Um peso a mais para o e-commerce

Ano após ano, a Black Friday – sexta-feira depois do feriado de Ação de Graças no Estados Unidos – se consolida como uma data importante para o comércio eletrônico no Brasil. Celebrada hoje, a previsão de vendas é de 2,1 bilhões de reais, 30% mais que no ano passado e 5% do total de receita do e-commerce em 2016. Mas a dependência da data para gerar, ainda mais em um ano de crise, está longe de ser uma boa notícia para as companhias.

As maiores redes de varejo online do país não dão lucro. A última vez que a B2W, a maior companhia do setor no país, fechou um ano no azul foi 2010. Em 2015, o prejuízo foi de 275 milhões de reais. Nos primeiros nove meses de 2016, a conta já está negativa em 384 milhões de reais. Quando a empresa recebeu o último aporte de fundos, de 2,3 bilhões de reais em maio de 2014, a promessa era que a empresa sairia do vermelho neste ano. No caso da Netshoes, a maior no setor de esportes e vestuário, a conta ficou negativa em 63 milhões em 2015.

Vícios colocados pelos próprios lojistas, como o frete grátis, o parcelamento em 12 vezes e as compras sem juros, repetidos mais uma vez na Black Friday, só complicam ainda mais a situação. O problema é que o ambiente não ajuda, já que qualquer empresa que quiser tirar algum desses benefícios sente a queda nas vendas.

O e-commerce, que era um dos poucos setores que crescia a taxas acima de 20% ao ano, desacelerou de maneira geral. De acordo com a consultoria E-bit, cresceu 15% em 2015, menos do que a previsão. Neste ano, deve avançar 8%, pouco acima da inflação. A partir do ano que vem os números devem melhorar, mas especialistas concordam que o período de do maior boom desse mercado já passou. E o lucro não veio. Desta forma, não há Black Friday que dê jeito.