Usiminas pode ter aumento de ganhos com economia frágil, diz CEO

Leite está otimista que o resultado vai ao mesmo se igualar com o de 2016, mesmo que o mercado não tenha se recuperado totalmente da recessão

A Usiminas, maior fabricante de aços planos do Brasil, projeta que pode continuar a aumentar os ganhos mesmo que a turbulência política nos mercados ameace a recuperação econômica, disse o diretor presidente Sérgio Leite.

A demanda pelo aço no Brasil não se recuperou totalmente da pior recessão econômica em um século e o país agora enfrenta uma investigação ao presidente Michel Temer, disse Leite que está otimista quanto às chances de a empresa pelo menos igualar o desempenho do ano passado.

A Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais SA, como a companhia é formalmente conhecida, acaba de registrar seu primeiro lucro líquido trimestral desde 2014 após a alta dos preços em um momento em que a empresa está conseguindo reduzir custos e gastos.

Os ganhos antes de juros, impostos, depreciação e amortização subiram de forma constante para cerca de R$ 500 milhões.

“Se você anualizasse, está no ritmo de R$ 2 bilhões”, disse Leite do Rio de Janeiro. Enquanto não conseguiu prever se a Usiminas atingiria esse nível de ganhos, disse que a empresa está no caminho de seu plano de 3-5 anos.

A perspectiva de Leite é mais favorável que a dos analistas do BTG Pactual, que na semana passada ressaltaram risco de queda dos preços.

A empresa é a siderúrgica brasileira mais exposta ao ressurgimento da crise política devido à sua dependência em relação ao mercado doméstico, escreveram Leonardo Correa e Caio Ribeiro, do BTG.

Na entrevista de terça-feira, Leite afirmou que a despesa de capital deste ano provavelmente ficaria entre R$ 250 milhões (US$ 77 milhões) e R$ 300 milhões.

Os números contrastam com a projeção de mais de R$ 300 milhões informada na conferência de resultados de abril. A nova estimativa inclui R$ 80 milhões para a reabertura de um alto-forno da empresa em Ipatinga.

Leite foi afastado da presidência em outubro e depois reconduzido ao cargo em meio à queda de braço de anos entre as duas acionistas controladoras, Nippon Steel & Sumitomo Metal e Techint Group.

Ele prometeu continuar implementando sua estratégia de recuperação a longo prazo com a esperança de que continuará no cargo depois de abril de 2018, quando termina seu contrato atual.