Toshiba demite presidente envolvido em escândalo contábil

Em comunicado, a multinacional que atua no setor de infraestruturas e eletrônica, explicou que Tanaka e outros membros da direção deixarão seus cargos hoje

Tóquio – A companhia japonesa Toshiba anunciou nesta terça-feira a demissão de seu presidente, Hisao Tanaka, devido a um grande escândalo de manipulação contábil que chegou a inflar o lucro da empresa em US$ 1,22 bilhão em um período de sete anos.

Em comunicado, a multinacional que atua no setor de infraestruturas e eletrônica, explicou que Tanaka e outros membros da direção deixarão seus cargos hoje, sendo substituídos por outras 22 pessoas que assumem seus postos da empresa.

A demissão coletiva ocorre após a publicação de um relatório feito por um grupo de analistas independentes, que revela como a cúpula da Toshiba promoveu a manipulação “sistemática” da contabilidade da companhia.

No comunicado divulgado após uma reunião do conselho de administração, a Toshiba explicou que, além do presidente, estão demitidos seus antecessores, Norio Sasaki, atual vice-presidente, e Atsutoshi Nishida, hoje conselheiro da empresa.

Espera-se ainda que Tanaka, no cargo desde 2013, convoque uma entrevista coletiva para fazer o anúncio oficial de sua saída e para explicar o resultado da investigação sobre o escândalo contábil.

Em outro comunicado, a Toshiba anunciou que o atual presidente honorário da empresa, Masashi Muromachi, assume o cargo de presidente. A direção também será renovada para “fornecer novos ares empresariais”.

Após dois meses de trabalho, um grupo de analistas independentes publicou ontem um relatório que relata as “sistemáticas” manipulações contáveis ocorridas na companhia com participação dos principais diretores. As primeiras irregularidades foram detectadas pelas autoridades japonesas em fevereiro.

Além disso, o relatório acusa os diretores e empregados da companhia de “não ter consciência ou conhecimento necessários das práticas contábeis adequadas”.

A manipulação realizada pela Toshiba constituiu em registrar no exercício seguinte custos do segmento de infraestrutura da empresa, assim como superestimar os lucros nesse setor da empresa, no de televisores, semicondutores e computadores portáteis.

A empresa japonesa anunciou no mês passado uma revisão para diminuir seu lucro operacional entre os anos de 2009 e 2013 em mais de 50 bilhões de ienes (US$ 403 milhões) devido às irregularidades detectadas na contabilidade sobre projetos de infraestrutura. EFE