Uma lição de sustentabilidade

Dono da Interface, modelo de empresa ambientalmente responsável, dá palestra no Brasil


O empresário americano Ray Anderson, conhecido por ter tornado sua empresa de carpetes, a Interface, num modelo de sustentabilidade, veio ao Brasil para participar de um evento da Câmara Americana de Comércio sobre consciência ambiental e social do empresariado. A guinada da Interface começou em 1994, quando uma série de queixas de clientes sobre as políticas ambientais da indústria fizeram Anderson rever suas práticas de negócio. Desde então, a empresa vem se especializando em eliminar emissões de gás nocivas ao ambiente, reaproveitar materiais, usar energia renovável. Anderson chegou a servir o governo como conselheiro para o meio ambiente, durante o governo Clinton. Antes de vir ao Brasil, Anderson deu uma pequena entrevista a EXAME:
EXAME – O que o senhor tem a dizer aos brasileiros sobre o movimento de sustentabilidade?
Ray Anderson – Neste momento, não sei em que pé está o movimento no país.

EXAME – O senhor ficou famoso por transformar a Interface num modelo de empresa sustentável. Isso é apenas uma questão de consciência ou é um modo de tornar a empresa mais lucrativa?
Ray Anderson – Nossos custos caíram, não subiram. Uma de nossas primeiras iniciativas foi reduzir o lixo, o que economizou mais de 250 milhões de dólares para a empresa. Na Interface, nós sempre acreditamos que a sustentabilidade é um modo de lucrar mais — e é a coisa certa a fazer.

EXAME – Como é o modelo da Interface hoje?
Ray Anderson – Nosso modelo não mudou desde o início, quando identificamos sete frentes nas quais procuraríamos sustentabilidade — eliminar o lixo, eliminar emissões nocivas, usar apenas energia renovável, recolher nossos produtos depois que sua vida útil acabasse, minimizar o transporte de pessoas e materiais, integrar sustentabilidade à nossa cultura e propor novas formas de comércio que privilegiem a sustentabilidade.
Com esse modelo, nós sobrevivemos a uma recessão de seis anos melhor que a concorrência.

EXAME – Que resultados o senhor obteve como conselheiro do presidente Bill Clinton? Os Estados Unidos continuaram a se recusar a assinar o protocolo de Kyoto, contra emissões poluidoras…
Ray Anderson – O Conselho da Presidência para Desenvolvimento Sustentável se uniu a diversos níveis do governo federal e muitos estados e municípios nos Estados Unidos. Isso levou a iniciativas de sustentabilidade que ainda estão em voga, apesar do retrocesso com o governo Bush. A não-assinatura do Protocolo de Kyoto é um grande desapontamento para os americanos que pensam no assunto, mas ainda temos esperança.

EXAME – Quais são os passos para uma empresa se tornar sustentável?
Ray Anderson – Meça tudo o que você tira do ambiente e quanto você joga fora. Quebre a cabeça para achar soluções que reduzam as duas medidas a zero. Leia tudo o que puder sobre o assunto. Quase tudo o que você precisa saber já foi escrito por alguém que passou pela mesma situação.