softwares e serviços em clientes no exterior – e estão engordando o faturamento em dólar, nas cotações altíssimas dos últimos tempos. São exemplos de empreendedores brasileiros que se aventuraram a cruzar as fronteiras com exportações no mundo da tecnologia. Para ter uma idéia dos números, no ano passado o Brasil importou 1,2 bilhão de dólares em software e vendeu para fora apenas 100 milhões, segundo as estimativas da Softex.

Antes de tomar o avião, o candidato a exportador tem de ralar muito em pesquisa. “É fundamental para descobrir se o produto ou serviço é inovador no mercado-alvo, quais são seus diferenciais tecnológicos e as oportunidades de negócios”, diz José Dornelas, professor visitante da faculdade americana Babson College, especializada em empreendedorismo. Levantar informações detalhadas sobre os possíveis mercados, legislação, linhas de crédito e programas de incentivo não é moleza. Mas existem lugares para buscar socorro, como embaixadas, câmaras de comércio e instituições de apoio ao exportador (veja indicações no quadro ao lado).

“Para exportar, é preciso virar um fuçador”, conta Marcelo Salim, CEO da Automatos, especializada em sistemas de suporte remoto. A startup surgiu no ano passado como spin-off da Solvo, empresa de serviços para computadores de missão crítica.”Fuçando”, os sócios descobriram um programa de apoio à exportação da RioSoft , que oferecia estrutura para empresas se estabelecerem em Boston. Hoje, 5% da receita vem das exportações – número que deve subir muito com o contrato fechado com a Compaq, lá fora, para embutir suas soluções nos servidores da empresa.

A maioria das startups tem cruzado as fronteiras sem investir numa filial. É que muitas acabam conquistando um garoto-propaganda eficientíssimo: as subsidiárias brasileiras de multinacionais. Foi o caso da desenvolvedora Multimedia Café, que tem entre seus clientes o Citibank. Indicada pela filial daqui, está desenvolvendo um projeto para o banco em 23 países. Este ano, 35% de seu faturamento virá das exportações.

Outra que começou a exportar dessa forma foi a Impactools. Sua linha de produtos para o mercado de seguros já alcançou cinco países, que responderão por 50% do faturamento. “Em vez de abrir filiais, buscamos parcerias com empresas de outros países para representar nossa solução”, comenta Aurimar Cerqueira, CEO da Impactools.

Parceria não pode faltar no dicionário de quem aponta para o exterior. “Uma startup não pode criar tudo do zero. Deve aproveitar recursos dos parceiros e se ligar a marcas conhecidas”, aconselha Marília Rocca, diretora da Endeavor. A Pollux, startup que desenvolve sistemas de visão, encontrou uma oportunidade de expansão no México e associou-se a quatro engenheiros locais para montar uma nova empresa, a Pabal. Hoje, é dona de 80% da startup mexicana e deve trazer para os caixas brasileiros 100 mil dólares ainda este ano.

Eis onde conseguir ajuda

• Apex (www.apexbrasil.com.br): foi criada para incentivar as pequenas empresas a exportar. Confira no site a documentação necessária.

• Fiesp (www.fiesp.org.br): aponte o browser para as seções São Paulo Exporta e Financiamento Direto.

• ITS (www.its.org.br): especializado em empresas de software, organiza consórcios e ajuda a elaborar planos de negócios e obter financiamentos.

• Sebrae (www.sebrae.com.br): dá consultoria para quem quer exportar. Consulte as dicas do site.

• Softex (www.softex.br): auxilia na localização de produtos e folhetos. Promove consórcios de exportação e indica linhas de crédito.