Tequila é “ingrediente verde” da vez na Ford

Fabricante de carros desenvolve bioplástico feito de fibras da produção de agave, planta usada na fabricação da bebida mexicana

São Paulo – Faz pelo menos uma década que a Ford vem se aventurando na criação de materiais mais sustentáveis que possam, por exemplo, substituir derivados de petróleo, como o plástico, na produção de componentes automotivos.

Em sua nova investida, a empresa está desenvolvendo um novo bioplástico feito com fibras de agave, planta usada na fabricação da tequila, famosa bebida mexicana. A pesquisa é realizada em parceria com a Jose Cuervo, tradicional fabricante de tequila.

Divulgação/ FORD

Fibra de agave:subsproduto da produção da famosa bebida mexicana pode ser transformado em bioplástico para uso em carros.

Segundo a montadora, o biomaterial tem um grande potencial de aplicação no revestimento de cabos e porta-objetos, por sua durabilidade e qualidades estéticas.

A inovação entra para extensa lista de materiais alternativos que contribuem para diminuir o peso do veículo e economizar combustível, como espuma de soja, óleo de rícino, palha de trigo, fibra de kenaf (Hibiscus cannabinus), celulose, madeira, fibra de coco e cascas de arroz.

Divulgação/ FORD

Inovação: bioplástico feito de fibras de agave desenvolvido pela Ford. 

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), são produzidos anualmente 5 bilhões de toneladas de resíduos de biomassa agrícola, um subproduto abundante, barato e muitas vezes subutilizado, que poderia ser aproveitado na fabricação de produtos mais leves e sustentáveis.

Esse mercado potencial abre oportunidades para empresas que produzem resíduos agrícolas, como a Jose Cuervo, que expandiu seu plano de sustentabilidade para desenvolver novos usos para as fibras descartadas.

O crescimento do agave é um processo que dura, no mínimo, sete anos. Depois da planta colhida, seu núcleo é torrado e triturado para a extração dos sucos e destilação. 

Parte do que sobra é usado pela empresa para compostagem em suas fazendas, outra parte vai para artesãos locais, e agora, também, para desenvolvimento de biomateriais para carros.