Ternium tentou impedir destituição de cúpula da Usiminas

Na reunião, foi decidida a destituição do alto escalão da siderúrgica

São Paulo – A Ternium, subsidiária do grupo ítalo-argentino Techint, tentou impedir, um dia antes, na Justiça, a reunião do conselho de administração da Usiminas, realizada na quinta-feira, 24 de setembro, na qual foi decidida a destituição do alto escalão da siderúrgica, apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

A reunião culminou na destituição do presidente Julián Eguren, do diretor de subsidiárias, Paolo Bassetti, e do diretor industrial, Marcelo Chara, os três indicados pela Ternium. A alegação da Nippon foi de que auditorias apontaram o recebimento de bônus irregular pelos executivos citados.

Segundo a ação, a que Broadcast teve acesso, a Ternium alegou que o presidente do conselho, Paulo Penido Marques, poderia acumular o cargo de diretor-presidente, “em patente violação a acordo de acionistas e lesão ao interesse da sociedade e de seus acionistas”. A ação foi negada e os diretores destituídos. Rômel Erwin de Souza, diretor da companhia, assumiu a presidência em caráter provisório.

A Nippon foi procurada, e conforme consta nos autos, informou que os diretores citados “teriam sido beneficiados com pagamentos irregulares de ‘bônus especial’, gerando prejuízos à Usiminas, apurados em auditoria interna e externa”, e que esses diretores, embora tivessem reconhecido parcialmente a irregularidade, não ressarciram a empresa integralmente.

Para tentar reverter a destituição, a Ternium ingressou com uma liminar na Justiça mineira, negada na segunda-feira. A empresa voltou a recorrer e aguarda nova decisão entre sexta-feira e segunda-feira. Procurada, a Ternium não comentou o assunto.

Mudanças

O acordo de acionistas da Usiminas deverá ser modificado após resolução de conflito, segundo fonte a par do assunto. O objetivo seria criar métodos para resoluções de conflitos e garantir a alternância de poder entre os dois acionistas, com a indicação do diretor-presidente.

O acordo em vigor, assinado em janeiro de 2012, após a Ternium ingressar no capital da siderúrgica, prevê que Nippon e Ternium têm o direito de “indicar por consenso o diretor-presidente da Usiminas”. O documento diz ainda que “a destituição ou substituição do presidente dependerá de consenso”.

O grupo japonês é o maior acionista, com 29,45%. O grupo T/T (Ternium, Siderar e TenarisConfab) tem 27,66% e a Previdência Usiminas, 6,75%. Em breve, tanto Nippon quanto Ternium deverão indicar nomes para a substituição Eguren.

Como forma de solucionar o problema, além da possibilidade de a Nippon comprar a fatia da Ternium, aventou-se a alternativa de cisão do negócio, com Nippon ficando com Ipatinga (MG), que possui tecnologia da companhia japonesa embarcada e foco no setor automotivo, enquanto a argentina teria a usina de Cubatão (SP), que produz placas e possui um canal de distribuição, de maior interesse da Ternium. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.