Uber não cresce o suficiente e divulga maior prejuízo da história

Puxado por crescimento do Uber Eats, faturamento da empresa subiu 14%, mas resultados não acompanharam alta de mais de 200% nos gastos

Ao abrir capital em maio deste ano, a empresa de transporte por aplicativo Uber já havia divulgado que não teria lucro tão cedo. Mas talvez os investidores não esperassem tanto prejuízo assim. A empresa divulgou nesta quinta-feira, 8, sua maior perda da história, com prejuízo de 5,2 bilhões de dólares no segundo trimestre deste ano.

Métricas como receita e número de usuários cresceram, mas não na velocidade necessária para aplacar as perdas. A Uber fez 1,7 bilhão de viagens no aplicativo e entregas de refeições pelo Uber Eats entre abril e junho, alta de 35% na comparação com o mesmo período do ano passado. O número de usuários ativos também cresceu 30%, com 99 milhões de pessoas por mês que usam as plataformas da empresa.

Mas para conquistar esses novos usuários e manter as operações funcionando, a Uber gastou 247% a mais do que em 2018, com os gastos subindo de 3,5 bilhões para 8,6 bilhões de dólares neste ano. O faturamento no trimestre, contudo, não cresceu na mesma proporção, fechando em 3,2 bilhões de dólares, apenas 14% maior que em 2018.

E mesmo esta pequena alta foi puxada majoritariamente pelas refeições entregues pelo Uber Eats, que responde por 19% do faturamento da empresa. Enquanto o crescimento do faturamento do Uber Eats foi de 72% (fechando o trimestre ganhando 595 milhões de dólares), o crescimento do serviço de transporte foi de apenas 2%.

O número de pedidos também aumentou mais no Uber Eats: a plataforma de refeições teve 91% mais pedidos entre abril e junho, ante alta de apenas 20% no serviço de transporte.

Entregadores do Uber Eats em Kiev, na Ucrânia: entrega de refeições cresceu mais que transporte por aplicativo

Entregadores do Uber Eats em Kiev, na Ucrânia: entrega de refeições cresceu mais que transporte por aplicativo (Valentyn Ogirenko/Reuters)

E o Brasil?

A Uber não divulgou resultados específicos sobre o Brasil, segundo maior mercado da empresa. Contudo, há sinais de que o crescimento possa estar desacelerando na América Latina.

O faturamento na região foi de 547 milhões de dólares no segundo trimestre de 2018 para 417 milhões neste ano, queda de 24%. A América Latina foi a única região em que a Uber teve queda no faturamento, com alta de 19% nos Estados Unidos e Canadá, 13% na Ásia e 22% em Europa, Oriente Médio e África.

Em documento divulgado pela empresa antes do IPO em maio, a Uber reportou que tinha no fim de 2018 mais de 22 milhões de usuários no Brasil, respondendo por mais de 20% de todos os seus usuários no mundo.

O mercado brasileiro é um dos mais promissores para a empresa e, por aqui, o faturamento da empresa cresceu 406% na comparação com 2016.

Baixa na bolsa

Os resultados fracos fizeram a ação da Uber cair 11% nas negociações após o fechamento do mercado. Por volta das 18h, a baixa diminuía e as ações passavam a ser negociadas com queda na casa dos 6%.

A empresa havia fechado o dia com alta de 8% antes da divulgação dos resultados, mostrando que os investidores, até então, estavam mais otimistas. A Uber vale atualmente 73 bilhões de dólares na Nasdaq, uma das duas bolsas de Nova York.

Desde o IPO há três meses, a empresa já passou a valer 10 bilhões de dólares a menos do que no IPO, que avaliou a empresa em 82,4 bilhões de dólares. 

Enquanto isso, na concorrência

Os resultados decepcionantes da Uber vêm um dia depois de a principal rival nos Estados Unidos, a Lyft, ter divulgado resultados melhores que o esperado. A perspectiva anual de faturamento subiu de 3,3 bilhões para 3,5 bilhões de dólares. Enquanto isso, a expectativa de prejuízo caiu de 1,2 bilhão para a casa dos 875 bilhões de dólares.

O faturamento da empresa cresceu 72%, o dobro do crescimento da Uber, o que indica que a Lyft conseguiu capitalizar melhor a alta de 41% em seu número de usuários. As ações da companhia americana subiram 11% após a divulgação dos resultados na quarta-feira, 7.

A Lyft afirmou em seu balanço que o mercado americano está ficando menos dependente de descontos, o que pode sugerir um futuro em que a guerra de preços com a Uber diminua. “Nós nos tornamos mais eficientes e o mercado se tornou mais racional”, disse o presidente Brian Roberts.

O presidente da Uber, Dara Khosrowshahi, foi na mesma linha em conferência com analistas nesta quinta-feira, afirmando que “com certeza estamos vendo o ambiente competitivo melhorar”. Falta essa melhora dar resultado nos balanços.