Toyota alerta que custos de veículos podem subir com tarifas nos EUA

Até o momento, as maiores montadoras e fornecedoras de peças do Japão têm visto impacto direto limitado das tarifas dos EUA sobre aço e alumínio

Tóquio – A Toyota Motor informou nesta sexta-feira que tarifas mais altas nos Estados Unidos sobre carros elevariam o custo de veículos produzidos localmente assim como dos importados do Japão, o que teria um “grande impacto” em seu resultado.

Assim como seus concorrentes globais, a Toyota está encarando a possibilidade de um aumento nas tarifas de importação de carros nos EUA, o que poderia afetar sua projeção e elevaria o custo de venda de veículos no segundo maior mercado mundial de automóveis. Tal incerteza tirou o brilho de um forte resultado trimestral anunciado nesta sexta-feira.

Até o momento, as maiores montadoras e fornecedoras de peças do Japão têm visto impacto direto limitado das tarifas dos EUA sobre aço e alumínio implementadas em junho, embora reconheçam que poderiam ser fortemente afetadas se Washington colocar em vigor as propostas de aumento para 25 por cento nas tarifas sobre carros e peças.

“Se virmos um aumento, ele elevaria o custo de veículos produzidos localmente em cerca de 1.800 dólares cada e aumentaria os custos de modelos importados do Japão em 6 mil dólares”, disse a repórteres o diretor administrativo sênior da Toyota, Masayoshi Shirayanagi, referindo-se aos sedãs Camry, fabricados nos EUA e um dos principais modelos da empresa.

“Isso seria um grande impacto.”

Os EUA são um grande mercado para montadoras japonesas, onde Toyota, Honda Motor e Nissan Motor produzem localmente cerca da metade ou mais dos carros que vendem no país. O restante é importado do Japão, Canadá, México e outros países.

Com base nos cerca de 709 mil veículos que a Toyota exportou para os EUA a partir do Japão em 2017, a montadora poderia ter um impacto relacionado a tarifas de 4,25 bilhões de dólares só sobre esses veículos.

Tarifas mais altas seriam um grande impacto para todas as montadoras globais, uma vez que a maioria, incluindo as norte-americanas, depende de importações de veículos e peças de modelos vendidos nos EUA.

A Toyota tem sido contra as tarifas, argumentando que 25 por cento levariam a um aumento no custo de 1.800 dólares para seu sedã Camry fabricado nos EUA, e de 2.800 dólares para a caminhonete Tundra.

A montadora opera 10 fábricas nos EUA e produz localmente pouco menos de metade de todos os carros que vende no país.

1º trimestre forte

Mais cedo nesta sexta-feira, a Toyota reportou um aumento de 19 por cento no lucro operacional para o período de abril a junho, para 683 bilhões de ienes (6 bilhões de dólares), superando estimativas e marcando o melhor desempenho trimestral em dois anos e meio, amparado em vendas mais altas e redução de custos na Ásia.

Suas vendas globais de veículos subiram 1 por cento no trimestre, para 2,6 milhões de unidades, impulsionadas por uma alta na Ásia, onde a demanda pelo recém remodelado Camry ajudou a aumentar as vendas em 5,4 por cento na China, o maior mercado de veículos do mundo, durante os primeiros seis meses de 2018.

Na América do Norte, maior mercado regional da Toyota, as vendas subiram 3,2 por cento devido a um aumento na demanda por suas caminhonetes, incluindo Tacoma e Tundra. Apesar disso, o lucro na região caiu 29 por cento, conforme incentivos a vendas continuaram pesando.

A montadora manteve sua projeção de lucro para o ano de 2,3 trilhões de ienes, uma queda de 4,2 por cento na comparação anual, embora agora espere que a moeda japonesa seja negociada a 106 ienes por dólar, ante estimativa anterior de 105 ienes.

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