Uma beleza de negócio

Maior rede de estética corporal surgiu numa academia de judô

Não há crise tão grave a ponto de fazer a mulher desistir dos cuidados com a própria beleza. Prova disso é o crescimento da Estética Onodera. Há apenas dois anos, contava com somente três lojas. Hoje, é a maior rede de franquias de estética corporal no país, com 16 unidades na Grande São Paulo e mais quatro no interior do estado. No total, elas faturam 1 milhão de reais por mês. Paulistana, a empresa nasceu em 1980, numa sala de 9 metros quadrados localizada nos fundos de uma academia de judô, em frente ao Parque da Aclimação. Enquanto o dono da academia, o japonês Ikuo Onodera, ex-técnico da seleção brasileira de judô, suava o quimono no tatame, sua mulher, Edna Zavarezzi Onodera, administrava uma pequena clínica de estética com serviços como massagem e limpeza de pele.

A primeira filial foi inaugurada em Moema, em 1996, e a segunda começou a funcionar em 1999, no Tatuapé. A ironia é que o sucesso da Onodera foi construído, se não à revelia, ao menos enfrentando a má-vontade do judoca Ikuo, que empresta seu sobrenome à rede. Ele duvidava do talento da esposa como empreendedora e resistiu a cada uma de suas iniciativas para ampliar o negócio. “Cada passo que demos para crescer aconteceu quando meu pai viajava a trabalho”, afirma Lucy, a filha mais velha do casal. Aos 22 anos, Lucy é o braço direito de Edna. Foi ela quem incentivou a mãe a abrir franquias, em 1999 — e desde então o faturamento da rede vem crescendo 40% ao ano.

Para abrir uma clínica Onodera é necessário um investimento inicial de 120 mil reais. O candidato precisa, além disso, de cacife para bancar uma folha de pagamentos com 20 funcionários, entre massagistas, nutricionistas, fisioterapeutas e médicos. A primeira franquia foi aberta em Santana, em fevereiro do ano passado. “Em um mês cobri as despesas e hoje posso atender 40 clientes por dia”, diz a franqueada pioneira, Maria Aparecida de Brito. Cida, como todos a chamam, trabalhou durante 12 anos com Edna. Hoje sua própria franquia fatura cerca de 90 mil reais por mês. Seus irmãos já inauguraram duas clínicas, uma em Osasco e outra em Santo André, e ela mesma já tem planos para abrir a segunda franquia.

Aposta na propaganda
Lucy, que estuda administração na Universidade de São Paulo, atribui a explosão da rede à propaganda. “No início, minha mãe se endividava para imprimir folhetos e ministrar palestras em salões de festa de prédios”, diz. Hoje a Onodera investe em rádio, televisão, jornal e revistas. Os preços dos serviços são acessíveis. Com 500 reais se pode fazer dez sessões de dois tipos de massagem, com duração de uma hora cada. Um princípio da rede é não engabelar as clientes. “Se a pessoa precisa de uma cirurgia plástica, logo avisamos”, diz Edna. “Não prometemos milagres.” Ainda escondendo seus passos do marido, Edna cultiva planos ambiciosos. No próximo ano pretende abrir três clínicas no Rio de Janeiro. “Eu não sei nada de estética, mas sei exatamente como administrar”, afirma.