Unilever: um não definitivo?

Nesta sexta-feira, a fabricante de alimentos Kraft Heinz, controlada pelo empresário Jorge Paulo Lemann e pelo investidor americano Warren Buffett, anunciou que ofereceu 143 bilhões de dólares pela concorrente Unilever. Em comunicado oficial, a gigante britânica informou que negou a proposta “fundamentalmente por subvalorizar” a empresa. Mais cedo, a Heinz dizia esperar “chegar a um acordo para fechar a transação”.

A oferta inicial é calculada em 50 dólares por ação, o que avalia a Unilever em de 17 a 18 vezes o lucro operacional. Segundo a empresa de análises Morningstar, a Unilever pode vir a reconsiderar a negativa se a oferta chegar a 19 vezes o múltiplo, o que elevaria o valor da negociação para até 175 bilhões de dólares.

O anúncio fez as ações das duas companhias disparar. A Kraft Heinz, às 18 horas, registrava alta de 8,9% no pregão em Nova York, e a Unilever fechou com alta de 14,8% na bolsa de Londres. Se confirmada, será a terceira maior aquisição da história. A oferta é típica do estilo do fundo 3G, comandado por Lemann e por seus sócios Marcel Telles e Beto Sicupira. A Heinz fatura 28 bilhões de dólares anuais. A Unilever, mais de 50 bilhões.

Para a Heinz, o negócio faz sentido, uma vez que a aquisição garantiria um posicionamento global mais consistente. A questão é se o negócio faz sentido para a Unilever. Sua receita encolheu 1% no último ano e o Brexit, o desembarque britânico da União Europeia, poderá deixar a companhia, de certa forma, fragilizada.

Em um comunicado divulgado para seu funcionários, o presidente mundial da Unilever, Paul Polman, afirmou que não vê nenhum mérito financeiro ou estratégico para seus acionistas. E convocou a equipe a manter o foco no próximo trimestre. Para um executivo habituado a falar no valor do longo prazo, é um claro sinal de preocupação.